Com a crise instalada - Mediadores imobiliários perspectivam futuro negro
As sociedades e empresas de mediação imobiliária na ilha Terceira tem proliferado a olhos vistos. Há meia dúzia de anos, poucas eram as “agências de compra e venda” de imóveis na ilha, mas, actualmente, já se conseguem contar, pelo menos, quase duas dezenas destas empresas, divididas entre Angra do Heroísmo e Praia da Vitória.

Algumas são empresas nacionais que acabaram por se ramificar às ilhas, outras há que tendo a sede mãe em São Miguel (ilha em que o sector está muito mais evoluído) estenderam-se às outras ilhas, essencialmente, com a criação de delegações na Terceira.
Actualmente, do ponto de vista comercial, este sector tem algo de antagónico. À vista desarmada, as opiniões das pessoas apontam no sentido de que, pelo boom registado no seu surgimento, o negócio se faça com abundância e em termos meramente económico-financeiros seja algo de lucrativo.
Todavia, nada mais erróneo. O sector passa pelas ruas da amargura: “está péssimo”, disse-nos Carlos Pimentel, da segunda mais antiga imobiliária da ilha Terceira, a Açorprédios.
Para justificar as dificuldades que se estão a colocar ao sector, o agente imobiliário aponta as taxas de juro: “em Junho verificou-se um aumento das taxas de juro à habitação e já para o próximo mês de Agosto se prevê outra subida”.
“As pessoas, perante um investimento para a vida, como seja a aquisição de uma habitação, ficam de pé atrás, o que é compreensível”, uma vez que ao endividirem-se por um período de tempo que pode chegar, actualmente, aos 55 anos, consoante as modalidades e campanhas praticadas pelas instituições bancárias, têm de ponderar muito bem o assunto.
Com um parque habitacional a cada dia que passa maior e com a implementação de planos de ordenamento do território, como os PDM’s (Planos Directores Municipais), também, os prédios rurais começam a aparecer, em cada vez maior número, com placas alusivas à disponibilidade dos seus proprietários em vendê-los.
Isto significa que a oferta de prédios urbanos e terrenos aumenta a olhos vistos, mas que perante a conjuntura de “crise” acabam por ter pouca procura.
Outro dos factores identificados por Carlos Pimentel tem que ver com os preços que as pessoas pendem pelas moradias ou terrenos dos quais se querem desfazer.
Para o responsável pela Açorprédios será necessário que os proprietários dos imóveis comecem a ganhar a consciência que “os tempos não são fáceis” e que “procedam a uma diminuição dos seus pedidos”.
Aliás, esta empresa de mediação imobiliária “aconselha os seus clientes a repensar sempre os valores pedidos, quando se constata por uma avaliação ligeira que o preço pode ser exagerado”.
Enquanto segunda empresa na área mais antiga na ilha, Carlos Pimentel considera que a concorrência “não se suporta bem, porque estamos em tempo de crise”.
José Aurora de Medeiros foi o primeiro na Terceira
Entretanto, é também na cidade de Angra do Heroísmo que se encontra a imobiliária mais antiga da ilha. Com data no alvará de 1989, José Aurora de Medeiros, nestes quase vinte anos de negócio, começa a ver as coisas “muito ruins”.
“A oferta é grande, mas a procura nem por isso; os proprietários dos imóveis inflacionam demasiado os preços, ou seja, querem vender uma casa velha pelo preço de uma nova e a burocracia em torno da compra de uma casa ou terreno é excessiva”, considera José Aurora.
Ao contrário de outras empresas do ramo, este responsável afirma que “as taxas de juro não são os factores mais preocupantes para a crise no sector”, uma vez que, recorda, “quando comprei a minha casa pagava aos bancos taxas de juro superiores a 30 por cento e, hoje em dia, essas taxas não ultrapassam os cinco por cento”.
Com a concorrência que surgiu maioritariamente nos últimos quatro a cinco anos, José Aurora de Medeiros diz poder bem, porque “muitas das novas mediadoras estão mais vocacionadas em ganhar dinheiro do que em agradar ao cliente”.
A título de exemplo, afirma que sobre cada venda que faz cobra uma comissão de três pontos percentuais, porém, “existem imobiliárias na nossa praça que chega a atingir e ultrapassar os 10 por cento”.
Sem querer atingir ninguém, o empresário frisa que os valores também são do agrado dos vendedores, pois tudo é previamente contratado.
Aliás, por falar em quatro a cinco anos esta parte, este empresário não tem dúvidas: “foi o auge deste negócio”. Agora, e quanto ao futuro, “as coisas não vão ser muito fáceis”.
José Aurora salienta mesmo que a curto prazo, “porque este é um negócio com muitos custos, não se vai conseguir manter o actual estado de coisas, pois as previsões são de piorar e não o contrário”.
Espaços para comércio: a história volta a repetir-se
Outra vertente deste negócio passa pela colocação à venda ou para aluguer de espaços comerciais. Na cidade da Praia da Vitória, a empresa Imobiliária Praiense dedica-se ao ramo.
Henrique Pimentel, sócio da firma, também, aqui não vê grande futuro no negócio. “Isto está mau e não vai durar muito mais tempo”.
Em causa, segundo afirmou, está o facto de “o comércio tradicional já ser coisa do passado... acabou”.
Como em tudo na vida, nos dias que correm, a “oferta é muita e os conceitos alteraram-se: as grandes superfícies comerciais e outro tipo de negócio, como as lojas dos chineses, faz com que não agoire um futuro risonho para o sector”, finalizou Henrique Pimentel.
POR CULPA DOS DIVÓRCIOS
Disparam vendas de imóveis na ilha
Como causas principais para a disponibilização para venda dos imóveis aos números que se têm visto, encontram-se, principalmente, os divórcios. Em muitos casos a casa nem sequer fica dada como pronta, mas a separação faz com que seja primordial arranjar dinheiro para a divisão das despesas.
Numa segunda linha, surgem as dívidas pessoais dos proprietários dos prédios. A necessidade urgente de encontrar dinheiro para fazer face aos compromissos assumidos faz com que a venda de bens mais valiosos, como casas e terrenos, sejam vendidos. Utilizam-se os mediadores para que o processo se desenrole de forma mais célere.
Em terceiro lugar, o gosto em ter uma casa nova faz com que a antiga seja colocada à venda. O pior é quando se quer vender a casa velha de forma a que o dinheiro dê para a nova habitação. O processo encalha.
Entre outros factores de somenos significado, o que é certo é que para o sector são mais os divórcios que a procura de imóveis.

Algumas são empresas nacionais que acabaram por se ramificar às ilhas, outras há que tendo a sede mãe em São Miguel (ilha em que o sector está muito mais evoluído) estenderam-se às outras ilhas, essencialmente, com a criação de delegações na Terceira.
Actualmente, do ponto de vista comercial, este sector tem algo de antagónico. À vista desarmada, as opiniões das pessoas apontam no sentido de que, pelo boom registado no seu surgimento, o negócio se faça com abundância e em termos meramente económico-financeiros seja algo de lucrativo.
Todavia, nada mais erróneo. O sector passa pelas ruas da amargura: “está péssimo”, disse-nos Carlos Pimentel, da segunda mais antiga imobiliária da ilha Terceira, a Açorprédios.
Para justificar as dificuldades que se estão a colocar ao sector, o agente imobiliário aponta as taxas de juro: “em Junho verificou-se um aumento das taxas de juro à habitação e já para o próximo mês de Agosto se prevê outra subida”.
“As pessoas, perante um investimento para a vida, como seja a aquisição de uma habitação, ficam de pé atrás, o que é compreensível”, uma vez que ao endividirem-se por um período de tempo que pode chegar, actualmente, aos 55 anos, consoante as modalidades e campanhas praticadas pelas instituições bancárias, têm de ponderar muito bem o assunto.
Com um parque habitacional a cada dia que passa maior e com a implementação de planos de ordenamento do território, como os PDM’s (Planos Directores Municipais), também, os prédios rurais começam a aparecer, em cada vez maior número, com placas alusivas à disponibilidade dos seus proprietários em vendê-los.
Isto significa que a oferta de prédios urbanos e terrenos aumenta a olhos vistos, mas que perante a conjuntura de “crise” acabam por ter pouca procura.
Outro dos factores identificados por Carlos Pimentel tem que ver com os preços que as pessoas pendem pelas moradias ou terrenos dos quais se querem desfazer.
Para o responsável pela Açorprédios será necessário que os proprietários dos imóveis comecem a ganhar a consciência que “os tempos não são fáceis” e que “procedam a uma diminuição dos seus pedidos”.
Aliás, esta empresa de mediação imobiliária “aconselha os seus clientes a repensar sempre os valores pedidos, quando se constata por uma avaliação ligeira que o preço pode ser exagerado”.
Enquanto segunda empresa na área mais antiga na ilha, Carlos Pimentel considera que a concorrência “não se suporta bem, porque estamos em tempo de crise”.
José Aurora de Medeiros foi o primeiro na Terceira
Entretanto, é também na cidade de Angra do Heroísmo que se encontra a imobiliária mais antiga da ilha. Com data no alvará de 1989, José Aurora de Medeiros, nestes quase vinte anos de negócio, começa a ver as coisas “muito ruins”.
“A oferta é grande, mas a procura nem por isso; os proprietários dos imóveis inflacionam demasiado os preços, ou seja, querem vender uma casa velha pelo preço de uma nova e a burocracia em torno da compra de uma casa ou terreno é excessiva”, considera José Aurora.
Ao contrário de outras empresas do ramo, este responsável afirma que “as taxas de juro não são os factores mais preocupantes para a crise no sector”, uma vez que, recorda, “quando comprei a minha casa pagava aos bancos taxas de juro superiores a 30 por cento e, hoje em dia, essas taxas não ultrapassam os cinco por cento”.
Com a concorrência que surgiu maioritariamente nos últimos quatro a cinco anos, José Aurora de Medeiros diz poder bem, porque “muitas das novas mediadoras estão mais vocacionadas em ganhar dinheiro do que em agradar ao cliente”.
A título de exemplo, afirma que sobre cada venda que faz cobra uma comissão de três pontos percentuais, porém, “existem imobiliárias na nossa praça que chega a atingir e ultrapassar os 10 por cento”.
Sem querer atingir ninguém, o empresário frisa que os valores também são do agrado dos vendedores, pois tudo é previamente contratado.
Aliás, por falar em quatro a cinco anos esta parte, este empresário não tem dúvidas: “foi o auge deste negócio”. Agora, e quanto ao futuro, “as coisas não vão ser muito fáceis”.
José Aurora salienta mesmo que a curto prazo, “porque este é um negócio com muitos custos, não se vai conseguir manter o actual estado de coisas, pois as previsões são de piorar e não o contrário”.
Espaços para comércio: a história volta a repetir-se
Outra vertente deste negócio passa pela colocação à venda ou para aluguer de espaços comerciais. Na cidade da Praia da Vitória, a empresa Imobiliária Praiense dedica-se ao ramo.
Henrique Pimentel, sócio da firma, também, aqui não vê grande futuro no negócio. “Isto está mau e não vai durar muito mais tempo”.
Em causa, segundo afirmou, está o facto de “o comércio tradicional já ser coisa do passado... acabou”.
Como em tudo na vida, nos dias que correm, a “oferta é muita e os conceitos alteraram-se: as grandes superfícies comerciais e outro tipo de negócio, como as lojas dos chineses, faz com que não agoire um futuro risonho para o sector”, finalizou Henrique Pimentel.
POR CULPA DOS DIVÓRCIOS
Disparam vendas de imóveis na ilha
Como causas principais para a disponibilização para venda dos imóveis aos números que se têm visto, encontram-se, principalmente, os divórcios. Em muitos casos a casa nem sequer fica dada como pronta, mas a separação faz com que seja primordial arranjar dinheiro para a divisão das despesas.
Numa segunda linha, surgem as dívidas pessoais dos proprietários dos prédios. A necessidade urgente de encontrar dinheiro para fazer face aos compromissos assumidos faz com que a venda de bens mais valiosos, como casas e terrenos, sejam vendidos. Utilizam-se os mediadores para que o processo se desenrole de forma mais célere.
Em terceiro lugar, o gosto em ter uma casa nova faz com que a antiga seja colocada à venda. O pior é quando se quer vender a casa velha de forma a que o dinheiro dê para a nova habitação. O processo encalha.
Entre outros factores de somenos significado, o que é certo é que para o sector são mais os divórcios que a procura de imóveis.
+ Informações:
Fonte: A União
Data: 2006-07-27 10:21:37
Visualizações: 678
Data: 2006-07-27 10:21:37
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