Empresários do sector não falam em crise - Negócio das fotografias tem pernas para andar
Investir seja naquilo que for é sempre um risco. Umas vezes controlado, outras nem por isso. Estudar o mercado e apostar no que está em falta, investir num segmento comercial que, mesmo apesar de vária concorrência, é rentável e/ou, entre outras, apresentar um serviço diferente do habitual ao público (consumidor final), são pesquisas e trabalhos de campo que devem ser feitos.
Pedro Ferreira
Na ilha Terceira, o negócio da fotografia é dos que menos se queixa, apesar do desenvolvimento das novas tecnologias e da concorrência, que não sendo muito é sempre um perigo iminente para quem já está no ramo.
Os empresários que já estão no terreno, com os seus investimentos feitos, não aconselham ninguém a enveredar pelo negócio da fotografia actual.
Poderá ser uma forma de evitar eventuais novos concorrentes, mas para tal existem vários motivos justificativos: o surgimento da era digital, onde uma máquina fotográfica está ao alcance de qualquer pessoa com computador em casa; os elevados custos para a aquisição dos equipamentos necessários à montagem de um estúdio de revelação e a própria disponibilidade do fotografo para estar no momento certo à hora exacta, são pesos a ter em conta quanto se pretende avançar para tal negócio.
Isabel Costa das empresas Foto Iris e Fotaçor, com lojas nos dois centros urbanos da ilha Terceira, afirma que “o negócio quebrou de forma significativa”, quanto as máquinas digitais começaram a chegar aos Açores.
Na altura era o último grito da moda (era chique ter uma máquina digital) e as pessoas, com computador em casa, tratavam, à posteriori, da própria revelação caseira das fotos.
Todavia, este é um processo dispendioso e, por vezes, incómodo. Os “fotógrafos nos tempos livres” perceberam esses factos e, segundo nos salienta a nossa interlocutora, “nos últimos tempos as pessoas têm vindo às lojas para proceder à revelação das fotos, até porque é mais barato e lá em casa, na maioria das vezes, não se vai levar os convidados para a frente de um computador para ver as fotos”.
Aliás, “sai mais em conta fazer a revelação nas lojas da especialidade, uma vez que agora que os rolos estão a ser substituídos pelos cartões de memória as pessoas revelam só as fotos que pretendem”, frisou Isabel Costa.
No mercado vai já para duas décadas, os responsáveis pela Foto Iris afirmam que, actualmente, “está-se a entrar num nova era, em que as pessoas já querem outro tipo de serviço”. Por exemplo, diz-nos Isabel Costa, “tem-se registado, nos últimos tempos, um aumento da procura pela fotografia de estúdio”.
Isto é, cada vez mais as pessoas têm procurado, para além dos serviços base de fotos tipo passe e similares, fazer fotografias de família ou “os jovens que já gostam de fazer um book”, etc.
Nestas coisas da fotografia existem, no entanto, serviços que nunca deixam de ser rentáveis: casamentos, baptizados, festas e “paisagens”. Em maior número, hoje em dia, já se procura muito um “boa foto de paisagens, não só os turistas que levam para recordação, mas, também, os terceirenses”.
Quanto à concorrência, que até não é muita, mas interessante para a dimensão territorial e populacional, Isabel Costa remata que “ainda vai havendo serviços para todos”, até porque existe sempre algo que diferencia umas lojas das outras.
Gabriel Alves apostou nos toiros
Gabriel Alves Vieira, mais conhecido no meio terceirense por Foto Gabriel, tem apostado nos últimos anos por uma outra vertente do negócio. Considerando que “o negócio já foi mais rentável” e que, por isso, “o profissional tem que se adaptar às novas realidades e exigências do público”, este empresário salienta que teve que “passar a ver a fotografia de outra forma”, desde que a era digital chegou às ilhas.
“Foi preciso parar e pensar... ver a fotografia de outra forma: o que é que o cliente mais procura?; que tipo de serviço tem mais saída?”, foram algumas das análises que tiveram de ser feitas.
Sem margem para dúvidas os casamentos são dos serviços mais lucrativos, “pois o profissional sabe que vai estar um dia inteiro a trabalhar, mas que no fim será recompensado”.
Todavia, é com os toiros que Foto Gabriel se tem destacado e não só através dos registos fotográficos. Vídeo e DVD tem sido uma nova aposta, ganha por sinal. Aliás, o sucesso e a saída têm sido tantas que Gabriel Alves Vieira confirma o ultimar da mais recente produção, que está a ser concebida em Lisboa: “quatro horas de filme com os melhores momentos das touradas à corda terceirenses e, também, para o sistema americano de DVD”.
Em troca de uma horas de adrenalina no cimo de um poste, para captar as famosas “marradas”, o fotógrafo colabora com as comissões de festas ou organizadoras das touradas com algo que esteja dentro das capacidades: “uma foto, uma cassete, uma percentagem para a festa do próximo ano” ou até, como já aconteceu, juntamente com outros colegas da área, “comprar duas gaiolas para oferecer a uma ganadeiro que então não as tinha”.
Este empresário, assume, por fim, que “as novas máquinas também ajudam os fotógrafos no seu trabalho”, mas salienta que “parte do seu sucesso, se assim se pode chamar, se fica a dever a uma aposta forte em outros mercados que não o terceirense e açoriano”.
Foto Corvelo há 30 anos
Dos mais antigos negócios de fotografia na Terceira, já lá vão praticamente trinta anos, a Fotografia Corvelo, a par dos restantes empresários do sector, sentiu uma ligeira quebra de rendimentos, na introdução da era digital.
Porém, segundo Maria Vielmina, responsável pela loja, os serviços que nunca passam de moda vão assegurando o investimento (casamentos e festas, essencialmente).
Segundo a nossa interlocutora, um serviço muito na moda, mas que “não se paga na totalidade é a recuperação de fotos antigas”, isto porque, “o processo de recuperação é muito moroso e relativamente dispendioso”, mas, no final, é apenas cobrado ao cliente um preço praticamente simbólico pelo trabalho.
Realçando que o investimento no sector é muito caro, Maria Vielmina apontou mesmo à nossa reportagem o valor de 60 mil euros, acrescidos dos juros bancários do empréstimos, como o custo de uma normal máquina de revelação de rolos fotográficos.
Quanto à concorrência, “apertou de há uns anos esta parte, mas ainda vai havendo serviço para todos”.
FOTOGRAFIA NA TERCEIRA
Um negócio de famílias
Na ilha Terceira, de um modo geral, e salvo raras excepções, o negócio das fotografias é um negócio de família. Vários são já os estabelecimentos comerciais dedicados ao sector que já estão a ser trabalhados e geridos por segunda e terceiras gerações.
Fotografia Corvelo, Foto Iris, O Fotógrafo, entre outras, são lojas da especialidade que passam, actualmente, pelas mãos dos filhos e netos dos seus fundadores.
“É algo que vem quase no sangue”, diz Foto Gabriel. A influência dos mais velhos juntos dos seus descendentes fazem com que o negócio vá passando de “dinastia em dinastia”, o que não deixa de ser curioso.
Nalguns casos a aptidão para a fotografia, noutros porque algo de histórico lhes fez seguir com o negócio dos avós e pais, fazem com que o sector pareça estar aí, ainda, para as curvas.

Pedro Ferreira
Na ilha Terceira, o negócio da fotografia é dos que menos se queixa, apesar do desenvolvimento das novas tecnologias e da concorrência, que não sendo muito é sempre um perigo iminente para quem já está no ramo.
Os empresários que já estão no terreno, com os seus investimentos feitos, não aconselham ninguém a enveredar pelo negócio da fotografia actual.
Poderá ser uma forma de evitar eventuais novos concorrentes, mas para tal existem vários motivos justificativos: o surgimento da era digital, onde uma máquina fotográfica está ao alcance de qualquer pessoa com computador em casa; os elevados custos para a aquisição dos equipamentos necessários à montagem de um estúdio de revelação e a própria disponibilidade do fotografo para estar no momento certo à hora exacta, são pesos a ter em conta quanto se pretende avançar para tal negócio.
Isabel Costa das empresas Foto Iris e Fotaçor, com lojas nos dois centros urbanos da ilha Terceira, afirma que “o negócio quebrou de forma significativa”, quanto as máquinas digitais começaram a chegar aos Açores.
Na altura era o último grito da moda (era chique ter uma máquina digital) e as pessoas, com computador em casa, tratavam, à posteriori, da própria revelação caseira das fotos.
Todavia, este é um processo dispendioso e, por vezes, incómodo. Os “fotógrafos nos tempos livres” perceberam esses factos e, segundo nos salienta a nossa interlocutora, “nos últimos tempos as pessoas têm vindo às lojas para proceder à revelação das fotos, até porque é mais barato e lá em casa, na maioria das vezes, não se vai levar os convidados para a frente de um computador para ver as fotos”.
Aliás, “sai mais em conta fazer a revelação nas lojas da especialidade, uma vez que agora que os rolos estão a ser substituídos pelos cartões de memória as pessoas revelam só as fotos que pretendem”, frisou Isabel Costa.
No mercado vai já para duas décadas, os responsáveis pela Foto Iris afirmam que, actualmente, “está-se a entrar num nova era, em que as pessoas já querem outro tipo de serviço”. Por exemplo, diz-nos Isabel Costa, “tem-se registado, nos últimos tempos, um aumento da procura pela fotografia de estúdio”.
Isto é, cada vez mais as pessoas têm procurado, para além dos serviços base de fotos tipo passe e similares, fazer fotografias de família ou “os jovens que já gostam de fazer um book”, etc.
Nestas coisas da fotografia existem, no entanto, serviços que nunca deixam de ser rentáveis: casamentos, baptizados, festas e “paisagens”. Em maior número, hoje em dia, já se procura muito um “boa foto de paisagens, não só os turistas que levam para recordação, mas, também, os terceirenses”.
Quanto à concorrência, que até não é muita, mas interessante para a dimensão territorial e populacional, Isabel Costa remata que “ainda vai havendo serviços para todos”, até porque existe sempre algo que diferencia umas lojas das outras.
Gabriel Alves apostou nos toiros
Gabriel Alves Vieira, mais conhecido no meio terceirense por Foto Gabriel, tem apostado nos últimos anos por uma outra vertente do negócio. Considerando que “o negócio já foi mais rentável” e que, por isso, “o profissional tem que se adaptar às novas realidades e exigências do público”, este empresário salienta que teve que “passar a ver a fotografia de outra forma”, desde que a era digital chegou às ilhas.
“Foi preciso parar e pensar... ver a fotografia de outra forma: o que é que o cliente mais procura?; que tipo de serviço tem mais saída?”, foram algumas das análises que tiveram de ser feitas.
Sem margem para dúvidas os casamentos são dos serviços mais lucrativos, “pois o profissional sabe que vai estar um dia inteiro a trabalhar, mas que no fim será recompensado”.
Todavia, é com os toiros que Foto Gabriel se tem destacado e não só através dos registos fotográficos. Vídeo e DVD tem sido uma nova aposta, ganha por sinal. Aliás, o sucesso e a saída têm sido tantas que Gabriel Alves Vieira confirma o ultimar da mais recente produção, que está a ser concebida em Lisboa: “quatro horas de filme com os melhores momentos das touradas à corda terceirenses e, também, para o sistema americano de DVD”.
Em troca de uma horas de adrenalina no cimo de um poste, para captar as famosas “marradas”, o fotógrafo colabora com as comissões de festas ou organizadoras das touradas com algo que esteja dentro das capacidades: “uma foto, uma cassete, uma percentagem para a festa do próximo ano” ou até, como já aconteceu, juntamente com outros colegas da área, “comprar duas gaiolas para oferecer a uma ganadeiro que então não as tinha”.
Este empresário, assume, por fim, que “as novas máquinas também ajudam os fotógrafos no seu trabalho”, mas salienta que “parte do seu sucesso, se assim se pode chamar, se fica a dever a uma aposta forte em outros mercados que não o terceirense e açoriano”.
Foto Corvelo há 30 anos
Dos mais antigos negócios de fotografia na Terceira, já lá vão praticamente trinta anos, a Fotografia Corvelo, a par dos restantes empresários do sector, sentiu uma ligeira quebra de rendimentos, na introdução da era digital.
Porém, segundo Maria Vielmina, responsável pela loja, os serviços que nunca passam de moda vão assegurando o investimento (casamentos e festas, essencialmente).
Segundo a nossa interlocutora, um serviço muito na moda, mas que “não se paga na totalidade é a recuperação de fotos antigas”, isto porque, “o processo de recuperação é muito moroso e relativamente dispendioso”, mas, no final, é apenas cobrado ao cliente um preço praticamente simbólico pelo trabalho.
Realçando que o investimento no sector é muito caro, Maria Vielmina apontou mesmo à nossa reportagem o valor de 60 mil euros, acrescidos dos juros bancários do empréstimos, como o custo de uma normal máquina de revelação de rolos fotográficos.
Quanto à concorrência, “apertou de há uns anos esta parte, mas ainda vai havendo serviço para todos”.
FOTOGRAFIA NA TERCEIRA
Um negócio de famílias
Na ilha Terceira, de um modo geral, e salvo raras excepções, o negócio das fotografias é um negócio de família. Vários são já os estabelecimentos comerciais dedicados ao sector que já estão a ser trabalhados e geridos por segunda e terceiras gerações.
Fotografia Corvelo, Foto Iris, O Fotógrafo, entre outras, são lojas da especialidade que passam, actualmente, pelas mãos dos filhos e netos dos seus fundadores.
“É algo que vem quase no sangue”, diz Foto Gabriel. A influência dos mais velhos juntos dos seus descendentes fazem com que o negócio vá passando de “dinastia em dinastia”, o que não deixa de ser curioso.
Nalguns casos a aptidão para a fotografia, noutros porque algo de histórico lhes fez seguir com o negócio dos avós e pais, fazem com que o sector pareça estar aí, ainda, para as curvas.
+ Informações:
Fonte: A União
Data: 2006-07-29 15:34:51
Visualizações: 287
Data: 2006-07-29 15:34:51
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