Até ao Final do Ano - Buraco do Cantagalo ou é pago ou vendido
Há negócios que dão para o torto e há negócios que dão buraco. É o caso concreto da construção do Hotel Marina, na encosta do Cantagalo, em Angra do Heroísmo.
O que supostamente deveria ter dado lugar a uma unidade hoteleira de quatro estrelas e mais de 200 camas, ainda, não serviu para mais do que depósito da falta de civismo de alguns terceirenses.

Estabelecido contrato em 2002, entre a autarquia angrense, então presidida pelo socialista Sérgio Ávila, e o grupo empresarial Gestisol, propriedade do empresário algarvio Fernando Barata, o buraco abriu-se, mas ainda não se fechou e, ao que parece, a fechar-se não mais será pelo empresário que primeiramente comprou os terrenos.
Com direito a uma bonificação de 15 por cento (por ser um dos grandes grupos hoteleiros nacionais), tal como a Câmara Municipal de Angra fez constar do caderno de encargos do concurso para a venda do terreno do Cantagalo, a intenção (muito contestada na altura) visava, pura e simplesmente, que quem ficasse com o terreno tivesse a capacidade de executar a obra “dentro dos prazos fixados no procedimento público”.
Recorrendo aos nosso arquivos, encontramos uma declaração do então autarca de Angra que afirmava: “Não queremos que aconteça com o Cantagalo uma situação semelhante à da Quinta do Caracol, em que o processo se arrastou por vários anos com a falência da empresa que comprou os terrenos”.
Ora, neste caso concreto não houve falência da Gestisol, mas, também, não se conseguiu o que se pretendia: cumprir os prazos estabelecidos.
Com a contestação dos empresários do sector no arquipélago, uma vez que para se obter a tal bonificação de 15 pontos percentuais se teria de apresentar um grupo hoteleiro com mais de duas mil camas para oferta, o certo é que o procedimento público para venda dos terrenos foi avante, mediante um preço base de 673,5 mil euros.
Outra das condições interpostas pelo vendedor/município prendia-se com o facto de a empresa vencedora ter de fazer prova de estar associada na modalidade de consórcio externo, em regime de responsabilidade solidária.
Para além disso, solicitavam-se os normais documentos/habilitações de qualificação para gestão da unidade hoteleira.
Os principais critérios de adjudicação eram os seguintes, a partir do preço base de 673,5 mil euros: preço oferecido pelo terreno (40 por cento), valia técnica da proposta de gestão hoteleira (40 por cento) e prazo para início da exploração da unidade hoteleira (20 por cento).
E o vencedor foi...
O vencedor viria a ser o grupo empresarial de Fernando Barata que com uma proposta de 750 mil euros arrematou os quase 12 mil metros quadrados de área total.
Depois, começaram a surgir os anúncios de conclusão da obra: em 2004, estaria pronto o hotel de 220 camas, 88 quartos e 12 suites, piscina interior, ginásio, health club, sala de reuniões, bares e restaurante panorâmico. Eram mais de cinco milhões de euros.
De acordo com os estudos prévios, elaborados por iniciativa da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, o edifício viria a ser distribuído por nove pisos, um dos quais subterrâneo, ficando a fachada laminada, integrada na paisagem.
Para além da unidade hoteleira, o projecto englobava, também, o loteamento para a construção de sete habitações que, segundo se anunciou, viriam a obedecer às características das construções do antigo bairro dos pescadores, da década de 50 do século passado.
Cinco anos depois
Passaram os anos e com eles os anúncios e, agora, nem hotel, nem nada que se pareça à vista.
Ao longo dos últimos anos, vários foram os potenciais interessados em ficar com o “buraco” do Cantagalo, como já é conhecido por entre os angrenses o projecto do hotel.
Inclusivamente chegaram ao conhecimento da autarquia, agora liderada pelo socialista José Pedro Cardoso, projectos para a edificação no local de um lar de idosos com diversas valências, entre elas espaços reservados para a infância e início de juventude.
Mas as autoridades querem um hotel. Fernando Barata veio lançar a primeira pedra e gabar as potencialidades da Terceira. Só que, mais uma vez, nada.
Agora eram as fundações. Projectos e mais projectos e os prazos estão a terminar sem que o projecto tenha sido concretizado.
Tentando junto de empresários locais parcerias para a realização das obras, mas sem sucesso, o grupo Gestisol acabou por decidir não falar mais sobre o caso e a própria Câmara Municipal já anseia pelo findar dos prazos estabelecidos para que possa vender, novamente, os terrenos a quem queira construir.
Interesses ilhéus e continentais
Segundo declarações recentes do edil angrense, existem vários empresários da ilha e do Continente, alegadamente, interessados em avançar para a construção do Hotel, mas a visão empresarial dos tempos de crise levam a que mais depressa de desinvista do que se invista.
Aliás, dois bons exemplos: a Pousada do Castelinho, inaugurada recentemente, vai fechar durante a época baixa, ou seja, durante o Inverno (ficamos na mesma); o projecto que chegou a ser apresentado pelo grupo ASTA Atlântida, para a edificação de um Aparthotel nos Celeiros, foi algo que não chegou a passar de projecto, já que os investidores analisaram os dados estatísticos e concluíram que na Terceira, para já, o Turismo é algo pouco atractivo.
Segundo justificação oficial, até final do ano, o empresário algarvio terá de pagar a segunda tranche, isto é, 50 por cento dos 750 mil euros acordados. Se pagar, terá mais um ano para começar a construir, caso contrário arranja-se quem queira investir no local, através de rescisão contratual. Até lá, o buraco está a denegrir a imagem de uma baía histórica. Já lá diz o nosso povo que, de quando em vez, se fazem uns “negócios da China”.

Estabelecido contrato em 2002, entre a autarquia angrense, então presidida pelo socialista Sérgio Ávila, e o grupo empresarial Gestisol, propriedade do empresário algarvio Fernando Barata, o buraco abriu-se, mas ainda não se fechou e, ao que parece, a fechar-se não mais será pelo empresário que primeiramente comprou os terrenos.
Com direito a uma bonificação de 15 por cento (por ser um dos grandes grupos hoteleiros nacionais), tal como a Câmara Municipal de Angra fez constar do caderno de encargos do concurso para a venda do terreno do Cantagalo, a intenção (muito contestada na altura) visava, pura e simplesmente, que quem ficasse com o terreno tivesse a capacidade de executar a obra “dentro dos prazos fixados no procedimento público”.
Recorrendo aos nosso arquivos, encontramos uma declaração do então autarca de Angra que afirmava: “Não queremos que aconteça com o Cantagalo uma situação semelhante à da Quinta do Caracol, em que o processo se arrastou por vários anos com a falência da empresa que comprou os terrenos”.
Ora, neste caso concreto não houve falência da Gestisol, mas, também, não se conseguiu o que se pretendia: cumprir os prazos estabelecidos.
Com a contestação dos empresários do sector no arquipélago, uma vez que para se obter a tal bonificação de 15 pontos percentuais se teria de apresentar um grupo hoteleiro com mais de duas mil camas para oferta, o certo é que o procedimento público para venda dos terrenos foi avante, mediante um preço base de 673,5 mil euros.
Outra das condições interpostas pelo vendedor/município prendia-se com o facto de a empresa vencedora ter de fazer prova de estar associada na modalidade de consórcio externo, em regime de responsabilidade solidária.
Para além disso, solicitavam-se os normais documentos/habilitações de qualificação para gestão da unidade hoteleira.
Os principais critérios de adjudicação eram os seguintes, a partir do preço base de 673,5 mil euros: preço oferecido pelo terreno (40 por cento), valia técnica da proposta de gestão hoteleira (40 por cento) e prazo para início da exploração da unidade hoteleira (20 por cento).
E o vencedor foi...
O vencedor viria a ser o grupo empresarial de Fernando Barata que com uma proposta de 750 mil euros arrematou os quase 12 mil metros quadrados de área total.
Depois, começaram a surgir os anúncios de conclusão da obra: em 2004, estaria pronto o hotel de 220 camas, 88 quartos e 12 suites, piscina interior, ginásio, health club, sala de reuniões, bares e restaurante panorâmico. Eram mais de cinco milhões de euros.
De acordo com os estudos prévios, elaborados por iniciativa da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, o edifício viria a ser distribuído por nove pisos, um dos quais subterrâneo, ficando a fachada laminada, integrada na paisagem.
Para além da unidade hoteleira, o projecto englobava, também, o loteamento para a construção de sete habitações que, segundo se anunciou, viriam a obedecer às características das construções do antigo bairro dos pescadores, da década de 50 do século passado.
Cinco anos depois
Passaram os anos e com eles os anúncios e, agora, nem hotel, nem nada que se pareça à vista.
Ao longo dos últimos anos, vários foram os potenciais interessados em ficar com o “buraco” do Cantagalo, como já é conhecido por entre os angrenses o projecto do hotel.
Inclusivamente chegaram ao conhecimento da autarquia, agora liderada pelo socialista José Pedro Cardoso, projectos para a edificação no local de um lar de idosos com diversas valências, entre elas espaços reservados para a infância e início de juventude.
Mas as autoridades querem um hotel. Fernando Barata veio lançar a primeira pedra e gabar as potencialidades da Terceira. Só que, mais uma vez, nada.
Agora eram as fundações. Projectos e mais projectos e os prazos estão a terminar sem que o projecto tenha sido concretizado.
Tentando junto de empresários locais parcerias para a realização das obras, mas sem sucesso, o grupo Gestisol acabou por decidir não falar mais sobre o caso e a própria Câmara Municipal já anseia pelo findar dos prazos estabelecidos para que possa vender, novamente, os terrenos a quem queira construir.
Interesses ilhéus e continentais
Segundo declarações recentes do edil angrense, existem vários empresários da ilha e do Continente, alegadamente, interessados em avançar para a construção do Hotel, mas a visão empresarial dos tempos de crise levam a que mais depressa de desinvista do que se invista.
Aliás, dois bons exemplos: a Pousada do Castelinho, inaugurada recentemente, vai fechar durante a época baixa, ou seja, durante o Inverno (ficamos na mesma); o projecto que chegou a ser apresentado pelo grupo ASTA Atlântida, para a edificação de um Aparthotel nos Celeiros, foi algo que não chegou a passar de projecto, já que os investidores analisaram os dados estatísticos e concluíram que na Terceira, para já, o Turismo é algo pouco atractivo.
Segundo justificação oficial, até final do ano, o empresário algarvio terá de pagar a segunda tranche, isto é, 50 por cento dos 750 mil euros acordados. Se pagar, terá mais um ano para começar a construir, caso contrário arranja-se quem queira investir no local, através de rescisão contratual. Até lá, o buraco está a denegrir a imagem de uma baía histórica. Já lá diz o nosso povo que, de quando em vez, se fazem uns “negócios da China”.
+ Informações:
Fonte: www.auniao.com
Autor: Pedro Ferreira
Data: 2006-10-18 10:19:35
Visualizações: 96
Autor: Pedro Ferreira
Data: 2006-10-18 10:19:35
Visualizações: 96
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