Veraçor
Mulheres açorianas com acesso à interrupção voluntária da gravidez
As mulheres açorianas vão ter o mesmo tipo de apoio na decisão de interromper ou não a gravidez, nos termos da lei, independentemente da ilha em que vivam, sendo certo que as eventuais interrupções do processo de gravidez só serão realizadas onde houver, entre outras exigências, um serviço de ginecologia/obstetrícia, o que, actualmente, limita essa possibilidade aos três hospitais da Região.

O esclarecimento foi feito esta tarde, em Angra do Heroísmo, pelo secretário regional dos Assuntos Sociais, Domingos Cunha, reagindo a interrogações públicas “que demonstram o desconhecimento da realidade do Serviço Regional de Saúde” por parte do líder do PSD.

“Tal como assegurou, perante o resultado do referendo, no próprio dia, o presidente do Governo, garantimos que todas as mulheres que, conscientemente, pretendam interromper voluntariamente a gravidez”, nos termos previstos na lei, “terão acesso condigno aos serviços tecnicamente habilitados existentes, ou que venham a existir, no Serviço Regional de Saúde”, reiterou.

Domingos Cunha disse, também, que a Região acompanhará toda a legislação nacional sobre a matéria e que será feito tudo o que for necessário para que “qualquer mulher, em cada uma das ilhas da Região, tenha o mesmo direito e lhe sejam assegurados os mesmos cuidados no âmbito da legislação que venha a entrar em vigor.

Desde já, anunciou, as mulheres das ilhas onde não haja hospital, que pretendam provocar a interrupção da gravidez vão ser acompanhadas, numa primeira fase, por uma equipa composta por um médico, um assistente social e um psicólogo, que com ela analisará os prós e os contras dessa decisão ou da decisão contrária.

Caso a mulher insista em avançar com o processo de interrupção, será encaminhada para um hospital, onde voltará a ser acompanhada por uma destas equipas pluridisciplinares, incluindo um obstetra, dispondo depois de três dias para amadurecer a sua decisão.

A deslocação inter-ilhas das mulheres nesta situação realizar-se-á nos mesmos moldes que actualmente enquadram as deslocações de qualquer utente do Serviço Regional de Saúde.

Por outro lado, o secretário regional dos Assuntos Sociais garantiu que a realização da interrupção voluntária da gravidez, nos termos legais, em nada vai interferir com o normal funcionamento dos serviços de saúde, nomeadamente dos hospitais da Região, e que não agravará as actuais listas de esperas para actos médicos.

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Fonte: GaCS/FA
Autor: Maria da Conceição Oliveira
Data: 2007-03-08 16:38:58
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