Mulheres dão cor às maiores festas religiosas das ilhas
"Este ano o tema da decoração floral do coro baixo da igreja será o arquipélago dos Açores e era bom que todas as ilhas se sentissem representadas", afirmou Monsenhor Agostinho Tavares.


Durante estes dias, cerca de vinte mulheres não têm mãos a medir para engalanar o Santuário do Santo Cristo com milhares de flores que chegam de várias partes do mundo para as maiores festas religiosas dos Açores.

"Nestes dias da festa não contabilizo as horas de trabalho, nem o número e a variedade de flores que recebemos", afirmou à agência Lusa Maria Luísa, que há 18 anos ajuda as religiosas do Convento da Esperança a receber e fazer arranjos florais.

Durante o resto do ano, esta tarefa implica uma dedicação de quatro a cinco horas por semana para enfeitar o coro baixo da igreja onde está a imagem do Santo Cristo, mas nas semanas antes das festividades, que este ano decorrem este fim-de-semana, Maria Luísa disse à Lusa que perde a noção do tempo que despende nesta actividade.

Começou a colaborar por mero acaso, quando perguntou à irmã Beatriz se precisava de ajuda na decoração da Igreja e, desde a chegada do Monsenhor Agostinho Tavares ao Santuário, que assumiu a responsabilidade de pensar e executar os arranjos florais.

Desde 1700, que se realiza em Maio, em São Miguel, a procissão em honra do Santo Cristo dos Milagres, que percorre um trajecto de vários quilómetros que ainda inclui a passagem pelos antigos conventos da cidade, recolhimentos e algumas igrejas paroquiais de Ponta Delgada.

Ao longo de mais de três séculos, os festejos religiosos iniciados por madre Teresa d´Anunciada, têm vindo a ganhar dimensão, atraindo a Ponta Delgada milhares de pessoas das outras ilhas e emigrantes dos Estados Unidos, Canadá e Brasil.

Nos dias que antecedem o início das celebrações religiosas, junta-se um grupo voluntário de quinze a vinte mulheres para enfeitar o Santuário, uma vez que, de ano para ano, chegam cada vez "flores mais ricas" de várias partes do mundo, mas também há quem ofereça uma simples flor do campo, explicou.

"Não fazemos distinções, nem o registo das flores entregues, pois são milhares nesta altura do ano", afirmou Maria Luísa, ao mesmo tempo que colocava, sem luvas e com um corte certeiro, as flores em recipientes com água.

Com quase vinte anos de experiência, Maria Luísa reconhece que "há muitas situações para as quais não há explicação possível", como no ano em que manifestava a uma religiosa a sua preocupação pela falta de flores amarelas, na mesma altura em que entrou no convento uma mulher com a quantidade exacta de flores desta cor.

Durante a festa, não pode faltar no altar junto ao Santo Cristo os amores-perfeitos, uma tradição que era mantida por famílias ricas da ilha, e que hoje está a cargo da Presidência do Governo, que recolhe estas flores nos jardins do Palácio de Sant´Ana.

Ainda hoje há pessoas que cultivam flores, especificamente, para entregar ao Santo Cristo e usar nos tapetes que cobrem as ruas por onde passa a procissão de domingo da festa.

Para este ano, o reitor do Santuário da Esperança apelou ao envio de flores com as cores representativas das nove ilhas, para engalanar a festa do Santo Cristo dos Milagres, que ocorre há 307 anos.

"Este ano o tema da decoração floral do coro baixo da igreja será o arquipélago dos Açores e era bom que todas as ilhas se sentissem representadas", afirmou à Lusa Monsenhor Agostinho Tavares, que há 15 anos dirige o Santuário da Esperança, a quem está confiada a imagem do "Ecce Homo".

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Fonte: www.da.online.pt
Data: 2007-05-11 13:20:32
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