Veraçor
Emprego - Açores desperdiçam mais de metade das ofertas laborais
Dados oficiais revelam que só 44% dos empregos publicitados nos Açores são ocupados. Apesar de a taxa de desemprego ter subido para os 4,7% no primeiro trimestre, o número de desempregados têm baixado ao longo deste ano. Licenciados também são afectados, mas menos de 5% dos trabalhadores por conta de outrém da Terceira têm formação superior. Face à crise, o rendimento social de inserção já abrange mais de 18 mil açorianos, com um valor médio de 236,9 euros mensais por família.


Nos tempos que correm, encontrar emprego não é tarefa fácil. Ainda assim, muitas oportunidades de trabalho são desperdiçadas. De acordo com o Boletim Estatístico do Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social, em Maio deste ano, só cinco em cada 10 ofertas de trabalho resultavam em colocação.

Percentagem que desce para os 44% nos Açores, a segunda mais baixa de todo o País. Situação contrária aos meses de Março e Abril, em que as ilhas tiveram um aproveitamento das oportunidades de emprego (69,4% e 53,25) dos mais altos entre todas as regiões e acima da média nacional: 53,5% e 52%. Curiosamente, a taxa de colocações têm variado ao longo deste ano, mas a oferta de postos de trabalho têm-se mantido relativamente estável desde Janeiro.

Nesse mês, estavam publicitados 142 empregos, só menos dois que os 144 disponibilzados em Maio. Significativo é que a taxa de pedidos de emprego tenha caído mais de 50% no mesmo período.

Ou seja, em Janeiro, a Segurança Social recebeu 888 pedidos de desempregados açorianos contra os 420 de Maio. Uma queda progressiva ao longo dos meses (561 em Fevereiro e 519 em Março) e que só foi quebrada em Abril: 580.

Desemprego diminui 11%

Apesar das ofertas de trabalho que não são ocupadas – o que pode ser explicado pela especificidade do posto ou pela falta de formação adequada dos candidatos, entre outras razões – o desemprego desceu 11,1% nos Açores desde o início do ano.

Segundo os dados oficiais, 3866 açorianos estavam desempregados em Maio, menos 483 que os 4349 registados em Janeiro.

Ainda assim, a taxa de desemprego subiu para os 4,7% no primeiro trimestre deste ano, mais 0,7 pontos percentuais do que nos últimos três meses de 2006 e mais 0,5 pontos do que no primeiro trimestre do ano passado.

Nas duas comparações, a região têm dos aumentos menos acentuados do País, mantendo a taxa mais baixa entre todas as regiões. A nível nacional, 397 482 pessoas estavam desempregadas em Maio, das quais 30 768 ainda estavam à procura do primeiro emprego. Numa época em que a importância da formação superior é constantemente enaltecida, não deixa de ser relevante que 36 025 portugueses com um bacharelato ou uma licenciatura estejam desempregados.

Mas são as pessoas com o 1.º ciclo de escolaridade que constituem o maior grupo de desempregados (129 416), seguidos do 2.º (74 889) e 3.º ciclos (70 737). Números que não surpreendem, uma vez que, segundo uma análise da Marktest, em 2003, 96% dos 308 municípios portugueses tinham uma percentagem de trabalhadores por conta de outrem com formação superior abaixo dos 10%.

Mais do que isso, quase metade dos concelhos (48,4%) tinham menos de 5% de funcionários bacharéis ou licenciados. É neste grupo que estão todas as autarquias dos Açores, à excepção de Ponta Delgada, que ocupa o segundo nível.

18 mil recebem rendimento mínimo

Para colmatar a falta de trabalho, 277 928 portugueses recebiam subsídio de desemprego em Maio deste ano, menos 20 mil pessoas do que em Janeiro. Situação contrária ao rendimento social de inserção, que, em igual período, passou de 267 729 beneficiários para 293 773.

Também os Açores acompanharam esta tendência de subida (17 274 beneficiários em Janeiro e 18 011 em Maio), apesar de o número de famílias abrangidas ter diminuído em relação a Março e Abril.

Contas feitas, em Maio, cada agregado familiar açoriano abrangido com este subsídio recebia 236,9 euros por mês, mais do que os 224,7 euros de média nacional.

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Fonte: www.auniao.com
Autor: João Moniz
Data: 2007-08-20 11:11:33
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