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Velejador parte dos Açores para segunda viagem de volta ao mundo
O velejador açoriano Genuíno Madruga parte amanhã da ilha do Pico para a sua segunda viagem de circum-navegação, com 200 quilos de livros sobre o arquipélago e roupa para crianças desfavorecidas na bagagem.


Genuíno Madruga, um pescador de 57 anos, está a poucos dias de largar sozinho das Lajes do Pico a bordo do "Hemingway", um iate de 11 metros com que já deu uma volta ao mundo há cerca de cinco anos.

Na bagagem, o aventureiro leva mantimentos para passar cinco a seis meses sem ir a terra, mas também 200 quilos de livros sobre os Açores para distribuir pelos locais onde vai passar.

Numa viagem que considera de saudade, destinada a fazer contactos com pessoas que conheceu na primeira aventura, Genuíno Madruga assume também um espírito de missão e de ajuda para com os mais necessitados.

O velejador, o primeiro açoriano a completar uma viagem de circum-navegação, está a recolher roupas para distribuir pelas crianças de Cabo Verde, onde vai efectuar a sua primeira escala.

"Eu já passei em Cabo Verde. Conheço a realidade que lá se vive e sei qual é o valor que uns calções ou uma t-shirt, embora usados, têm naquelas ilhas", disse à agência Lusa.

Os porões do seu barco vão carregados de água, "a única bebida" permitida a bordo - como o próprio faz questão de frisar - lembrando que "a segurança é um aspecto muito importante da viagem".

A poucos dias da partida, Genuíno Madruga não esconde algum nervoso miudinho, natural para quem se prepara para uma longa viagem e não se quer esquecer de nada, nem mesmo dos pormenores que fazem a diferença.

"Há sempre coisas para se fazer e, das duas uma, ou se fazem, ou seguimos assim mesmo", admite com alguma ironia, quando questionado sobre os preparativos da viagem.

Em declarações à Lusa, o velejador, explica que o dia e o local da partida para esta segunda aventura coincidem com a regata de botes baleeiros, integrada nos maiores festejos do concelho das Lajes do Pico, a "Semana dos Baleeiros".

"Será a minha homenagem a todos aqueles que, um dia, fizeram da caça ao cachalote um meio de vida", sublinhou Genuíno Madruga, que espera que muitos "homens do mar" estejam no porto da vila para o ver partir.

Garante que não parte com a "ilusão de outras paragens", porque entende que os Açores são "ilhas únicas no mundo", que oferecem "óptimas condições de vida". "Vou apenas tentar fazer aquilo que fez um grande amigo meu, infelizmente já falecido, Marcel Bardiaux, que passou quatro vezes pelo Cabo Horn sempre sozinho", recorda Genuíno.

Admite que o velejador francês o inspirou a aventurar-se mar fora.

A travessia do Cabo Horn, no extremo sul da América do Sul, constitui, aliás, o principal desafio desta aventura, uma vez que se trata de uma zona de correntes e ventos fortes, de grande instabilidade, que poderá ser agravada pela presença de icebergs.

Como se isso não bastasse, Genuíno Madruga propõe-se fazer o trajecto no sentido contrário ao que é, habitualmente, feito pelos poucos velejadores que ousam passar pelo local, ou seja, contra as correntes e os ventos predominantes.

Tal como aconteceu na primeira viagem à volta do mundo, Genuíno Madruga vai velejar uma embarcação de 11 metros de comprimento, baptizada "Hemingway".

Um iate que adquiriu propositadamente para a realização da primeira volta ao mundo, embora reconheça agora que não é a embarcação ideal para este tipo de viagens.

"Este barco é bom para navegar junto à costa e para fazer umas brincadeiras, mas de modo nenhum para fazer uma viagem destas", refere o velejador, ao admitir que se trata de um "risco acrescido", que mesmo assim está disposto a correr. "Vamos lá a ver se chegamos a bom porto, como se costuma dizer", diz. Após a partida dos Açores, Genuíno Madruga vai passar por Cabo Verde, Brasil, Uruguai e Argentina, seguindo-se a difícil travessia do Cabo Horn. Depois da passagem pelo Chile, o velejador tenciona visitar a ilha de Páscoa, a Polinésia Francesa, Samoa, Fiji, Austrália, Timor, Indonésia, Ilhas Maurícias, Madagáscar, África do Sul e Ilha de Santa Helena, prevendo regressar aos Açores em Maio de 2009, por altura dos festejos em honra do Espírito Santo. Na primeira volta ao Mundo, efectuada entre Outubro de 2000 e Maio de 2002, Genuíno percorreu cerca de 30 mil milhas náuticas, naquela que foi a concretização de um velho sonho que acalentava desde criança. Um feito que o tornou conhecido em todo o mundo e que originou uma série de homenagens de muitas instituições públicas nacionais, regionais e locais. Em Junho de 2003, o velejador foi agraciado pelo então Presidente da República, Jorge Sampaio, com o grau de Comendador da Ordem do Infante D. Henrique. Também a Associação Nacional de Cruzeiros decidiu atribuir o nome de "Troféu Genuíno Madruga" a uma regata para embarcações, tripuladas por apenas um elemento. A Assembleia Legislativa dos Açores e várias câmaras municipais da região, incluindo as do Faial e do Pico, homenagearam também o aventureiro, pela sua bravura enquanto homem do mar.

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Fonte: www.da.online.pt
Data: 2007-08-24 11:15:54
Visualizações: 316

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