Sindicato denuncia “incumprimento” do acordo laboral na Base das Lajes
O SABCES/Açores demonstrou, ontem, a representantes do Governo, em Lisboa, preocupação sobre a redução do número de trabalhadores portugueses na Base das Lajes, que terá diminuído de "cerca de 3200 na década de 70 para os 850 actuais", tendo o sindicato informações que apontam para a dispensa de mais "50 trabalhadores até Setembro".


O incumprimento do acordo laboral na Base das Lajes, e a possibilidade de despedimento de 50 trabalhadores foram algumas denúncias feitas ontem em Lisboa pelo sindicato representativo dos trabalhadores a representantes do Governo.

"Viemos aqui para denunciar vários pontos do acordo laboral que não são cumpridos pelos norte-americanos, que fazem o que querem e bem entendem", disse à Lusa Vítor Silva, dirigente do Sindicato dos Trabalhadores de Alimentação, Bebidas e Similares, Comércio, Escritórios e Serviços dos Açores (SABCES/Açores).

Vítor Silva considerou ainda que o Governo Regional dos Açores "não tem tratado desta matéria como deve ser".

Hélio Sales e Vítor Silva adiantaram que se reuniram com representantes dos ministérios da Defesa e dos Negócios Estrangeiros "sem capacidade de decisão" que serviram apenas para "ouvir as preocupações do sindicato e transmiti-las aos superiores".

Os responsáveis sindicais demonstraram também preocupação sobre a redução do número de trabalhadores portugueses na Base das Lajes, que terá diminuído de "cerca de 3200 na década de 70 para os 850 actuais", tendo o sindicato informações que apontam para a dispensa de mais "50 trabalhadores até final de Setembro".

"Os representantes dos ministérios afirmaram que têm indicação que não vão haver dispensas, mas temos de aguardar por Setembro para ter essa confirmação", disse à Lusa Vítor Silva, no final do encontro com representantes do Governo que durou mais de duas horas.

Vítor Silva frisou ainda que "são vários os pontos" que contrariam o acordo laboral estabelecido com os norte-americanos, entre eles a não aplicação do inquérito salarial desde 1999, que originou uma perda de mais de 13 por cento no vencimento dos portugueses na Ilha Terceira.

"Para além dos vencimentos, há a questão da substituição de trabalhadores portugueses por norte-americanos familiares ou dependentes dos militares, que violam claramente o acordo laboral", acrescentou.

Os responsáveis mostraram ainda o formulário de candidatura para um concurso aberto em Maio deste ano, que permitia a candidatura a todos os americanos e membros de qualquer país da NATO "excepto Portugal".

"Esperamos agora as respostas por parte dos responsáveis dos ministérios, que se comprometeram a tratar destes assuntos na reunião da próxima Comissão Bilateral Permanente do Acordo de Cooperação e Defesa (estabelecido entre Portugal e os Estados Unidos)", concluiu.

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Fonte: www.da.online.pt
Data: 2007-08-24 11:19:01
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