O São Carlos no Teatro Micaelense de 22 a 29 de Setembro 2007
Com o patrocínio do Millennium bcp
22. Setembro 2007 às 21:30h no Salão Nobre do Teatro Micaelense
De Viena à Broadway
Jacques Offenbach
«Barcarole» (da ópera Les Contes d'Hoffmann)
Augusto Machado
«Valsa» (da ópera Lauriane: Final, Acto I)
Johann Strauss II
Lagunen-Walzer, op. 411 [Valsas das Lagoas] (da opereta Eine Nacht in Venedig [Uma Noite em Veneza])
An der schönen blauen Donau, op. 314 [No Belo Danúbio Azul]
Johann Strauss I
Marcha «Radetzky», op. 228
Franz Lehár
«Vilja-Lied» e «Lippen schweigen» (da opereta Die lustige Witwe)
Hoagy Carmichael
Stardust
Cole Porter
Night and Day
Richard Rodgers
«Out Of My Dreams» e «Oklahoma» (do musical Oklahoma!)
John Kander
«New York, New York» (canção tema do filme New York, New York)
«Cabaret» (canção tema do musical Cabaret)
direcção musical Giovanni Andreoli
piano Kodo Yamagishi
Comentários ao programa por Jorge Rodrigues
Coro do Teatro Nacional de São Carlos
maestro titular Giovanni Andreoli
■ 23. a 29. Setembro 2007
Exposições
I. Como se faz uma ópera?
II. Cenários da Ópera
■ 26. Setembro 2007 às 15:00h
Ensaio geral aberto às escolas da ópera L’elisir d’amore
■ Teatro Micaelense (São Miguel, Açores)
28. 29. Setembro 2007 às 21:30h
L’elisir d’amore Gaetano Donizetti
Melodramma giocoso em dois actos. Libreto de Felice Romani segundo o libreto de Eugène Scribe para Le philtre (1831) de Daniel-François-Esprit Auber.
Direcção musical Cesário Costa
Encenação e figurinos Francesco Esposito
Cenografia Alfredo Furiga
Desenho de luz Pedro Martins
Intérpretes
Nemorino
Mário João Alves
Adina
Dora Rodrigues
Dulcamara
Luís Rodrigues
Belcore
Diogo Oliveira
Giannetta
Lara Martins
Orquestra Sinfónica Portuguesa
Coro do Teatro Nacional de São Carlos
maestro titular Giovanni Andreoli
Produção
Teatro Nacional de São Carlos
Textos de Apoio
DE VIENA À BROADWAY
A programação do Teatro Micaelense em parceria com o Teatro Nacional de São Carlos para a semana de 21 a 29 de Setembro inclui um programa especial «De Viena à Broadway». No dia 22 de Setembro o Coro do Teatro Nacional de São Carlos leva ao palco do Micaelense a cadência das valsas dos salões de Viena e o ritmo «jazzy» das grandes canções norte-americanas da Broadway.
De Offenbach, passando por Johann e Josef Strauss, Augusto Machado até Cole Porter e John Kander, o Coro do Teatro Nacional de São Carlos interpreta as mais famosas valsas e musicais, sob a direcção de Giovanni Andreoli. Destaque para a participação de Kodo Yamagishi (piano) e Jorge Rodrigues cujos comentários contribuirão para uma total fruição do programa.
De Jacques Offenbach (1819-1880), grande compositor de operetas – género precursor do conceito moderno de comédia musical para o qual compôs mais de cem obras – o Coro interpreta «Barcarole», um dos números mais conhecidos da obra-prima operática, Les contes d’Hoffmann. «Barcarole» foi incorporado na banda sonora do filme La vita è bella (1997) do realizador e actor italiano, Roberto Benigni.
A ópera romântica Lauriane, do compositor português Augusto Machado não poderia faltar neste programa, representada pelas «Valsas» do Final do Acto I. Lauriane foi estreada no Grand Théâtre de Marseille em 1883, e cativou o público e a crítica, que reconheceu distintas qualidades musicais em Augusto Machado. Pouco mais de um ano após a estreia francesa esta ópera estreou no Teatro de S. Carlos, traduzida para a língua italiana.
Do compositor austríaco, Johann Strauss II (1825-1899), ficarão para sempre as valsas que compôs com especial incidência na valsa O Danúbio Azul. Filho do compositor Johann Strauss I e irmão dos também compositores Josef Strauss e Eduard Strauss, Johann permanece o mais célebre de toda a família Strauss. O imortalizado Rei da Valsa deixou uma opereta que ainda hoje se inscreve na programação dos teatros líricos, Die Fledermaus. No programa a apresentar em Lagos inscrevem-se duas valsas «Lagunen-walzer» [Valsas das Lagoas] e An der schönen blauen Donau, op. 314 ([No Belo Danúbio Azul].
Johann Strauss I (1804-1849) escreveu a ainda hoje muito popular Marcha «Radetzky», op. 228, interpretada frequentemente nas salas de concerto vienenses. Ainda hoje, ao ouvir esta Marcha, o público reage batendo os pés ao ritmo da marcha tal como aconteceu no dia da sua estreia em 1848.
Conhecido principalmente pelo seu legado de operetas, Franz Léhar (1870-1948) deixou a comédia romântica Die lustige Witwe baseada na história de uma viúva rica, Hanna Glawari que tenta arranjar marido. Desde o êxito estrondoso que obteve aquando da estreia, em 1905, esta opereta correu os palcos do mundo inteiro. O Coro do Teatro Nacional de São Carlos interpreta, desta ópera, «Vilja-Lied» e «Lippen schweigen».
Hoagland Howard «Hoagy» Carmichael (1899-1981) foi um compositor e pianista norte-americano celebrizado pela melodia que compôs para a canção Stardust (1927) que se tornou no estandarte daquela que foi nos EUA, a era das Big Band. Posteriormente, grandes nomes do jazz, tais como Louis Armstrong, Artie Shaw, Frank Sinatra, Billie Holiday, Dizzy Gillespie, Nat King Cole, Ella Fitzerald e John Coltrane, gravaram versões desta canção.
Cole Albert Porter (1891-1964) é considerado um dos mais prolíficos compositores do Great American Songbook. Da sua obra destacam-se as comédias musicais Kiss me, Kate, Anything Goes e as canções Night and Day e I’ve got you under my skin, ainda trauteadas pelas gerações de hoje e utilizadas frequentemente na comunicação de publicidade. Em cartaz, no Centro Cultural de Lagos, inclui-se a obra Night and Day do musical Gay Divorce, protagonizado por Fred Astaire na Broadway, em 1932.
Richard Charles Rodgers (1902-1979) foi um dos grandes compositores de comédias musicais trabalhando frequentemente em parceria com Lorenz Hart e Óscar Hammerstein II. Escreveu mais de 900 canções editadas e cerca de 40 musicais para a Broadway. Oklahoma! (1943) foi a primeira peça de teatro musical que compôs com Óscar Hammerstein II. Juntos assinaram as bandas sonoras dos filmes The King and I e The Sound of Music. De Oklahoma!, filme realizado por Fred Zinneman e protagonizado por Gloria Grahame e Gordon McRae, em 1943, destaca-se a interpretação dos números «Out Of My Dreams» e «Oklahoma».
John Harold Kander (n. 1927) compôs uma série absolutamente notável de peças de teatro musicais, muitas vezes em parceria com Fred Ebb, de que é exemplo, o musical Cabaret estreado na Broadway em 1966. Mais recentemente, em 1979, assinou a banda sonora do filme Kramer vs. Kramer.
O filme New York, New York, realizado por Martin Scorcese (1977) e protagonizado por Liza Minnelli e Robert de Niro, viu-se ultrapassado pela glória que atingiu a canção tema do filme da autoria de Kander, especialmente a partir do momento em que foi gravada por Frank Sinatra dois anos depois da saída do filme. Em programa, estão as duas canções tema de New York, New York e Cabaret.
L’elisir d’amore
Gaetano Donizetti
L’elisir d’amore, «melodramma giocoso» em dois actos, com libreto de Felice Romani, foi das poucas óperas de Gaetano Donizetti, juntamente com Don Pasquale e Lucia di Lammermoor, a nunca sair do repertório habitual dos Teatros de ópera durante século e meio.
Apresentada ao público pela primeira vez no Teatro Cannobiana (hoje Teatro Lirico) em Milão, a 12 de Maio de 1832, onde foi recebida com enorme entusiasmo pelo público e com louvores da crítica, L’elisir d’amore estreou em Portugal, no Teatro de S. Carlos, apenas dois anos mais tarde, a 6 de Fevereiro.
Com encenação de Francesco Esposito, que já trabalhou com os mais conceituados nomes da encenação, tais como Pier Luigi Pizzi, Dario Fo ou Luca Ronconi, esta produção conta com um elenco de cantores que participa regularmente nas Temporadas Líricas do Teatro Nacional de São Carlos, nomeadamente, o tenor Mário João Alves, as sopranos Dora Rodrigues e Lara Martins e os barítonos Luís Rodrigues e Diogo Oliveira.
Argumento
Acto I
A cena representa a entrada de uma herdade
Ao fundo vê-se a campina, por onde corre um riacho em cujas margens algumas lavadeiras preparam a barrela. À sombra de uma grande árvore, Giannetta e vários ceifeiros e ceifeiras fazem a sesta. Adina está sentada à parte, a ler um livro, enquanto Nemorino a observa. Os ceifeiros tecem gabos à sombra da faia, contando que para as chamas do amor não há sombra nem água do rio capazes de as moderar. Nemorino contempla Adina, absorta na leitura. Quanto mais a vê, mais apaixonado se sente. Contudo não é digno de aspirar ao seu coração o mais leve afecto. Ela estuda, lê, aprende e não há coisa que desconheça ao passo que ele não deixa de ser um ignorante que apenas sabe suspirar. Adina solta uma gargalhada e mostra-se impressionada com a leitura da «História de Tristão» o que provoca a curiosidade de todos. Adina aceita ler-lhes a história e Nemorino aproxima-se do grupo de ceifeiros também para poder ouvir. «O Formoso Tristão almejava pela cruel Isolda, mas não tinha o menor vislumbre de esperança de vir a possuí-la um dia. Então dirigiu-se a um famoso feiticeiro que lhe deu a beber, numa taça, certo elixir de amor, graças ao qual a bela Isolda não mais lhe fugiu». Dirigindo-se aos ouvintes, Adina exclama: «Quem dera saber a receita e conhecer o fabricante de elixir de tão rara qualidade». Todos, em coro, repetem o seu desejo. Adina prossegue: «assim que bebeu um gole da taça mágica, logo o rebelde coração de Isolda se enterneceu. Mudada num instante, a cruel beldade tornou-se namorada de Tristão a quem viveu fiel, abençoando para sempre aquele primeiro gole».
Todos voltam a gabar a excelência do elixir e, a seguir, ouve-se rufar um tambor que anuncia a entrada de um pelotão de soldados comandados por Belcore. Todos se levantam, os soldados ficam no fundo, formados em linha e Belcore acerca-se de Adina a quem cumprimenta e oferece um ramalhete de flores ao mesmo tempo que a corteja de maneira alardeada: «Ofereço-lhe estas flores, encantadora aldeã, como Páris deu a maçã à mais formosa, mas sou mais feliz do que ele, porque alcanço, em paga, o seu coraçãozinho...». Adina regista a ousadia e Nemorino exterioriza o seu despeito, mas o «conquistador» continua a tagarelar: «Vejo nítido nesse rosto gentil que me insinuei no seu ânimo. Não é nada de admirar. Sou galante e sou sargento e não há beldade indiferente ao prestígio de uma farda. Se até a mãe do Amor não resistiu a Marte, o deus da guerra! Ora se a menina gosta de mim, como eu gosto de si, não há razão para guardar para mais tarde o render da praça? Minha querida o melhor é capitularmos já e assentarmos o dia da boda».
Adina, lisonjeada, responde-lhe que não tem pressa, ao passo que Nemorino, sempre tímido, diz para si que morrerá de desespero se eles casarem. O sargento, porém, continua o assédio: «Não há tempo a perder, porque as horas e os dias voam. No amor e na guerra é erro atrasar as acções e, por isso, ela deve submeter-se ao vencedor». A azougada moça chama a atenção de todos para a bazófia de Belcore, que canta vitória antes de entrar em combate e a toma por uma praça de fácil conquista. Nemorino maldiz o seu
temperamento acanhado e os ceifeiros comentam o caso tendo em conta a sagacidade de Adina e o desplante do sargento, que se instala e pede licença para os soldados descansarem debaixo de telha. Adina concede graciosamente e manda prosseguir os trabalhos agrícolas.
Todos vão à sua vida e Nemorino aproveita o ensejo para se dirigir à dona dos seus pensamentos, que o recebe com sete pedras na mão: a maçada habitual, os suspiros de sempre. Era melhor que fosse para a cidade, para o pé do tio que dizem estar muito doente! Adina diz a Nemorino que não suspire por ela pois a sua natureza caprichosa e inconstante resultaria numa desilusão para os dois. A praça da aldeia. De um lado fica a Estalagem da Perdiz. Os aldeões cirandam na sua azáfama e não tarda a ouvir-se um toque de buzina que, por inusitado, põe em rebuliço a rotina patriarcal da terra. Mordido pelo bichinho da curiosidade as mulheres saem de casa; os homens não tardam em vir à coca do que se passa. O caso não é para menos. Vem aí um forasteiro, que viaja em carruagem dourada com tudo muito bem posto. É, com certeza,
grande personagem, talvez um barão, ou um duque. E toda a gente tira o chapéu quando o carro entra, mostrando o Dr. Dulcamara, em pé, com as mãos cheias de prospectos e garrafinhas, Atrás dele um criado, que toca buzina. Mal a carruagem pára, a multidão envolve-a para escutar o palavreio do pantomineiro que apresenta uma infindável lista de elixires milagrosos: «Ouvi, boa gente do campo! Atenção! Calados, por favor! Já de antemão suponho e tenho para mim que todos sabeis que sou o grande médico, doutor enciclopédico, chamado Dulcamara». Uma vez desfeita a aglomeração, Nemorino diz para consigo se não teria sido obra do céu a vinda daquele homem com os seus portentos. Aproxima-se e pergunta-lhe se é verdade que possui segredos maravilhosos. Em vista da resposta, Nemorino indaga se ele tem a bebida amorosa da rainha Isolda e, ante a perplexidade de Dulcamara, esclarece que se trata do estupendo elixir que faz nascer o Amor. Refeito do pasmo, o Charlatão declara-se inventor do elixir. Fazem negócio e Dulcamara apanha ao ingénuo Nemorino nada menos que um cequim por uma garrafa do mágico licor. Nemorino prova o elixir, mas como gosta de beber não tarda a sentir um calor estranho e uma alegria súbita a apossar-se dele. Adina surpreende-o, já com um «grão na asa», e espanta-se de o ver naquela figura. Pasmada, pergunta-lhe se ele está a experimentar os conselhos que ela lhe deu. O ar atrevido do rapaz e a segurança como ele afirma que dentro de um dia tudo estará sanado, desconcertam-na. Chega o sargento Belcore falando, como sempre, no amor e na guerra. Adina, por despique, mete-se com ele e dá-lhe a entender que estará disposta a casar o mais depressa possível. Nemorino irrita-se, mas não se desmancha. Giannetta e as raparigas comentam o caso a seu modo e Adina e Belcore convidam todos para o festim do casamento.
Acto II
A acção decorre no interior da herdade de Adina. De um lado está posta a mesa, do outro, os músicos do regimento tocam as trombetas em cima de uma espécie de coreto. Adina, Belcore, Dulcamara e Giannetta estão abancados e a gente da aldeia bebe e canta brindando aos noivos. Dulcamara propõe-se cantar com Adina uma cançoneta de sua lavra, muito graciosa e que agradará por certo. Entretanto chega o tabelião a fim de se lavrar o termo do casamento. Nemorino, desesperado, pede ajuda a Dulcamara. Este propõe vender-lhe nova garrafa de elixir. Não tendo dinheiro, Nemorino resolve fazer-se soldado junto de Belcore e, assim, receber dinheiro pelo alistamento. Um grupo de aldeãs assedia Giannetta, que acaba de saber uma incrível notícia: o tio de Nemorino morreu deixando a fortuna ao sobrinho! Nemorino, ainda desconhecedor da herança, aproxima-se convencido de já estar a beneficiar dos efeitos do elixir. Ao vê-lo todas as raparigas cercam o «melhor partido» da região. Nemorino atribui o descabelado cortejar das aldeãs aos efeitos do elixir e mal consegue conter o seu contentamento. Dulcamara e Adina chegam, cada qual de seu lado e ficam estupefactos com a jovialidade do quadro que presenciam. Dulcamara cai das nuvens e começa a admitir a hipótese de ser de facto fabricante de um filtro mágico, em vez de ter impingido a Nemorino gato por lebre, isto é: vinho de Bordéus pelo elixir da rainha Isolda. Adina perde a cabeça, interrompe o baile e diz a Nemorino que Belcore lhe participara que ele, na mira de apanhar alguns escudos, ia para soldado. Adina pede a Nemorino que reflicta e desista da ideia o que o leva a crer que o elixir resulta e resolve mostrar-lhe algum desprezo. Adina começa a aperceber-se de que, sem o suspeitar, sempre gostara de Nemorino e sofre por não ter coragem de lho dizer. Nemorino sai com Giannetta e Adina fica com o charlatão que acaba por contar que vendeu o elixir a Nemorino para que conquistasse a sua amada. Saem os dois, entra Nemorino. Adina reaparece e dirige-se a Nemorino com algum atrevimento.
Adina confessa ter resgatado o papel que o prendia a Belcore por se ter apercebido do seu amor. Belcore apercebe-se do romance entre Adina e Nemorino, mas aceita a situação filosoficamente – centenas de mulheres esperam por ele! Atribuindo a felicidade de Nemorino ao elixir, Dulcamara vende dezenas de frascos do elixir antes de desaparecer.
Alfredo Furiga
Ao longo da história do Teatro Nacional de São Carlos diversos cenógrafos italianos colaboraram nas produções operáticas ali realizadas. Desde Antonio Baila, elemento fundamental nos dois primeiros anos de existência do Real Theatro de São Carlos, a figuras como Luigi Manini ou Samarini que, juntamente com outros nomes de igual importância, escreveriam uma página de alto valor artístico na cultura operática portuguesa. Um dos cenógrafos que no século XX se destacou no Teatro Nacional de São Carlos foi o italiano Alfredo Furiga.
Nascido a 23 de Fevereiro de 1903 na comunidade de Besozzo, nas proximidades de Varese, iniciou os seus estudos de cenografia nos anos Vinte na Accademia di Belle arti em Brera. O futuro promissor do jovem cenógrafo levou-o a aperfeiçoar-se com V. Rota e A. Parravicini, culminando numa colaboração com F. Cilea para a Metropolitan Opera de Nova Iorque. Os anos Vinte foram produtivos e ricos em experiências internacionais, marcados pela cenografia de Turandot e Tosca no Covent Garden de Londres e La Bohème na Sydney Opera House. As suas ideias no domínio da cenografia seguiam o rumo da experimentação e inovação, aproximando-se muito da criação dos grandes e contrastantes efeitos cénicos de Pericle Ansaldo e da sua ideia de «palcoscenico meccanico». Em 1927, e no ano seguinte, teve a oportunidade de trabalhar e de aplicar o seu génio criativo no novo teatro de ópera de Roma em produções como La Cena delle beffede S. Benelli, La Fredade I. Pizzetti e Tosca de G. Puccini.
Imbuído no clima futurista que reinava em Itália, Furiga desenvolveu a sua faceta de pintor numa estética que inicialmente se exprimia através da natureza e da descrição da paisagem, mas que foi de encontro aos primeiros e segundos futurismos da chamada «escola romana», sempre marcado pelas experiências teatrais, como demonstra nas pinturas celebrativas ao obelisco erguido a Mussolini. Já nos anos Trinta expôs na II Quadrennale d’arte nazionale di Roma (1935) com o quadro Lineee na Mostra internazionale di
Scenotecnicada VI Triennale di Milano (1936).
O início dos anos Quarenta foi particularmente marcado pela preparação de uma sala na Mostra triennale delle terre d’Oltremare e del lavoro italiano nel mondo e, em colaboração com A. Apolloni, A. De Santis, G. Omiccioli e F. Scattola, pela participação na XLIV Mostra della Galleria de Roma. A temática baseada no ambiente suscitado pelas ruínas romanas da Roma Antiga e a temática religiosa marcaram os seus trabalhos indo ao encontro de uma estética nacionalista incitada pela situação política italiana, embora os críticos reconheçam nas obras deste período alguns elementos do expressionismo.
A sua vida artística e as movimentações no meio político conduziram-no, em 1946, ao Teatro Nacional de São Carlos que reabrira as portas seis anos antes e que contava agora com Alfredo Furiga no cargo de Direcção de Cenografia. Apesar das suas colaborações com Itália, o cenógrafo trabalhou com a Ópera de Lisboa até 1970, tendo sido distinguido em 1952 pelo seu trabalho aquando da exposição na Mostra triennale del Lavoro italiano nel Mundo, na qualidade de representante do Teatro Nacional de São Carlos. Para além dos trabalhos que apresentou no estrangeiro, a actividade no São Carlos confirmou sempre a expectativa e o talento deste cenógrafo, participando na produção cénica e desenho de luzes de um elevado número de óperas. Morreu com 69 anos, em Roma, no dia 3 de Junho de 1972.
Biografias
DE VIENA À BROADWAY
Giovanni Andreoli direcção musical
Estudou Piano, Composição e Direcção Coral e de Orquestra. Iniciou a sua actividade na qualidade de maestro residente. Na qualidade de maestro de coro colaborou na RAI de Milão, Arena de Verona, e Teatros La Fenice de Veneza e Carlo Felice de Génova. Trabalhou com os maestros Delman, Muti, Chailly, Barshai, Karabtchevsky, Arena, Santi, Campori, R. Abbado e Renzetti. Na Biennale Musica de Veneza estreou mundialmente obras de Guarnieri, De Pablo, Clementi e Manzoni.
Dirigiu os Carmina Burana e a Petite Messe solennelle (Coro e Orquestra do La Fenice), repondo esta última no Teatro Municipal de São Paulo. Seguiu-se «L’esperienza corale nel ‘900 italiano» (Dallapiccola, Rota e Petrassi). De 1998 destacam-se: L’elisir d’amore em Rejkjavik; Missa da Coroação (Mozart) e Missa n.º 9 (Haydn), em São Paulo; Via Crucis de Liszt (Orvieto); Les Noces (Stravinski), no Festival de Granada; Otello (Rossini), no Theater an der Wien; e a primeira audição moderna da Missa Amabilis e Missa Dolorosa de Caldara (Orquestra e Coro do La Fenice). Em 1999 dirigiu Il barbiere di Siviglia (Teatro dei Vittoriale, Gardone-Riviera),
La traviata (Teatro Real de Copenhaga), Una cosa rara de Soler (Teatro Goldoni, Veneza). Em 2000 dirigiu duas produções de La Bohème, uma no Teatro Grande de Brescia com Giuseppe Sabbatini, e outra em Lanciano, com a Orquestra Giovanile Internazionale. Gravou para a BMG Ricordi, Fonit Cetra e Mondo Musica Munchen; Orfeo cantando... tolse (A. Guarnieri) na RAI de Florença (1996); e os Carmina Burana com a Companhia do Teatro La Fenice. Desde 1994 que é o responsável artístico pela Temporada Lírica do Teatro Grande de Brescia.
Kodo Yamagishi piano
Nascido no Japão em 1971, estudou na Universidade de Música de Viena, na classe de direcção musical de U. Lajovic, onde obteve o mestrado. Naquela época trabalhou como correpetidor e maestro em produções de óperas e dirigiu a Orquestra Pró-Arte de Viena. Participou ainda nas master classes de direcção, piano e interpretação de Lieder em Viena, no Cairo, em Weimar e com Dietrich Fischer-Dieskau em Estugarda. Desde 1997 que actua como assistente nas master classes do maestro E. Acel.
Foi maestro assistente em produções de óperas no Festival de Verão de Klosterneuburg, no Festival Haydn de Eisenstadt e no Opern Air em Gars am Kamp. Em 2002 dirigiu L’Enfant et les sortilèges na Alemanha e também a Orquestra de Salão de Merano (Itália).
De 2002 a 2004 trabalhou como maestro correpetidor e Kapellmeister no Pfalztheater em Kaiserslautern (Alemanha), onde teve oportunidade de dirigir 22 récitas de óperas. Em 2004 dirigiu a Orquestra Nacional da Cidade de Oradea, na Roménia, e desde a temporada 2004/05 é maestro assistente do Coro do Teatro São Carlos, de Lisboa.
Foi vencedor do Prémio «Finalista» (2.º lugar) do II Concurso International de Direcção de Orquestras e Prémio «OSESP” em São Paulo.
Coro do Teatro Nacional de São Carlos maestro titular Giovanni Andreoli
Criado em condições de efectividade em 1943, sob a direcção de Mario Pellegrini, o Coro cumpre uma fase intensiva de assimilação do grande repertório operístico e de oratória. Entre 1962 e 1975 colabora nas temporadas da Companhia Portuguesa de Ópera, sediada no Teatro da Trindade, deslocando-se com a mesma à Madeira, aos Açores, a Angola e a Oviedo (1965), a convite do Teatro Campoamor, e obtém o Prémio de Música Clássica conferido pela Casa da Imprensa.
Participa em estreias mundiais de autores portugueses, casos de Fernando Lopes Graça
(D. Duardos e Flérida) e António Victorino d’Almeida (Canto da Ocidental Praia). Em 1980 é criado um primeiro núcleo coral a tempo inteiro, sendo a profissionalização do Coro consumada em 1983, sob a direcção de Antonio Brainovitch. A plena afirmação artística do conjunto será creditada a Gianni Beltrami, que assume a direcção em 1985 e beneficia de condições de trabalho até então inéditas em Portugal. Nesta fase assinalam-se as seguintes intervenções: Oedipus Rex (Stravinski); Ascensão e Queda da Cidade de Mahagonny (Weill); Kiú (De Pablo); L’Enfant et les Sortilèges (Ravel); e Dido and Aeneas (Purcell). Registe-se a participação em Grande Messe des Morts (Berlioz), em Turim, a convite da RAI. Depois da morte de Gianni Beltrami, João Paulo Santos assume a direcção, constituindo-se como o primeiro português no cargo em toda a história do Teatro de São Carlos. Sob a sua responsabilidade registam-se êxitos, tais como: Mefistofele (Boito); Blimunda e Divara (Corghi); Sinfonia n.º 2 (Mahler), com a Orquestra da Juventude das Comunidades Europeias; Die Schöpfung (Haydn); Faust e Requiem (Schnittke); Perséphone e Le Rossignol (Stravinski); Evgeni Onegin (Tchaikovski); Les Troyens (Berlioz); Missa Glagolítica (Janácek); Tannhäuser e Die Meistersinger von Nürnberg (Wagner); e Le Grand macabre (Ligeti). Com o Requiem de Verdi o Coro desloca-se a Bruxelas, no quadro da Europália (1991). No âmbito da Expo-98 actuou no concerto de encerramento.
O conjunto tem actuado sob a direcção de algumas das mais prestigiadas batutas, tais como Antonino Votto, Tullio Serafin, Vittorio Gui, Carlo Maria Giulini, Oliviero de Fabritiis, Otto Klemperer, Molinari-Pradelli, Franco Ghione, Alberto Erede, Alberto Zedda, Georg Solti, Nello Santi, Nicola Rescigno, Bruno Bartoletti, Heinrich Hollreiser, Richard Bonynge, García Navarro, Wolfgang Rennert, Rafael Frühbeck de Burgos, Franco Ferraris, James Conlon, Harry Christophers, Michel Plasson e Marc Minkowski, entre outros. Também foi dirigido em óperas e concertos pelos mais importantes maestros portugueses, com relevo especial para Pedro de Freitas Branco.
L’ELISIR D’AMORE
Cesário Costa direcção musical
Nasceu em 1970. Tem vindo a distinguir-se em Portugal como um dos mais activos maestros da sua geração. Realizou os seus estudos musicais em Paris, onde concluiu o Curso Superior de Piano, e na Alemanha, onde completou com a nota máxima a Licenciatura e o Mestrado em Direcção de Orquestra na Escola Superior de Música de Würzburg, na classe do Prof. Hans-Rainer Foerster. Em 1997 foi o vencedor do III Concurso Internacional Fundação Oriente para Jovens Chefes de Orquestra. Nesse mesmo ano foi bolseiro do Festival de Música de Bayreuth. Como maestro convidado, dirigiu a Royal Philharmonic Orchestra, a Orquestra Sinfónica de Nuremberga, Orquestra Sinfónica Portuguesa, a Orquestra Gulbenkian, a Orquestra Nacional do Porto, a Orquestra Metropolitana de Lisboa, o Remix Orquestra, o Ensemble für Neue Musik (Würzburg), a Arhus Sinfonietta (Dinamarca), a Orquestra Filarmónica da Macedónia, a Filarmonia Sudecka (Polónia), a Filarmonia Rzeszów (Polónia), a Orquestra de Extremadura (Espanha), Orquestra Sinfónica de Liepaja (Letónia), a Orquestra do Algarve, a Orquestra do Norte, a Filarmonia das Beiras, entre outras orquestras. Apresentou-se também em Espanha, França, Andorra, Alemanha, Escócia, Bélgica, Inglaterra, Dinamarca, Macedónia, Polónia e Brasil.
Participou em inúmeros Festivais de Música, destacando-se Atlantic Waves (Londres), Aberdeen (Escócia), Arhus (Dinamarca), Neerpelt (Bélgica), Dresden (Alemanha), Murcia (Espanha), Estoril, Sintra, Póvoa do Varzim, Espinho, Leiria, Mafra.
O seu repertório estende-se do barroco ao contemporâneo, incluindo mais de quarenta obras em estreia absoluta. Colabora regularmente com o Teatro Nacional de S. Carlos, Casa da Música (Porto), Teatro da Trindade, Teatro S. João, Centro Cultural de Belém, e Fundação de Serralves.
É professor na Universidade Católica Portuguesa e prepara o doutoramento na Universidade Nova de Lisboa sobre o Maestro Pedro de Freitas Branco. Foi agraciado com a medalha de mérito cultural pelo Município de Vila Nova de Gaia. Actualmente é Director Artístico da Orquestra do Algarve e dos Concertos Promenade do Coliseu do Porto. É Maestro Titular da Orquestra Clássica de Espinho e da OrchestrUtopica.
Francesco Esposito cenografia e figurinos
Iniciou a sua carreira no Teatro Petruzzelli de Bari como assistente de Pizzi, Ronconi, Crivelli, Lavia Bolognini, Lattuada, Fo. A sua abordagem ao teatro caracterizada por um estudo aprofundado das fontes e do conhecimento das exigências do teatro lírico, permitiu-lhe afirmar-se em inúmeras e prestigiadas ocasiões dentro e fora do seu país.
A sua concepção do teatro lírico parte da colaboração imprescindível com o cenógrafo, maestro e cantores, exprimindo-se através de uma observação atenta das personagens, de uma análise dos sentimentos e procura de emoções.
Em primeiro lugar surge a lealdade ao texto e ao autor filtrada por uma cuidada interpretação crítica cujo objectivo é o de destacar as componentes fundamentais do espectáculo e da comunicação.
Já assinou a encenação e os figurinos de cerca de 100 espectáculos, a saber: Lucia di Lammermoor no Teatro Regio de Turim, Maria Stuarda na Ópera de Roma onde também encenou Carmen para a inauguração das termas de Caracalla, Rigoletto no Teatro Massimo de Palermo, Il mondo della luna na Ópera de Nice e Norma na Ópera de Marselha.
Colaborou, entre outros, com os teatros de Bolonha, Florença, Nápoles, Reggio Emilia, Modena, Dortmund, Tóquio, Seul, Las Palmas, Tenerife e Dordrecht. É fundador da Accademia Harmonica de Modena.
Pedro Martins desenho de luz
Concluiu o Curso Industrial na Casa Pia de Lisboa, após o que ingressou no Teatro Nacional de São Carlos (1969), ocupando desde 1989, o cargo de Chefe do Departamento de Electricidade. Aperfeiçoou-se em Inglaterra tendo já trabalhado com os encenadores Wolf-Siegfried Wagner, Paolo Trevisi, Ferruccio Villagrossi, Stefano Vizioli, Aidan Lang, Robert Bryan, Paulo Ferreira de Castro, Tito Celestino da Costa, Pedro Wilson, e com o coreógrafo Rui Lopes Graça.
Desde 1993 que colabora nas temporadas do Teatro Nacional de São Carlos, tendo desenhado luzes para as seguintes óperas: La Cenerentola (Rossini), La Spinalba (Francisco António de Almeida), Orfeo ed Euridice (Gluck), Fidelio (Beethoven), Idomeneo (W. A. Mozart), La Bohème (Puccini), I puritani (Bellini), Le Rossignol (Stravinski), Il trittico (Puccini), Il ritorno d’Ulisse in patria (Monteverdi), Os Dias Levantados (António Pinho Vargas), Les Troyens (Berlioz), Orphée aux enfers (Offenbach), tendo colaborado também em Lady, be Good! (2002) e O Nariz (2006).
Participou noutras produções, a saber: La traviata (Lisboa 94), no Coliseu dos Recreios; King Arthur (Purcell), no CCB; e Porgy and Bess, no Pavilhão Atlântico.
Para a Companhia Nacional de Bailado, destaque-se a sua colaboração em Petruchka, Concerto (Kenneth MacMillan), A Midsummer Night’s Dream e Dançares, este último em estreia absoluta. Na temporada de 1996 colaborou na Direcção Técnica do Instituto Português de Bailado (CNB).
Mário João Alves tenor
Nasceu em Perafita. Realizou os seus estudos de Canto com Fernanda Correia, nos Conservatórios do Porto e Gaia.
Das suas interpretações operáticas destacam-se: Nemorino (L’elisir d’amore); Ferrando (Così fan tutte); Tamino (Die Zauberflöte); Conde d'Almaviva (Il barbiere di Siviglia); Albert (Albert Herring), Herr M. (Neues vom Tage); Paolino (Il matrimonio segreto); Sempronio (Lo Speziale); L’arithmetique, La Rainette, La Théière (L’Enfant et les sortilèges); Dom Gilvaz (Guerras de Alecrim e Manjerona); Proteu (As Variedades de Proteu); Agenore (Il Re Pastore) e Governador (O Doido e a Morte).
Em 2005/06 interpretou Captain MacHeath (Beggar's Opera) Teatro Aberto; Nemorino (L’elisir d’amore) em Tóquio, Kyoto, Sapporo e Takamatsu; Pedrillo (Die Entführung aus dem Serail) no São Carlos, Teatro Piccinni di Bari e Quincena de San Sebastian; Aronne (Mosè in Egitto) Teatro Verdi di Sassari; Conde Almaviva (Il barbiere di Siviglia) e Ivan (O Nariz) no São Carlos e Monostatos (Die Zauberflöte) no Teatro La Fenice em Veneza.
Na temporada de 2006/2007 apresentou-se no Teatro Nacional D. Maria II, Teatro Nacional de São Carlos, Fraschini di Pavia, Sociale di Como, Regio de Turim, BAM de Nova Iorque, e La Monnaie de Bruxelas.
No Teatro Micaelense cantou em “Regresso à Broadway”, “Concerto de Natal” com o Coral de S. José, e Missa da Coroação de Mozart, com a Orquestra e Coro Gulbenkian.
Dora Rodrigues soprano
Nascida em Braga, diplomou-se no Conservatório Calouste Gulbenkian de Braga e na Escola Superior de Música do Porto. Estreou-se com o CPO, em 1998, no papel de Frasquita (Carmen), dando início a uma série de colaborações. No Teatro São Carlos interpretou Elisetta (Il matrimonio segreto), Blumen (Parsifal), St. Theresa I (Four Saints in Three Acts), Echo (Ariadne auf Naxos) numa produção também apresentada em Modena e Ferrara, Wellgunde (Das Rheingold) e Waltraute (Die Walküre), com a assinatura de Graham Vick, Despina (Così fan tutte), assim como em vários concertos integrados no âmbito das Temporadas Sinfónicas. Em outras produções interpretou Gretel (Hänsel und Gretel), Polly (The Beggar’s Opera), Susanna (Le nozze di Figaro), Pamina (Die Zauberflöte), Musetta (La Bohème) e Lucinda (Don Chisciotte), produção apresentada no Teatro de la Maestranza em Sevilha.
Em 2002 cantou ao lado de José Carreras num tributo em sua homenagem na cidade de Coimbra.
Obteve o 1.º Prémio (categoria de Ópera), no II Concurso Internacional de Canto «Tomaz Alcaide». Foi-lhe atribuído o Prémio «Ribeiro da Fonte» – 2001 pelo Ministério da Cultura.
Luís Rodrigues barítono
Estudou no Conservatório Nacional e na Escola Superior de Música de Lisboa. Em 1995 foi laureado com o 1.º Prémio no II Concurso de Interpretação do Estoril e ganhou, com o pianista David Santos, o Prémio Jovens Músicos da RDP (Música de Câmara). Em 1996 foi vencedor do 4.º Concurso de Canto «Luísa Todi».
Intérprete de reconhecida versatilidade tem-se afirmado no domínio da ópera em papéis como Schaunard (La Bohème), Masetto (Don Giovanni), Conde Robinson (Il matrimonio segreto), St. Ignatius (Four Saints in Three Acts), Harlekin (Ariadne auf Naxos), Ping (Turandot), Bustamante (La Navarraise), Figaro (Il barbiere di Siviglia) e Guglielmo (Così fan tutte) no Teatro Nacional de São Carlos; Mr. Gedge (Albert Herring) e Eduard (Neues vom Tage) no Teatro Aberto; Semicúpio (Guerras do Alecrim e Mangerona) no Acarte, Teatro da Trindade e Teatro Nacional D. Maria II (Prémio Bordalo da Imprensa 2000 para Música Erudita); Marcello (La Bohème) com o Círculo Portuense de Ópera e a Orquestra Nacional do Porto no Coliseu desta cidade; Tom (The English Cat) com a Cornucópia e a ONP no Rivoli e São Carlos; Papagueno (Die Zauberflöte) na Fundação Calouste Gulbenkian, Giorgio Germont (La traviata) e o papel titular de Don Giovanni com a Orquestra do Norte; Belcore (L’elisir d’amore) e Figaro (Il barbiere di Siviglia) com a Eventos Ibéricos e a ON. Em Dezembro de 2005 interpretou o papel de Yoshio, na estreia em Portugal da ópera Hanjo (Toshio Hosokawa), na Culturgest, em co-produção com o São Carlos.
Diogo Oliveira barítono
Nascido em Lisboa, é licenciado em Engenharia da Linguagem e do Conhecimento pelas Faculdades de Ciências e de Letras da Universidade de Lisboa. Frequentou o curso de Canto da Escola de Música do Conservatório Nacional na classe de José Carlos Xavier. Realizou concertos no Salão Nobre do Teatro Nacional de São Carlos, Museu da Música, Palácio Foz, Culturgest, CCB, Zénith de l'Agglo de Rouen, entre outros. Participou em Master Classes de canto e interpretação com Sarah Walker e Low Siew-Tuan.
Em recital apresentou, recentemente, com Nuno Vieira de Almeida, no Teatro S. Luís os ciclos: Schwannengesang de Schubert e Sea Pictures de Elgar. Desempenha o papel de Phantom na produção alemã da opereta Das Phantom der Oper (O Fantasma da Ópera) em digressão pela Alemanha, com a qual actuou em mais de 120 salas de espectáculo e recintos ao ar livre, de entre as quais se destaca a Müchen Filarmonie.
Em 2005 foi vencedor do primeiro prémio do Concurso Nacional de Canto Luísa Todi. Estreou-se no papel de Marullo (Rigoletto) sob a direcção de Manuel Ivo Cruz. Interpretou Papageno (Die Zauberflöte), com encenação de Jorge Listopad, no Teatro da Trindade, no Centro Cultural de Cascais, Conde de Fricandó (As Damas Trocadas), sob a direcção de Armando Vidal em Setúbal, Masetto (Don Giovanni), e Figaro (Le nozze di Figaro) sob a direcção de José Ferreira Lobo.
No Teatro Nacional de São Carlos interpretou Montano (Otello), sob a direcção de Antonio Pirolli, Fiorello (Il barbiere di Siviglia), sob a direcção de Jonathan Webb, Lacaio, Oitavo Polícia, Primeiro Criado, Sexto Camarada e Sexto Estudante (O Nariz), Sob as direcções de Donato Renzetti e João Paulo Santos.
Lara Martins soprano
Nasceu em Coimbra onde iniciou os estudos musicais. Como bolseira da Fundação Calouste Gulbenkian, terminou o Curso Superior de Canto com a mais alta classificação, sob a orientação de Laura Sarti, na Guildhall School of Music and Drama (Londres). Em 2002 integrou o grupo de solistas do Centro Francês de Artistas Líricos em Marselha (2002/03). Foi premiada em diversos concursos internacionais de canto, destacando-se o Prémio «Donizetti» atribuído por Fiorenza Cossotto no Concurso «Jaumme Aragall» (Espanha). A sua actividade solista abrange vários registos de repertório desde a ópera à canção, passando pela música sacra. Em concerto cantou na Europa, destacando-se a participação no Festival Internacional de Música «Tibor Varga» na Suíça (Bachianas Brasileiras de Villa Lobos), em Marselha (Sete Canções Populares Espanholas de Falla), com a Orquestra Filarmónica de Marselha; foi solista num recital na Fundação Calouste Gulbenkian (Ciclo de novos intérpretes). No domínio da ópera, interpretou os seguintes papéis: Sofia (Signor Bruschino) na Ópera Nacional de Bordeaux; Susanna (Le nozze di Figaro) no Teatro da Trindade; Voz na Igreja/Vendedeira/Mulher (O Nariz); Elvira (L’italiana in Algeri) no Teatro Nacional de São Carlos; Princesa Hirvaia (Dick Whinttington, Offenbach) no Bloomsbury Theatre (Londres); Paracha (Mavra) no CAM da Fundação Calouste Gulbenkian e Festival de Música da Madeira; Blondchen (Die Entführung aus dem Serail) na Ópera de Marselha; Adina (L’elisir d’amore) na Clonter Opera de Manchester; Frasquita (Carmen) em digressão pelo Reino Unido; Primeira Ninfa (Rusalka) em digressão pelo País de Gales; Despina (Così fan tutte) na Swansea City Opera; Annina (La traviata) no CAE da Figueira da Foz numa produção do São Carlos. Participou em galas de ópera no Vilar Floral Hall (Royal Opera House Covent Garden) e nas Óperas de Avignon e Toulon.

Jacques Offenbach
«Barcarole» (da ópera Les Contes d'Hoffmann)
Augusto Machado
«Valsa» (da ópera Lauriane: Final, Acto I)
Johann Strauss II
Lagunen-Walzer, op. 411 [Valsas das Lagoas] (da opereta Eine Nacht in Venedig [Uma Noite em Veneza])
An der schönen blauen Donau, op. 314 [No Belo Danúbio Azul]
Johann Strauss I
Marcha «Radetzky», op. 228
Franz Lehár
«Vilja-Lied» e «Lippen schweigen» (da opereta Die lustige Witwe)
Hoagy Carmichael
Stardust
Cole Porter
Night and Day
Richard Rodgers
«Out Of My Dreams» e «Oklahoma» (do musical Oklahoma!)
John Kander
«New York, New York» (canção tema do filme New York, New York)
«Cabaret» (canção tema do musical Cabaret)
direcção musical Giovanni Andreoli
piano Kodo Yamagishi
Comentários ao programa por Jorge Rodrigues
Coro do Teatro Nacional de São Carlos
maestro titular Giovanni Andreoli
■ 23. a 29. Setembro 2007
Exposições
I. Como se faz uma ópera?
II. Cenários da Ópera
■ 26. Setembro 2007 às 15:00h
Ensaio geral aberto às escolas da ópera L’elisir d’amore
■ Teatro Micaelense (São Miguel, Açores)
28. 29. Setembro 2007 às 21:30h
L’elisir d’amore Gaetano Donizetti
Melodramma giocoso em dois actos. Libreto de Felice Romani segundo o libreto de Eugène Scribe para Le philtre (1831) de Daniel-François-Esprit Auber.
Direcção musical Cesário Costa
Encenação e figurinos Francesco Esposito
Cenografia Alfredo Furiga
Desenho de luz Pedro Martins
Intérpretes
Nemorino
Mário João Alves
Adina
Dora Rodrigues
Dulcamara
Luís Rodrigues
Belcore
Diogo Oliveira
Giannetta
Lara Martins
Orquestra Sinfónica Portuguesa
Coro do Teatro Nacional de São Carlos
maestro titular Giovanni Andreoli
Produção
Teatro Nacional de São Carlos
Textos de Apoio
DE VIENA À BROADWAY
A programação do Teatro Micaelense em parceria com o Teatro Nacional de São Carlos para a semana de 21 a 29 de Setembro inclui um programa especial «De Viena à Broadway». No dia 22 de Setembro o Coro do Teatro Nacional de São Carlos leva ao palco do Micaelense a cadência das valsas dos salões de Viena e o ritmo «jazzy» das grandes canções norte-americanas da Broadway.
De Offenbach, passando por Johann e Josef Strauss, Augusto Machado até Cole Porter e John Kander, o Coro do Teatro Nacional de São Carlos interpreta as mais famosas valsas e musicais, sob a direcção de Giovanni Andreoli. Destaque para a participação de Kodo Yamagishi (piano) e Jorge Rodrigues cujos comentários contribuirão para uma total fruição do programa.
De Jacques Offenbach (1819-1880), grande compositor de operetas – género precursor do conceito moderno de comédia musical para o qual compôs mais de cem obras – o Coro interpreta «Barcarole», um dos números mais conhecidos da obra-prima operática, Les contes d’Hoffmann. «Barcarole» foi incorporado na banda sonora do filme La vita è bella (1997) do realizador e actor italiano, Roberto Benigni.
A ópera romântica Lauriane, do compositor português Augusto Machado não poderia faltar neste programa, representada pelas «Valsas» do Final do Acto I. Lauriane foi estreada no Grand Théâtre de Marseille em 1883, e cativou o público e a crítica, que reconheceu distintas qualidades musicais em Augusto Machado. Pouco mais de um ano após a estreia francesa esta ópera estreou no Teatro de S. Carlos, traduzida para a língua italiana.
Do compositor austríaco, Johann Strauss II (1825-1899), ficarão para sempre as valsas que compôs com especial incidência na valsa O Danúbio Azul. Filho do compositor Johann Strauss I e irmão dos também compositores Josef Strauss e Eduard Strauss, Johann permanece o mais célebre de toda a família Strauss. O imortalizado Rei da Valsa deixou uma opereta que ainda hoje se inscreve na programação dos teatros líricos, Die Fledermaus. No programa a apresentar em Lagos inscrevem-se duas valsas «Lagunen-walzer» [Valsas das Lagoas] e An der schönen blauen Donau, op. 314 ([No Belo Danúbio Azul].
Johann Strauss I (1804-1849) escreveu a ainda hoje muito popular Marcha «Radetzky», op. 228, interpretada frequentemente nas salas de concerto vienenses. Ainda hoje, ao ouvir esta Marcha, o público reage batendo os pés ao ritmo da marcha tal como aconteceu no dia da sua estreia em 1848.
Conhecido principalmente pelo seu legado de operetas, Franz Léhar (1870-1948) deixou a comédia romântica Die lustige Witwe baseada na história de uma viúva rica, Hanna Glawari que tenta arranjar marido. Desde o êxito estrondoso que obteve aquando da estreia, em 1905, esta opereta correu os palcos do mundo inteiro. O Coro do Teatro Nacional de São Carlos interpreta, desta ópera, «Vilja-Lied» e «Lippen schweigen».
Hoagland Howard «Hoagy» Carmichael (1899-1981) foi um compositor e pianista norte-americano celebrizado pela melodia que compôs para a canção Stardust (1927) que se tornou no estandarte daquela que foi nos EUA, a era das Big Band. Posteriormente, grandes nomes do jazz, tais como Louis Armstrong, Artie Shaw, Frank Sinatra, Billie Holiday, Dizzy Gillespie, Nat King Cole, Ella Fitzerald e John Coltrane, gravaram versões desta canção.
Cole Albert Porter (1891-1964) é considerado um dos mais prolíficos compositores do Great American Songbook. Da sua obra destacam-se as comédias musicais Kiss me, Kate, Anything Goes e as canções Night and Day e I’ve got you under my skin, ainda trauteadas pelas gerações de hoje e utilizadas frequentemente na comunicação de publicidade. Em cartaz, no Centro Cultural de Lagos, inclui-se a obra Night and Day do musical Gay Divorce, protagonizado por Fred Astaire na Broadway, em 1932.
Richard Charles Rodgers (1902-1979) foi um dos grandes compositores de comédias musicais trabalhando frequentemente em parceria com Lorenz Hart e Óscar Hammerstein II. Escreveu mais de 900 canções editadas e cerca de 40 musicais para a Broadway. Oklahoma! (1943) foi a primeira peça de teatro musical que compôs com Óscar Hammerstein II. Juntos assinaram as bandas sonoras dos filmes The King and I e The Sound of Music. De Oklahoma!, filme realizado por Fred Zinneman e protagonizado por Gloria Grahame e Gordon McRae, em 1943, destaca-se a interpretação dos números «Out Of My Dreams» e «Oklahoma».
John Harold Kander (n. 1927) compôs uma série absolutamente notável de peças de teatro musicais, muitas vezes em parceria com Fred Ebb, de que é exemplo, o musical Cabaret estreado na Broadway em 1966. Mais recentemente, em 1979, assinou a banda sonora do filme Kramer vs. Kramer.
O filme New York, New York, realizado por Martin Scorcese (1977) e protagonizado por Liza Minnelli e Robert de Niro, viu-se ultrapassado pela glória que atingiu a canção tema do filme da autoria de Kander, especialmente a partir do momento em que foi gravada por Frank Sinatra dois anos depois da saída do filme. Em programa, estão as duas canções tema de New York, New York e Cabaret.
L’elisir d’amore
Gaetano Donizetti
L’elisir d’amore, «melodramma giocoso» em dois actos, com libreto de Felice Romani, foi das poucas óperas de Gaetano Donizetti, juntamente com Don Pasquale e Lucia di Lammermoor, a nunca sair do repertório habitual dos Teatros de ópera durante século e meio.
Apresentada ao público pela primeira vez no Teatro Cannobiana (hoje Teatro Lirico) em Milão, a 12 de Maio de 1832, onde foi recebida com enorme entusiasmo pelo público e com louvores da crítica, L’elisir d’amore estreou em Portugal, no Teatro de S. Carlos, apenas dois anos mais tarde, a 6 de Fevereiro.
Com encenação de Francesco Esposito, que já trabalhou com os mais conceituados nomes da encenação, tais como Pier Luigi Pizzi, Dario Fo ou Luca Ronconi, esta produção conta com um elenco de cantores que participa regularmente nas Temporadas Líricas do Teatro Nacional de São Carlos, nomeadamente, o tenor Mário João Alves, as sopranos Dora Rodrigues e Lara Martins e os barítonos Luís Rodrigues e Diogo Oliveira.
Argumento
Acto I
A cena representa a entrada de uma herdade
Ao fundo vê-se a campina, por onde corre um riacho em cujas margens algumas lavadeiras preparam a barrela. À sombra de uma grande árvore, Giannetta e vários ceifeiros e ceifeiras fazem a sesta. Adina está sentada à parte, a ler um livro, enquanto Nemorino a observa. Os ceifeiros tecem gabos à sombra da faia, contando que para as chamas do amor não há sombra nem água do rio capazes de as moderar. Nemorino contempla Adina, absorta na leitura. Quanto mais a vê, mais apaixonado se sente. Contudo não é digno de aspirar ao seu coração o mais leve afecto. Ela estuda, lê, aprende e não há coisa que desconheça ao passo que ele não deixa de ser um ignorante que apenas sabe suspirar. Adina solta uma gargalhada e mostra-se impressionada com a leitura da «História de Tristão» o que provoca a curiosidade de todos. Adina aceita ler-lhes a história e Nemorino aproxima-se do grupo de ceifeiros também para poder ouvir. «O Formoso Tristão almejava pela cruel Isolda, mas não tinha o menor vislumbre de esperança de vir a possuí-la um dia. Então dirigiu-se a um famoso feiticeiro que lhe deu a beber, numa taça, certo elixir de amor, graças ao qual a bela Isolda não mais lhe fugiu». Dirigindo-se aos ouvintes, Adina exclama: «Quem dera saber a receita e conhecer o fabricante de elixir de tão rara qualidade». Todos, em coro, repetem o seu desejo. Adina prossegue: «assim que bebeu um gole da taça mágica, logo o rebelde coração de Isolda se enterneceu. Mudada num instante, a cruel beldade tornou-se namorada de Tristão a quem viveu fiel, abençoando para sempre aquele primeiro gole».
Todos voltam a gabar a excelência do elixir e, a seguir, ouve-se rufar um tambor que anuncia a entrada de um pelotão de soldados comandados por Belcore. Todos se levantam, os soldados ficam no fundo, formados em linha e Belcore acerca-se de Adina a quem cumprimenta e oferece um ramalhete de flores ao mesmo tempo que a corteja de maneira alardeada: «Ofereço-lhe estas flores, encantadora aldeã, como Páris deu a maçã à mais formosa, mas sou mais feliz do que ele, porque alcanço, em paga, o seu coraçãozinho...». Adina regista a ousadia e Nemorino exterioriza o seu despeito, mas o «conquistador» continua a tagarelar: «Vejo nítido nesse rosto gentil que me insinuei no seu ânimo. Não é nada de admirar. Sou galante e sou sargento e não há beldade indiferente ao prestígio de uma farda. Se até a mãe do Amor não resistiu a Marte, o deus da guerra! Ora se a menina gosta de mim, como eu gosto de si, não há razão para guardar para mais tarde o render da praça? Minha querida o melhor é capitularmos já e assentarmos o dia da boda».
Adina, lisonjeada, responde-lhe que não tem pressa, ao passo que Nemorino, sempre tímido, diz para si que morrerá de desespero se eles casarem. O sargento, porém, continua o assédio: «Não há tempo a perder, porque as horas e os dias voam. No amor e na guerra é erro atrasar as acções e, por isso, ela deve submeter-se ao vencedor». A azougada moça chama a atenção de todos para a bazófia de Belcore, que canta vitória antes de entrar em combate e a toma por uma praça de fácil conquista. Nemorino maldiz o seu
temperamento acanhado e os ceifeiros comentam o caso tendo em conta a sagacidade de Adina e o desplante do sargento, que se instala e pede licença para os soldados descansarem debaixo de telha. Adina concede graciosamente e manda prosseguir os trabalhos agrícolas.
Todos vão à sua vida e Nemorino aproveita o ensejo para se dirigir à dona dos seus pensamentos, que o recebe com sete pedras na mão: a maçada habitual, os suspiros de sempre. Era melhor que fosse para a cidade, para o pé do tio que dizem estar muito doente! Adina diz a Nemorino que não suspire por ela pois a sua natureza caprichosa e inconstante resultaria numa desilusão para os dois. A praça da aldeia. De um lado fica a Estalagem da Perdiz. Os aldeões cirandam na sua azáfama e não tarda a ouvir-se um toque de buzina que, por inusitado, põe em rebuliço a rotina patriarcal da terra. Mordido pelo bichinho da curiosidade as mulheres saem de casa; os homens não tardam em vir à coca do que se passa. O caso não é para menos. Vem aí um forasteiro, que viaja em carruagem dourada com tudo muito bem posto. É, com certeza,
grande personagem, talvez um barão, ou um duque. E toda a gente tira o chapéu quando o carro entra, mostrando o Dr. Dulcamara, em pé, com as mãos cheias de prospectos e garrafinhas, Atrás dele um criado, que toca buzina. Mal a carruagem pára, a multidão envolve-a para escutar o palavreio do pantomineiro que apresenta uma infindável lista de elixires milagrosos: «Ouvi, boa gente do campo! Atenção! Calados, por favor! Já de antemão suponho e tenho para mim que todos sabeis que sou o grande médico, doutor enciclopédico, chamado Dulcamara». Uma vez desfeita a aglomeração, Nemorino diz para consigo se não teria sido obra do céu a vinda daquele homem com os seus portentos. Aproxima-se e pergunta-lhe se é verdade que possui segredos maravilhosos. Em vista da resposta, Nemorino indaga se ele tem a bebida amorosa da rainha Isolda e, ante a perplexidade de Dulcamara, esclarece que se trata do estupendo elixir que faz nascer o Amor. Refeito do pasmo, o Charlatão declara-se inventor do elixir. Fazem negócio e Dulcamara apanha ao ingénuo Nemorino nada menos que um cequim por uma garrafa do mágico licor. Nemorino prova o elixir, mas como gosta de beber não tarda a sentir um calor estranho e uma alegria súbita a apossar-se dele. Adina surpreende-o, já com um «grão na asa», e espanta-se de o ver naquela figura. Pasmada, pergunta-lhe se ele está a experimentar os conselhos que ela lhe deu. O ar atrevido do rapaz e a segurança como ele afirma que dentro de um dia tudo estará sanado, desconcertam-na. Chega o sargento Belcore falando, como sempre, no amor e na guerra. Adina, por despique, mete-se com ele e dá-lhe a entender que estará disposta a casar o mais depressa possível. Nemorino irrita-se, mas não se desmancha. Giannetta e as raparigas comentam o caso a seu modo e Adina e Belcore convidam todos para o festim do casamento.
Acto II
A acção decorre no interior da herdade de Adina. De um lado está posta a mesa, do outro, os músicos do regimento tocam as trombetas em cima de uma espécie de coreto. Adina, Belcore, Dulcamara e Giannetta estão abancados e a gente da aldeia bebe e canta brindando aos noivos. Dulcamara propõe-se cantar com Adina uma cançoneta de sua lavra, muito graciosa e que agradará por certo. Entretanto chega o tabelião a fim de se lavrar o termo do casamento. Nemorino, desesperado, pede ajuda a Dulcamara. Este propõe vender-lhe nova garrafa de elixir. Não tendo dinheiro, Nemorino resolve fazer-se soldado junto de Belcore e, assim, receber dinheiro pelo alistamento. Um grupo de aldeãs assedia Giannetta, que acaba de saber uma incrível notícia: o tio de Nemorino morreu deixando a fortuna ao sobrinho! Nemorino, ainda desconhecedor da herança, aproxima-se convencido de já estar a beneficiar dos efeitos do elixir. Ao vê-lo todas as raparigas cercam o «melhor partido» da região. Nemorino atribui o descabelado cortejar das aldeãs aos efeitos do elixir e mal consegue conter o seu contentamento. Dulcamara e Adina chegam, cada qual de seu lado e ficam estupefactos com a jovialidade do quadro que presenciam. Dulcamara cai das nuvens e começa a admitir a hipótese de ser de facto fabricante de um filtro mágico, em vez de ter impingido a Nemorino gato por lebre, isto é: vinho de Bordéus pelo elixir da rainha Isolda. Adina perde a cabeça, interrompe o baile e diz a Nemorino que Belcore lhe participara que ele, na mira de apanhar alguns escudos, ia para soldado. Adina pede a Nemorino que reflicta e desista da ideia o que o leva a crer que o elixir resulta e resolve mostrar-lhe algum desprezo. Adina começa a aperceber-se de que, sem o suspeitar, sempre gostara de Nemorino e sofre por não ter coragem de lho dizer. Nemorino sai com Giannetta e Adina fica com o charlatão que acaba por contar que vendeu o elixir a Nemorino para que conquistasse a sua amada. Saem os dois, entra Nemorino. Adina reaparece e dirige-se a Nemorino com algum atrevimento.
Adina confessa ter resgatado o papel que o prendia a Belcore por se ter apercebido do seu amor. Belcore apercebe-se do romance entre Adina e Nemorino, mas aceita a situação filosoficamente – centenas de mulheres esperam por ele! Atribuindo a felicidade de Nemorino ao elixir, Dulcamara vende dezenas de frascos do elixir antes de desaparecer.
Alfredo Furiga
Ao longo da história do Teatro Nacional de São Carlos diversos cenógrafos italianos colaboraram nas produções operáticas ali realizadas. Desde Antonio Baila, elemento fundamental nos dois primeiros anos de existência do Real Theatro de São Carlos, a figuras como Luigi Manini ou Samarini que, juntamente com outros nomes de igual importância, escreveriam uma página de alto valor artístico na cultura operática portuguesa. Um dos cenógrafos que no século XX se destacou no Teatro Nacional de São Carlos foi o italiano Alfredo Furiga.
Nascido a 23 de Fevereiro de 1903 na comunidade de Besozzo, nas proximidades de Varese, iniciou os seus estudos de cenografia nos anos Vinte na Accademia di Belle arti em Brera. O futuro promissor do jovem cenógrafo levou-o a aperfeiçoar-se com V. Rota e A. Parravicini, culminando numa colaboração com F. Cilea para a Metropolitan Opera de Nova Iorque. Os anos Vinte foram produtivos e ricos em experiências internacionais, marcados pela cenografia de Turandot e Tosca no Covent Garden de Londres e La Bohème na Sydney Opera House. As suas ideias no domínio da cenografia seguiam o rumo da experimentação e inovação, aproximando-se muito da criação dos grandes e contrastantes efeitos cénicos de Pericle Ansaldo e da sua ideia de «palcoscenico meccanico». Em 1927, e no ano seguinte, teve a oportunidade de trabalhar e de aplicar o seu génio criativo no novo teatro de ópera de Roma em produções como La Cena delle beffede S. Benelli, La Fredade I. Pizzetti e Tosca de G. Puccini.
Imbuído no clima futurista que reinava em Itália, Furiga desenvolveu a sua faceta de pintor numa estética que inicialmente se exprimia através da natureza e da descrição da paisagem, mas que foi de encontro aos primeiros e segundos futurismos da chamada «escola romana», sempre marcado pelas experiências teatrais, como demonstra nas pinturas celebrativas ao obelisco erguido a Mussolini. Já nos anos Trinta expôs na II Quadrennale d’arte nazionale di Roma (1935) com o quadro Lineee na Mostra internazionale di
Scenotecnicada VI Triennale di Milano (1936).
O início dos anos Quarenta foi particularmente marcado pela preparação de uma sala na Mostra triennale delle terre d’Oltremare e del lavoro italiano nel mondo e, em colaboração com A. Apolloni, A. De Santis, G. Omiccioli e F. Scattola, pela participação na XLIV Mostra della Galleria de Roma. A temática baseada no ambiente suscitado pelas ruínas romanas da Roma Antiga e a temática religiosa marcaram os seus trabalhos indo ao encontro de uma estética nacionalista incitada pela situação política italiana, embora os críticos reconheçam nas obras deste período alguns elementos do expressionismo.
A sua vida artística e as movimentações no meio político conduziram-no, em 1946, ao Teatro Nacional de São Carlos que reabrira as portas seis anos antes e que contava agora com Alfredo Furiga no cargo de Direcção de Cenografia. Apesar das suas colaborações com Itália, o cenógrafo trabalhou com a Ópera de Lisboa até 1970, tendo sido distinguido em 1952 pelo seu trabalho aquando da exposição na Mostra triennale del Lavoro italiano nel Mundo, na qualidade de representante do Teatro Nacional de São Carlos. Para além dos trabalhos que apresentou no estrangeiro, a actividade no São Carlos confirmou sempre a expectativa e o talento deste cenógrafo, participando na produção cénica e desenho de luzes de um elevado número de óperas. Morreu com 69 anos, em Roma, no dia 3 de Junho de 1972.
Biografias
DE VIENA À BROADWAY
Giovanni Andreoli direcção musical
Estudou Piano, Composição e Direcção Coral e de Orquestra. Iniciou a sua actividade na qualidade de maestro residente. Na qualidade de maestro de coro colaborou na RAI de Milão, Arena de Verona, e Teatros La Fenice de Veneza e Carlo Felice de Génova. Trabalhou com os maestros Delman, Muti, Chailly, Barshai, Karabtchevsky, Arena, Santi, Campori, R. Abbado e Renzetti. Na Biennale Musica de Veneza estreou mundialmente obras de Guarnieri, De Pablo, Clementi e Manzoni.
Dirigiu os Carmina Burana e a Petite Messe solennelle (Coro e Orquestra do La Fenice), repondo esta última no Teatro Municipal de São Paulo. Seguiu-se «L’esperienza corale nel ‘900 italiano» (Dallapiccola, Rota e Petrassi). De 1998 destacam-se: L’elisir d’amore em Rejkjavik; Missa da Coroação (Mozart) e Missa n.º 9 (Haydn), em São Paulo; Via Crucis de Liszt (Orvieto); Les Noces (Stravinski), no Festival de Granada; Otello (Rossini), no Theater an der Wien; e a primeira audição moderna da Missa Amabilis e Missa Dolorosa de Caldara (Orquestra e Coro do La Fenice). Em 1999 dirigiu Il barbiere di Siviglia (Teatro dei Vittoriale, Gardone-Riviera),
La traviata (Teatro Real de Copenhaga), Una cosa rara de Soler (Teatro Goldoni, Veneza). Em 2000 dirigiu duas produções de La Bohème, uma no Teatro Grande de Brescia com Giuseppe Sabbatini, e outra em Lanciano, com a Orquestra Giovanile Internazionale. Gravou para a BMG Ricordi, Fonit Cetra e Mondo Musica Munchen; Orfeo cantando... tolse (A. Guarnieri) na RAI de Florença (1996); e os Carmina Burana com a Companhia do Teatro La Fenice. Desde 1994 que é o responsável artístico pela Temporada Lírica do Teatro Grande de Brescia.
Kodo Yamagishi piano
Nascido no Japão em 1971, estudou na Universidade de Música de Viena, na classe de direcção musical de U. Lajovic, onde obteve o mestrado. Naquela época trabalhou como correpetidor e maestro em produções de óperas e dirigiu a Orquestra Pró-Arte de Viena. Participou ainda nas master classes de direcção, piano e interpretação de Lieder em Viena, no Cairo, em Weimar e com Dietrich Fischer-Dieskau em Estugarda. Desde 1997 que actua como assistente nas master classes do maestro E. Acel.
Foi maestro assistente em produções de óperas no Festival de Verão de Klosterneuburg, no Festival Haydn de Eisenstadt e no Opern Air em Gars am Kamp. Em 2002 dirigiu L’Enfant et les sortilèges na Alemanha e também a Orquestra de Salão de Merano (Itália).
De 2002 a 2004 trabalhou como maestro correpetidor e Kapellmeister no Pfalztheater em Kaiserslautern (Alemanha), onde teve oportunidade de dirigir 22 récitas de óperas. Em 2004 dirigiu a Orquestra Nacional da Cidade de Oradea, na Roménia, e desde a temporada 2004/05 é maestro assistente do Coro do Teatro São Carlos, de Lisboa.
Foi vencedor do Prémio «Finalista» (2.º lugar) do II Concurso International de Direcção de Orquestras e Prémio «OSESP” em São Paulo.
Coro do Teatro Nacional de São Carlos maestro titular Giovanni Andreoli
Criado em condições de efectividade em 1943, sob a direcção de Mario Pellegrini, o Coro cumpre uma fase intensiva de assimilação do grande repertório operístico e de oratória. Entre 1962 e 1975 colabora nas temporadas da Companhia Portuguesa de Ópera, sediada no Teatro da Trindade, deslocando-se com a mesma à Madeira, aos Açores, a Angola e a Oviedo (1965), a convite do Teatro Campoamor, e obtém o Prémio de Música Clássica conferido pela Casa da Imprensa.
Participa em estreias mundiais de autores portugueses, casos de Fernando Lopes Graça
(D. Duardos e Flérida) e António Victorino d’Almeida (Canto da Ocidental Praia). Em 1980 é criado um primeiro núcleo coral a tempo inteiro, sendo a profissionalização do Coro consumada em 1983, sob a direcção de Antonio Brainovitch. A plena afirmação artística do conjunto será creditada a Gianni Beltrami, que assume a direcção em 1985 e beneficia de condições de trabalho até então inéditas em Portugal. Nesta fase assinalam-se as seguintes intervenções: Oedipus Rex (Stravinski); Ascensão e Queda da Cidade de Mahagonny (Weill); Kiú (De Pablo); L’Enfant et les Sortilèges (Ravel); e Dido and Aeneas (Purcell). Registe-se a participação em Grande Messe des Morts (Berlioz), em Turim, a convite da RAI. Depois da morte de Gianni Beltrami, João Paulo Santos assume a direcção, constituindo-se como o primeiro português no cargo em toda a história do Teatro de São Carlos. Sob a sua responsabilidade registam-se êxitos, tais como: Mefistofele (Boito); Blimunda e Divara (Corghi); Sinfonia n.º 2 (Mahler), com a Orquestra da Juventude das Comunidades Europeias; Die Schöpfung (Haydn); Faust e Requiem (Schnittke); Perséphone e Le Rossignol (Stravinski); Evgeni Onegin (Tchaikovski); Les Troyens (Berlioz); Missa Glagolítica (Janácek); Tannhäuser e Die Meistersinger von Nürnberg (Wagner); e Le Grand macabre (Ligeti). Com o Requiem de Verdi o Coro desloca-se a Bruxelas, no quadro da Europália (1991). No âmbito da Expo-98 actuou no concerto de encerramento.
O conjunto tem actuado sob a direcção de algumas das mais prestigiadas batutas, tais como Antonino Votto, Tullio Serafin, Vittorio Gui, Carlo Maria Giulini, Oliviero de Fabritiis, Otto Klemperer, Molinari-Pradelli, Franco Ghione, Alberto Erede, Alberto Zedda, Georg Solti, Nello Santi, Nicola Rescigno, Bruno Bartoletti, Heinrich Hollreiser, Richard Bonynge, García Navarro, Wolfgang Rennert, Rafael Frühbeck de Burgos, Franco Ferraris, James Conlon, Harry Christophers, Michel Plasson e Marc Minkowski, entre outros. Também foi dirigido em óperas e concertos pelos mais importantes maestros portugueses, com relevo especial para Pedro de Freitas Branco.
L’ELISIR D’AMORE
Cesário Costa direcção musical
Nasceu em 1970. Tem vindo a distinguir-se em Portugal como um dos mais activos maestros da sua geração. Realizou os seus estudos musicais em Paris, onde concluiu o Curso Superior de Piano, e na Alemanha, onde completou com a nota máxima a Licenciatura e o Mestrado em Direcção de Orquestra na Escola Superior de Música de Würzburg, na classe do Prof. Hans-Rainer Foerster. Em 1997 foi o vencedor do III Concurso Internacional Fundação Oriente para Jovens Chefes de Orquestra. Nesse mesmo ano foi bolseiro do Festival de Música de Bayreuth. Como maestro convidado, dirigiu a Royal Philharmonic Orchestra, a Orquestra Sinfónica de Nuremberga, Orquestra Sinfónica Portuguesa, a Orquestra Gulbenkian, a Orquestra Nacional do Porto, a Orquestra Metropolitana de Lisboa, o Remix Orquestra, o Ensemble für Neue Musik (Würzburg), a Arhus Sinfonietta (Dinamarca), a Orquestra Filarmónica da Macedónia, a Filarmonia Sudecka (Polónia), a Filarmonia Rzeszów (Polónia), a Orquestra de Extremadura (Espanha), Orquestra Sinfónica de Liepaja (Letónia), a Orquestra do Algarve, a Orquestra do Norte, a Filarmonia das Beiras, entre outras orquestras. Apresentou-se também em Espanha, França, Andorra, Alemanha, Escócia, Bélgica, Inglaterra, Dinamarca, Macedónia, Polónia e Brasil.
Participou em inúmeros Festivais de Música, destacando-se Atlantic Waves (Londres), Aberdeen (Escócia), Arhus (Dinamarca), Neerpelt (Bélgica), Dresden (Alemanha), Murcia (Espanha), Estoril, Sintra, Póvoa do Varzim, Espinho, Leiria, Mafra.
O seu repertório estende-se do barroco ao contemporâneo, incluindo mais de quarenta obras em estreia absoluta. Colabora regularmente com o Teatro Nacional de S. Carlos, Casa da Música (Porto), Teatro da Trindade, Teatro S. João, Centro Cultural de Belém, e Fundação de Serralves.
É professor na Universidade Católica Portuguesa e prepara o doutoramento na Universidade Nova de Lisboa sobre o Maestro Pedro de Freitas Branco. Foi agraciado com a medalha de mérito cultural pelo Município de Vila Nova de Gaia. Actualmente é Director Artístico da Orquestra do Algarve e dos Concertos Promenade do Coliseu do Porto. É Maestro Titular da Orquestra Clássica de Espinho e da OrchestrUtopica.
Francesco Esposito cenografia e figurinos
Iniciou a sua carreira no Teatro Petruzzelli de Bari como assistente de Pizzi, Ronconi, Crivelli, Lavia Bolognini, Lattuada, Fo. A sua abordagem ao teatro caracterizada por um estudo aprofundado das fontes e do conhecimento das exigências do teatro lírico, permitiu-lhe afirmar-se em inúmeras e prestigiadas ocasiões dentro e fora do seu país.
A sua concepção do teatro lírico parte da colaboração imprescindível com o cenógrafo, maestro e cantores, exprimindo-se através de uma observação atenta das personagens, de uma análise dos sentimentos e procura de emoções.
Em primeiro lugar surge a lealdade ao texto e ao autor filtrada por uma cuidada interpretação crítica cujo objectivo é o de destacar as componentes fundamentais do espectáculo e da comunicação.
Já assinou a encenação e os figurinos de cerca de 100 espectáculos, a saber: Lucia di Lammermoor no Teatro Regio de Turim, Maria Stuarda na Ópera de Roma onde também encenou Carmen para a inauguração das termas de Caracalla, Rigoletto no Teatro Massimo de Palermo, Il mondo della luna na Ópera de Nice e Norma na Ópera de Marselha.
Colaborou, entre outros, com os teatros de Bolonha, Florença, Nápoles, Reggio Emilia, Modena, Dortmund, Tóquio, Seul, Las Palmas, Tenerife e Dordrecht. É fundador da Accademia Harmonica de Modena.
Pedro Martins desenho de luz
Concluiu o Curso Industrial na Casa Pia de Lisboa, após o que ingressou no Teatro Nacional de São Carlos (1969), ocupando desde 1989, o cargo de Chefe do Departamento de Electricidade. Aperfeiçoou-se em Inglaterra tendo já trabalhado com os encenadores Wolf-Siegfried Wagner, Paolo Trevisi, Ferruccio Villagrossi, Stefano Vizioli, Aidan Lang, Robert Bryan, Paulo Ferreira de Castro, Tito Celestino da Costa, Pedro Wilson, e com o coreógrafo Rui Lopes Graça.
Desde 1993 que colabora nas temporadas do Teatro Nacional de São Carlos, tendo desenhado luzes para as seguintes óperas: La Cenerentola (Rossini), La Spinalba (Francisco António de Almeida), Orfeo ed Euridice (Gluck), Fidelio (Beethoven), Idomeneo (W. A. Mozart), La Bohème (Puccini), I puritani (Bellini), Le Rossignol (Stravinski), Il trittico (Puccini), Il ritorno d’Ulisse in patria (Monteverdi), Os Dias Levantados (António Pinho Vargas), Les Troyens (Berlioz), Orphée aux enfers (Offenbach), tendo colaborado também em Lady, be Good! (2002) e O Nariz (2006).
Participou noutras produções, a saber: La traviata (Lisboa 94), no Coliseu dos Recreios; King Arthur (Purcell), no CCB; e Porgy and Bess, no Pavilhão Atlântico.
Para a Companhia Nacional de Bailado, destaque-se a sua colaboração em Petruchka, Concerto (Kenneth MacMillan), A Midsummer Night’s Dream e Dançares, este último em estreia absoluta. Na temporada de 1996 colaborou na Direcção Técnica do Instituto Português de Bailado (CNB).
Mário João Alves tenor
Nasceu em Perafita. Realizou os seus estudos de Canto com Fernanda Correia, nos Conservatórios do Porto e Gaia.
Das suas interpretações operáticas destacam-se: Nemorino (L’elisir d’amore); Ferrando (Così fan tutte); Tamino (Die Zauberflöte); Conde d'Almaviva (Il barbiere di Siviglia); Albert (Albert Herring), Herr M. (Neues vom Tage); Paolino (Il matrimonio segreto); Sempronio (Lo Speziale); L’arithmetique, La Rainette, La Théière (L’Enfant et les sortilèges); Dom Gilvaz (Guerras de Alecrim e Manjerona); Proteu (As Variedades de Proteu); Agenore (Il Re Pastore) e Governador (O Doido e a Morte).
Em 2005/06 interpretou Captain MacHeath (Beggar's Opera) Teatro Aberto; Nemorino (L’elisir d’amore) em Tóquio, Kyoto, Sapporo e Takamatsu; Pedrillo (Die Entführung aus dem Serail) no São Carlos, Teatro Piccinni di Bari e Quincena de San Sebastian; Aronne (Mosè in Egitto) Teatro Verdi di Sassari; Conde Almaviva (Il barbiere di Siviglia) e Ivan (O Nariz) no São Carlos e Monostatos (Die Zauberflöte) no Teatro La Fenice em Veneza.
Na temporada de 2006/2007 apresentou-se no Teatro Nacional D. Maria II, Teatro Nacional de São Carlos, Fraschini di Pavia, Sociale di Como, Regio de Turim, BAM de Nova Iorque, e La Monnaie de Bruxelas.
No Teatro Micaelense cantou em “Regresso à Broadway”, “Concerto de Natal” com o Coral de S. José, e Missa da Coroação de Mozart, com a Orquestra e Coro Gulbenkian.
Dora Rodrigues soprano
Nascida em Braga, diplomou-se no Conservatório Calouste Gulbenkian de Braga e na Escola Superior de Música do Porto. Estreou-se com o CPO, em 1998, no papel de Frasquita (Carmen), dando início a uma série de colaborações. No Teatro São Carlos interpretou Elisetta (Il matrimonio segreto), Blumen (Parsifal), St. Theresa I (Four Saints in Three Acts), Echo (Ariadne auf Naxos) numa produção também apresentada em Modena e Ferrara, Wellgunde (Das Rheingold) e Waltraute (Die Walküre), com a assinatura de Graham Vick, Despina (Così fan tutte), assim como em vários concertos integrados no âmbito das Temporadas Sinfónicas. Em outras produções interpretou Gretel (Hänsel und Gretel), Polly (The Beggar’s Opera), Susanna (Le nozze di Figaro), Pamina (Die Zauberflöte), Musetta (La Bohème) e Lucinda (Don Chisciotte), produção apresentada no Teatro de la Maestranza em Sevilha.
Em 2002 cantou ao lado de José Carreras num tributo em sua homenagem na cidade de Coimbra.
Obteve o 1.º Prémio (categoria de Ópera), no II Concurso Internacional de Canto «Tomaz Alcaide». Foi-lhe atribuído o Prémio «Ribeiro da Fonte» – 2001 pelo Ministério da Cultura.
Luís Rodrigues barítono
Estudou no Conservatório Nacional e na Escola Superior de Música de Lisboa. Em 1995 foi laureado com o 1.º Prémio no II Concurso de Interpretação do Estoril e ganhou, com o pianista David Santos, o Prémio Jovens Músicos da RDP (Música de Câmara). Em 1996 foi vencedor do 4.º Concurso de Canto «Luísa Todi».
Intérprete de reconhecida versatilidade tem-se afirmado no domínio da ópera em papéis como Schaunard (La Bohème), Masetto (Don Giovanni), Conde Robinson (Il matrimonio segreto), St. Ignatius (Four Saints in Three Acts), Harlekin (Ariadne auf Naxos), Ping (Turandot), Bustamante (La Navarraise), Figaro (Il barbiere di Siviglia) e Guglielmo (Così fan tutte) no Teatro Nacional de São Carlos; Mr. Gedge (Albert Herring) e Eduard (Neues vom Tage) no Teatro Aberto; Semicúpio (Guerras do Alecrim e Mangerona) no Acarte, Teatro da Trindade e Teatro Nacional D. Maria II (Prémio Bordalo da Imprensa 2000 para Música Erudita); Marcello (La Bohème) com o Círculo Portuense de Ópera e a Orquestra Nacional do Porto no Coliseu desta cidade; Tom (The English Cat) com a Cornucópia e a ONP no Rivoli e São Carlos; Papagueno (Die Zauberflöte) na Fundação Calouste Gulbenkian, Giorgio Germont (La traviata) e o papel titular de Don Giovanni com a Orquestra do Norte; Belcore (L’elisir d’amore) e Figaro (Il barbiere di Siviglia) com a Eventos Ibéricos e a ON. Em Dezembro de 2005 interpretou o papel de Yoshio, na estreia em Portugal da ópera Hanjo (Toshio Hosokawa), na Culturgest, em co-produção com o São Carlos.
Diogo Oliveira barítono
Nascido em Lisboa, é licenciado em Engenharia da Linguagem e do Conhecimento pelas Faculdades de Ciências e de Letras da Universidade de Lisboa. Frequentou o curso de Canto da Escola de Música do Conservatório Nacional na classe de José Carlos Xavier. Realizou concertos no Salão Nobre do Teatro Nacional de São Carlos, Museu da Música, Palácio Foz, Culturgest, CCB, Zénith de l'Agglo de Rouen, entre outros. Participou em Master Classes de canto e interpretação com Sarah Walker e Low Siew-Tuan.
Em recital apresentou, recentemente, com Nuno Vieira de Almeida, no Teatro S. Luís os ciclos: Schwannengesang de Schubert e Sea Pictures de Elgar. Desempenha o papel de Phantom na produção alemã da opereta Das Phantom der Oper (O Fantasma da Ópera) em digressão pela Alemanha, com a qual actuou em mais de 120 salas de espectáculo e recintos ao ar livre, de entre as quais se destaca a Müchen Filarmonie.
Em 2005 foi vencedor do primeiro prémio do Concurso Nacional de Canto Luísa Todi. Estreou-se no papel de Marullo (Rigoletto) sob a direcção de Manuel Ivo Cruz. Interpretou Papageno (Die Zauberflöte), com encenação de Jorge Listopad, no Teatro da Trindade, no Centro Cultural de Cascais, Conde de Fricandó (As Damas Trocadas), sob a direcção de Armando Vidal em Setúbal, Masetto (Don Giovanni), e Figaro (Le nozze di Figaro) sob a direcção de José Ferreira Lobo.
No Teatro Nacional de São Carlos interpretou Montano (Otello), sob a direcção de Antonio Pirolli, Fiorello (Il barbiere di Siviglia), sob a direcção de Jonathan Webb, Lacaio, Oitavo Polícia, Primeiro Criado, Sexto Camarada e Sexto Estudante (O Nariz), Sob as direcções de Donato Renzetti e João Paulo Santos.
Lara Martins soprano
Nasceu em Coimbra onde iniciou os estudos musicais. Como bolseira da Fundação Calouste Gulbenkian, terminou o Curso Superior de Canto com a mais alta classificação, sob a orientação de Laura Sarti, na Guildhall School of Music and Drama (Londres). Em 2002 integrou o grupo de solistas do Centro Francês de Artistas Líricos em Marselha (2002/03). Foi premiada em diversos concursos internacionais de canto, destacando-se o Prémio «Donizetti» atribuído por Fiorenza Cossotto no Concurso «Jaumme Aragall» (Espanha). A sua actividade solista abrange vários registos de repertório desde a ópera à canção, passando pela música sacra. Em concerto cantou na Europa, destacando-se a participação no Festival Internacional de Música «Tibor Varga» na Suíça (Bachianas Brasileiras de Villa Lobos), em Marselha (Sete Canções Populares Espanholas de Falla), com a Orquestra Filarmónica de Marselha; foi solista num recital na Fundação Calouste Gulbenkian (Ciclo de novos intérpretes). No domínio da ópera, interpretou os seguintes papéis: Sofia (Signor Bruschino) na Ópera Nacional de Bordeaux; Susanna (Le nozze di Figaro) no Teatro da Trindade; Voz na Igreja/Vendedeira/Mulher (O Nariz); Elvira (L’italiana in Algeri) no Teatro Nacional de São Carlos; Princesa Hirvaia (Dick Whinttington, Offenbach) no Bloomsbury Theatre (Londres); Paracha (Mavra) no CAM da Fundação Calouste Gulbenkian e Festival de Música da Madeira; Blondchen (Die Entführung aus dem Serail) na Ópera de Marselha; Adina (L’elisir d’amore) na Clonter Opera de Manchester; Frasquita (Carmen) em digressão pelo Reino Unido; Primeira Ninfa (Rusalka) em digressão pelo País de Gales; Despina (Così fan tutte) na Swansea City Opera; Annina (La traviata) no CAE da Figueira da Foz numa produção do São Carlos. Participou em galas de ópera no Vilar Floral Hall (Royal Opera House Covent Garden) e nas Óperas de Avignon e Toulon.
+ Informações:
Fonte: Teatro Micaelense
Autor: Alexandre Pascoal
Data: 2007-09-04 15:55:24
Visualizações: 1032
Autor: Alexandre Pascoal
Data: 2007-09-04 15:55:24
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