Governo contesta tarifas de carga da TAP mais caras para os Açores
O secretário regional da Economia considerou sábado, no encerramento do XI Congresso da Associação Portuguesa de Transitários, “não fazer sentido que, em ambiente de serviço público, duas companhias aéreas – SATA e TAP – pratiquem preços diferenciados para a carga”, contestando as tarifas mais elevadas praticadas pela transportadora nacional.


Embora reconhecendo que “os combustíveis afectam os custos das companhias”, Duarte Ponte alertou para o facto de não ser “correcto que a TAP aplique uma taxa de combustíveis que representa 60% do custo da tarifa da carga”, garantindo que “no próximo quadro regulador das obrigações de serviço público” o governo dos Açores procurará “corrigir este aspecto”.

Perante uma plateia de transitários, o responsável pela pasta da economia nos Açores, considerou que, “mais do que a distância que nos separa, é a nossa dimensão que encarece o transporte”, uma vez que, em mercados pequenos como o nosso, “é mais caro transportar uma tonelada das Flores para o Corvo separados, entre si, pela pequena distância de 15 milhas, do que transportar de Lisboa para os Açores na distância de 800 milhas”.

“Hoje as distâncias medem-se em unidades de tempo. Ninguém se preocupa em saber a quantos quilómetros está uma mercadoria do seu destino final”, sublinhou Duarte Ponte, alegando que o mais importante é a “informação que nos diz quantos dias ou horas leva a chegar ao consumidor”.

Para o governante “a rotatividade dos produtos” leva a que os “stocks” sejam “reduzidos ao mínimo pelo que o tempo é crucial”, lembrando que a maioria das “lojas, instaladas nos centros comerciais, têm como armazém, apenas, o que está à vista do consumidor e por isso a importância do tempo na entrega de uma mercadoria”.

O que todos desejam é “ o cumprimento do prazo de entrega” para, só depois, vir a “preocupação do preço”, sustentou.

Relativamente aos custos do transporte marítimo de mercadorias, Duarte Ponte disse não ter dúvidas que “os custos portuários são ainda elevados”, acrescentando que “apesar da pequena dimensão dos portos dos Açores, eles são mais baratos do que os portos de Lisboa e de Leixões e muito mais baratos do que o da cidade do Funchal”.

“Enquanto não houver uma revolução ao nível da União Europeia sobre o sistema corporativo, pelo qual ainda se regem os portos europeus, não é possível ir muito mais além na racionalização dos custos”, disse.

Segundo Duarte Ponte, “neste mundo, cada vez mais global, o transitário é alguém a quem o exportador ou o importador confia, é aquele que fornece, em cada momento, ao seu cliente a melhor proposta disponível no mercado” que, no caso dos Açores, representa “cerca de duzentos e quarenta e dois mil consumidores, espalhados em nove ilhas”.

O secretário regional da Economia deu a conhecer alguns detalhes do sistema de transporte marítimo de mercadorias açoriano, indicando que “São Miguel detém 54% da população e origina cerca de 61% dos movimentos de carga e descarga nos portos dos Açores. A Terceira, vem a seguir com 23% da população dos Açores e 25% do movimento carga e descarga e as ilhas do Triângulo – Pico, S. Jorge e Faial, detendo 16% da população são responsáveis por 11% da carga e descarga nestes mesmos portos”.

“É, pois, natural que todos os armadores se desloquem semanalmente a São Miguel e à Terceira e que façam um toque semanal numa ou mais ilhas do triângulo consoante a carga que têm de transportar para estas ilhas, como também é natural que se entendam de forma a racionalizar os seus equipamentos e façam o transbordo dos contentores para o armador que tem mais carga para uma determinada ilha do triângulo”, acrescentou.

Duarte Ponte não se mostrou favorável à criação de uma “placa giratória artificial nos Açores”, sustentando que “fazê-lo é ir contra as regras do mercado que é quem dita a importância dos portos dos Açores”.

“Estamos demasiado afastados para sermos uma plataforma logística intercontinental. Não temos capacidade concorrencial com portos cuja dimensão do seu próprio mercado interno os ajudam a ter sinergias impensáveis nos Açores”, acrescentou.

“Os armadores têm vindo a investir fortemente em novos navios, porque sabem que, com as regras existentes, esta é a melhor forma de servir as nove ilhas dos Açores”, afirmou, destacando a importância “dos armadores de tráfego local, que operam “ilhas de Santa Maria e Graciosa, mesmo nas Ilhas do Triângulo e entre as Flores e o Corvo”.

Esses armadores “são imprescindíveis para o bom funcionamento da actividade económica destas ilhas” e, por isso mesmo, o governo dos Açores criou, no novo quadro comunitário, incentivos que permitem a renovação das respectivas frotas, indicou.




Fotografia: GaCS/Luís Filipe Cabral

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Fonte: GaCS/AP/LFC
Data: 2007-10-07 15:52:01
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