Matemática tem papel central no desenvolvimento equilibrado
O secretário regional da Economia afirmou hoje, em Angra do Heroísmo, que os cursos tecnológicos e de engenharia, assentes em larga escala na Matemática, são essenciais à formação de recursos humanos que garantam a estabilidade de uma sociedade desenvolvida e equilibrada.


Duarte Ponte falava na cerimónia de encerramento do PROFMAT, cuja edição de 2007 decorreu esta semana na cidade património mundial, com o apoio do Governo dos Açores, reunindo mais de meio milhar de professores da Matemática da Região, do País e do estrangeiro.

O governante sublinhou que “sem recursos humanos qualificados, não é possível ter empresas capazes de competirem num mundo cada vez mais global”, acrescentando que “o que se faz hoje no ensino tem efeitos no médio e no longo prazo”, pelo que “a estratégia para o desenvolvimento de um País está intimamente ligada à qualidade do seu ensino”.

No caso concreto da Matemática, o secretário regional manifestou-se convicto de que o antigo paradigma de ensino da disciplina está a mudar e que “a sua imagem negativa tem vindo felizmente a terminar”, porquanto, “lentamente, mas seguramente, começaram a surgir também bons alunos e boas notas” nesta área do conhecimento.

“Provavelmente, cometeram-se erros no passado porque os nossos alunos não são menos inteligentes do que os outros”, insistiu Duarte Ponte, acrescentando que “esse passado criou uma aversão à Matemática que ainda perdura e que deixou marcas na nossa sociedade”, uma vez que “os nossos melhores alunos foram e continuam a ir para os cursos de Medicina ou de Arquitectura e os cursos de Sociologia, de Assistência Social, de Psicologia e de Relações Internacionais, que não têm muitas disciplinas de matemática, suscitam uma enorme procura”.

No pólo oposto, encontram-se os cursos de Engenharia, de Física ou da própria Matemática, indicou, referindo-se ao facto de, para entrar no Instituto Superior Técnico ou na Faculdade de Engenharia do Porto, em Engenharia Civil, “um curso com elevada procura no mercado de trabalho, basta ter uma média de 12 ou de 13 valores, e há muitas Faculdades de Engenharia em que a média é apenas de 10”, enquanto que, “para entrar num curso de Enfermagem, onde já começa a haver algum desemprego, é necessário ter média de 16 ou de 17”.

É por isso que “nas próximas décadas teremos a nossa melhor massa cinzenta nas áreas da saúde ou de arquitectura, mas não nas áreas da engenharia, nem nos diversos cursos tecnológicos tão necessários à sustentação de uma economia reprodutiva”, considerou.

No entender do governante, “este é o resultado do cisma que se viveu neste País, durante demasiado tempo, sobre esta disciplina tão importante e tão necessária para o progresso de uma sociedade”, pelo que, “nas próximas décadas, teremos excelentes médicos, excelentes enfermeiros, excelentes arquitectos e razoáveis engenheiros”

Mas para se competir na sociedade global urge alterar este paradigma e apostar na formação tecnológica e científica, áreas em que o ensino da matemática surge como fulcral, disse ainda Duarte Ponte, acrescentando estar convicto de que “os senhores professores de Matemática, pelos quais tenho um imenso respeito e admiração, estarão certamente na vanguarda desta luta”.

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Data: 2007-11-11 22:06:35
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