Quinta das Acácias
Os pequenos partidos
Paulo Gusmão Está na ordem do dia a dissolução dos pequenos partidos. Alegadamente por falta de militantes, como se os partidos existissem para ter sócios e não para concorrer a actos eleitorais.


É uma medida que certamente só empobrecerá a democracia, tanto mais que, no sistema, há cada vez menor diferença de ideias, o que transforma o debate público num enorme vazio de alternativas.

Os principais partidos do sistema têm excesso de meios e falta de ideias. Os pequenos partidos são o inverso: excesso de ideias e falta de meios.

No excesso de ideias uso o termo até em sentido positivo, são partidos sobretudo de causas; olhe-se o PDA – Autonomia; o PPM – Monarquia e Desenvolvimento Sustentado; assim como o Partido da Terra; a Nova Democracia – Renovação do Sistema e Liberalismo, ou, do outro lado, na esquerda, as velhas causas de Abril na versão mais “pura”.

Claro que há três partidos médios no País que também se distinguem do centrão pela defesa de causas: o CDS/PP à Direita, com uma linguagem actual; e o PCP e o Bloco, à Esquerda, embora num registo um pouco ultrapassado. Mesmo assim marcam a agenda pois confrontam constantemente a nossa contemporaneidade com as suas ideias dos idos de 50 e 60.

Agora, os outros mais pequenos representam causas bem específicas que devem ter lugar no debate político. E é aqui que entra a questão dos meios. Estes pequenos partidos não recebem um tostão do Estado, por isso a sua existência não custa nada ao erário público.

Cansam a paciência dos eleitores? Mas enquanto houver democracia é mesmo assim: eleitores e políticos têm todos de ter paciência recíproca. Os primeiros sobretudo com aqueles que lhes vendem ilusões. Os segundos em especial com os que se encostam prontos a receberem favores.

Não vejo, por isso, em que é que a democracia e a pluralidade ganham com esta medida de secretaria.

Apesar de tudo, pode é ter um efeito muito positivo: ser um factor de motivação que, ao contrário de levar ao seu encerramento, agite essas pequenas organizações e as leve a responder positivamente a esse desafio, dando-lhes uma nova dimensão e mais visibilidade no debate público.

Penso que o desfecho depende sobretudo dos cidadãos que se identificam com cada uma dessas causas, pois são esses quem deve dar o respectivo apoio a cada uma dessas forças, de modo a poderem permanecer no debate público.

A bem da pluralidade. De contrário, a democracia resumir-se-á à simples crítica de quem, transitoriamente, não está no exercício do poder. É pouco e tem comprovadamente pouca utilidade.

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Autor: A União
Data: 2008-05-07 11:16:00
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