Álcool, um vício (quase) sem remédio...
Temos vindo ao longo de meses a degustar muitos episódios de vários quadrantes políticos que nos agradaram e outros que desagradaram, mas não quisemos emitir qualquer juízo de valor, porque, grosso modo, não acrescentavam nada ao que muitas vezes escrevemos. Só que hoje sentimos que temos de juntar a nossa voz à de muitas famílias para nos insurgirmos contra a decisão do Partido Socialista de não aprovar uma proposta do PSD na Assembleia Regional que aumentava a idade mínima, de 16 para 18 anos, para consumo de bebidas alcoólicas. Não se trata aqui de manifestarmos a nossa discordância, em termos partidários - porque nessa matéria não nos metemos -, mas sim face à tomada de decisão que em nada ajuda a minorar os problemas de alcoolismo que afectam os jovens, como é um problema sério que a Região tem de enfrentar diariamente. Se a proposta social-democrata não era convincente, então que o PS acrescentasse argumentos, que não faltam, para aumentar a idade mínima. Ajudava as famílias e poupava nos gastos da saúde, como o fizeram com a Lei do Tabaco.
O álcool, tal como a droga, é um vício (quase) sem remédio e só um autista consegue pensar que os Açores são "um mar de rosas" nesta matéria. Não somos, e, para ver que não, basta sair à rua. De manhã, em pleno coração da cidade, os jovens começam a beber, desde cerveja a bebidas espirituosas, mesmo junto às escolas, mas nas freguesias o cenário é o mesmo. Aos fins de tarde e noite dentro são muitos os que se embebedam e de manhã chegam à escola de ressaca, e outros nem lá põem os pés. Se isso não é um problema, então não sei o que os nossos políticos estão à espera para acordar. Certo é que a maioria dos políticos faz parte de uma geração que se habituou, como nós, a ver adegas cheias de vinho, e tascas com cerveja a rodos. Faz parte de uma geração em que beber para esquecer as mágoas também faz parte do processo de socialização. Faz parte do conhecimento comum que por causa da bebida muitas famílias ruíram e muitos filhos viram os pais baterem nas mães, por tudo e por nada, um nada que fez/faz nódoas rochas e part(e)iu muitos ossos. Faz parte do imaginário colectivo que muitos homens e mulheres falta(va)m ao serviço por beber até cair. Faz parte do conhecimento que temos de que o alcoolismo é uma praga e que o estado gasta milhões para tratar esta gente, seja pelos internamentos compulsivos seja pelas doenças que a praga com o tempo faz nascer. Mas se esse retrato de vivência não chega, olhem para as estatísticas - como gostam tanto de referir quando interessa -, para ficarem com a nítida percepção que somos a Região do país que a nível de alcoolismo é um ´barril de pólvora´. Bebemos até cair e, por isso, ficamos nos lugares cimeiros das regiões portuguesas que mais bebe. Mas se isso não chega então que se faça um estudo para ver quantos alcoólicos conseguiram ser recuperados e quantas famílias acabaram por culpa do álcool. As escolas podem dar uma ajudinha, já que são muitos os alunos, filhos de pais alcoólicos, que hoje sentem na pele a dor de não poderem ter uma família, senão feliz, pelo menos tranquila, sem agressões ou gritarias.
É sabido que a lei não pode ser alterada na Assembleia Regional, mas este órgão máximo da Autonomia Regional podia dar ao país a posição nesta matéria e colocar o assunto na agenda política nacional. Proibir não chega, mas ajuda muito a limitar o consumo. Em sã consciência, o PS não está a ajudar a melhorar a vivência dos jovens. Um péssimo exemplo de maioria, para quem tem filhos adolescentes, como nós. Quem ganha com isso? Os comerciantes? O Estado? As famílias é que não!!! Mas já que querem manter a idade de 16 anos, pelos menos tenham a coragem de mandar fiscalizar, pois de certeza que a idade mínima não tem sido cumprida. Não basta ter leis, é preciso fazer uso delas, ou seja, mandar fazer cumprir!

O álcool, tal como a droga, é um vício (quase) sem remédio e só um autista consegue pensar que os Açores são "um mar de rosas" nesta matéria. Não somos, e, para ver que não, basta sair à rua. De manhã, em pleno coração da cidade, os jovens começam a beber, desde cerveja a bebidas espirituosas, mesmo junto às escolas, mas nas freguesias o cenário é o mesmo. Aos fins de tarde e noite dentro são muitos os que se embebedam e de manhã chegam à escola de ressaca, e outros nem lá põem os pés. Se isso não é um problema, então não sei o que os nossos políticos estão à espera para acordar. Certo é que a maioria dos políticos faz parte de uma geração que se habituou, como nós, a ver adegas cheias de vinho, e tascas com cerveja a rodos. Faz parte de uma geração em que beber para esquecer as mágoas também faz parte do processo de socialização. Faz parte do conhecimento comum que por causa da bebida muitas famílias ruíram e muitos filhos viram os pais baterem nas mães, por tudo e por nada, um nada que fez/faz nódoas rochas e part(e)iu muitos ossos. Faz parte do imaginário colectivo que muitos homens e mulheres falta(va)m ao serviço por beber até cair. Faz parte do conhecimento que temos de que o alcoolismo é uma praga e que o estado gasta milhões para tratar esta gente, seja pelos internamentos compulsivos seja pelas doenças que a praga com o tempo faz nascer. Mas se esse retrato de vivência não chega, olhem para as estatísticas - como gostam tanto de referir quando interessa -, para ficarem com a nítida percepção que somos a Região do país que a nível de alcoolismo é um ´barril de pólvora´. Bebemos até cair e, por isso, ficamos nos lugares cimeiros das regiões portuguesas que mais bebe. Mas se isso não chega então que se faça um estudo para ver quantos alcoólicos conseguiram ser recuperados e quantas famílias acabaram por culpa do álcool. As escolas podem dar uma ajudinha, já que são muitos os alunos, filhos de pais alcoólicos, que hoje sentem na pele a dor de não poderem ter uma família, senão feliz, pelo menos tranquila, sem agressões ou gritarias.
É sabido que a lei não pode ser alterada na Assembleia Regional, mas este órgão máximo da Autonomia Regional podia dar ao país a posição nesta matéria e colocar o assunto na agenda política nacional. Proibir não chega, mas ajuda muito a limitar o consumo. Em sã consciência, o PS não está a ajudar a melhorar a vivência dos jovens. Um péssimo exemplo de maioria, para quem tem filhos adolescentes, como nós. Quem ganha com isso? Os comerciantes? O Estado? As famílias é que não!!! Mas já que querem manter a idade de 16 anos, pelos menos tenham a coragem de mandar fiscalizar, pois de certeza que a idade mínima não tem sido cumprida. Não basta ter leis, é preciso fazer uso delas, ou seja, mandar fazer cumprir!
+ Informações:
Fonte: Diário dos Açores
Data: 2008-05-08 12:26:04
Visualizações: 24
Data: 2008-05-08 12:26:04
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