Os Açores não são os culpados pela crise nacional...
Esta semana, o Diário dos Açores entrevistou Eduardo Mendonça, do Grupo João Mendonça & Filhos. Segundo este responsável: "nós empresários somos cada vez mais atacados pelos impostos. Eu sou cidadão açoriano e português acima de tudo, mas não concordo que pelo facto de o país estar em crise, sejam os Açores a pagar a factura. Se os destinos do país foram entregues a indivíduos que não têm capacidade de o gerir, não se metam lá. Portanto, se a situação está como está, não foi criada pelos Açores nem pela Madeira…".
Diário dos Açores- Como surgiu o Grupo?
Eduardo Mendonça- Foi o meu pai, João Pimentel Melo Mendonça que fundou o grupo em Dezembro de 1959. Na altura surgiu em nome individual e, inicialmente era chamado João Mendonça Oculista. Temos actualmente dois colaboradores, um deles ainda é vivo e os outros infelizmente já faleceram. Depois entraram para a firma, eu e o meu irmão. Mais tarde formou-se uma sociedade que é a actual, denominada por João Mendonça & Filhos, Lda e presentemente temos cinco funcionários, entre os quais os meus dois filhos que também trabalham neste grupo.
DA- Como tem decorrido desde então a sua evolução?
EM- Tem corrido bastante bem, pelo que temos vindo a acompanhar de perto a evolução das tecnologias de óptica. Desde o início que sempre tivemos o cuidado de acompanhar a evolução do mercado como é natural porque se não evoluíssemos não estaríamos ainda aqui com o nosso negócio. De maneira que estamos sempre actualizados. Vendemos tudo o que esteja ligado à óptica. Desde as lentes, os óculos de visão, de sol, lupas, binóculos, microscópios e telescópios.
DA- Tem projectos futuros quanto ao alargamento da empresa?
EM- Recentemente tivemos contactos no estrangeiro, junto das comunidades açorianas, nomeadamente no Canadá, pelo que nos foi solicitado que deveríamos abrir neste país um espaço. É uma ideia muito recente, por isso mais pormenores não posso adiantar neste momento, mas estamos empenhados em estudar e pensar o caso e fazer estudos de viabilidade, para ver se é possível concretizar e ter sucesso. No total temos três lojas: esta aqui no largo da Matriz, no largo João Vasco Bensaúde, ambas em Ponta Delgada e uma na ilha de Santa Maria.
DA- Segundo o seu ponto de vista, a formação é um passo importante para o sucesso de qualquer investimento?
EM- Sim. A formação é extremamente importante em qualquer sector, seja ele de que área for, de modo a que as pessoas estejam sempre a par do desenvolvimento, porque se não houver formação, não pode haver o tal acompanhamento das tecnologias. Antigamente a formação na área da óptica não era como é hoje em dia, como é evidente. Actualmente existem os cursos em termos de tecnologia profissional, como foi o caso dos meus filhos que formaram-se neste ramo, e o melhor professor que tivemos foi o meu próprio pai que me ensinou muitas coisas. Ao fim ao cabo tem sido também uma formação que tem passado de geração em geração. Os nossos funcionários também têm formação na área, porque acho importante para um melhor atendimento aos clientes. Tanto é que este fim-de-semana, os meus filhos estão numa das maiores feiras de óptica a nível mundial, que realiza-se em Milão e, nesta feira é possível encontrar de tudo desde óptica, optometria, oftalmologia. É muito bom para eles, uma vez que trabalham nesta firma e assim adquirem conhecimento para depois aplicar no Grupo.
DA- Se recuasse alguns anos no tempo o que não voltaria a fazer em termos empresariais?
EM- Como sempre fui relativamente bem sucedido, por isso não mudaria nada. Não me arrependo de nada, tudo o que fiz foi com convicção.
DA- Que medidas acredita serem necessárias para mudar a situação económica em que se encontra a Região e o País?
EM- A meu ver devia haver um apoio incondicional às pequenas e médias empresas que foram e continuarão a ser os pilares do sustento da Região e do país. Porque senão for assim, entramos no perigo de haver um monopólio e não pode haver isso no nosso mercado. Tem de haver diversidade empresarial e respeitar cada sector empresarial. Porque todas as empresas não podem ser grandes, há muitas empresas com limitações e, portanto o Governo deveria apoiar as empresas de igual modo para haver um equilíbrio.
DA- Que medidas considera mais importantes e que gostaria de ver aplicadas pelo Governo Regional?
EM- Os jovens saem das universidades e não conseguem encontrar emprego e depois não venha para cá o Sr. Secretário dizer que criaram não sei quantos novos postos de trabalho, que é tudo fictício. Se a juventude estivesse bem, tinha poder de comprar as suas casas e ter boas condições de vida e julgo que isto não está a acontecer no país nem nos Açores. Acho muito importante apostar na criação de emprego para os jovens que terminem a sua formação. Para além disso, acho que a juventude actual, que será os homens e mulheres de amanhã, quando ficarem nos destinos do nosso país, não terão formação adequada para tal. De maneira nenhuma! Do meu ponto de vista é assim: os alunos que saem das escolas saem muito mal formados, eu falo pessoalmente pelos meus filhos. Estiveram a estudar quatro anos, em que gastei imenso dinheiro e que só vinham com teoria e aqui é que nós ensinamos a prática a eles. Isto só demonstra que quem está a ensinar não tem capacidades. Nas universidades acho que havia de haver uma formação mais técnica, com mais práticas e não apenas teorias, porque com teorias não vamos a lado nenhum. Na Região deve haver maior sinceridade, mais transparência nas políticas de Educação e de emprego para os jovens e uma maior aproximação do eleitorado. Porque os governantes devem respeitar quem os elege. Porque se eu vou votar num determinado partido, para já eu tenho de conhecer a sua doutrina e eu digo muito sinceramente eu não pactuo com políticas de esquerda, porque se as políticas de esquerda fossem boas todos nós na nossa sociedade estávamos todos bem. Se eles querem promover a igualdade, é mentira, porque a meu ver estão a promover a desigualdade na sociedade, criando uma desestabilização social!
DA- «Crise Económica» é uma expressão que o assusta?
EM- Fico apreensivo. Acho que todos nós ficamos apreensivos com a actual situação em que o país se encontra. Cada vez mais somos atacados pelos impostos. O que eu costumo dizer é o seguinte: eu sou um cidadão açoriano, sou português acima de tudo mas não concordo que se o país está mal não é os Açores que têm de pagar a factura, não são as regiões autónomas que têm de pagar. Se os destinos do país foram entregues a indivíduos para o qual não têm capacidade de o gerir não se metam lá e se a situação está como está, não foi criada pelos Açores nem pela Madeira. A má gestão do país é de quem lá se meteu. Uma das razões também que está a prejudicar o país é o facto de que se deixou de produzir nos Açores. Hoje em dia quase tudo vem importado da nossa vizinha Espanha, o que é mau. Recordo que a primeira companhia de aviação que existiu no país foi açoriana e foi a SATA. As três companhias de navegação marítima eram açorianas, designadamente, os carregadores açorianos, Mutualista e a outra não me recordo do nome. Portanto, esses indivíduos que andam a governar o país obedecem a ordens internacionais e não se importam com a sociedade. Não há patriotismo no nosso país, isso deixou de haver. Nós sempre produzimos trigo, milho, tínhamos das melhores frutas do país, agora vem tudo de fora e quem ficou com as nossas melhores frutas, com as principais patentes foi a Espanha. O governo tem de incentivar a produção de matéria-prima cá. Quer dizer, não temos capacidade de produzir mas temos capacidade para "encher os bolsos" do país vizinho, é irónico.
DA- Acredita que o Turismo será uma mais-valia para a economia açoriana?
EM- O turismo é sem dúvida uma mais valia para a economia açoriana mas só a longo prazo veremos resultados Não vejo grande impacto de imediato. Eu aprecio muito uma pessoa que muito tem feito nesta área que é a nossa presidente de Câmara, a Dr. Berta Cabral, pois foi a única até agora como presidente de uma câmara e do maior concelho dos Açores que teve a coragem de fazer o que está a fazer. Portanto, eu não posso dizer que os Açores não têm capacidade de proporcionar bom turismo, apesar do nosso clima ser um pouco instável, mas temos belezas naturais fantásticas. Lamento que algumas delas começam a ser destruídas e é isso que é preciso ter em atenção, em não destruir o nosso património natural. Acho que para construir alguma coisa, deve haver um grande estudo de impacto ambiental para avaliar determinados aspectos. Na altura do Dr. Mota Amaral, tínhamos excesso de pastagens, muitas belezas que tínhamos serviram para fazer pastagens para ganhar votos. Eu acho que deve haver uma união dos partidos para proteger a nossa terra. Entendo que a evolução é necessária, mas tem de ser feita com peso e medida. O turismo que actualmente temos nos Açores é um turismo pobre, porque estamos numa situação inicial. Estamos numa fase de divulgação do nosso arquipélago pelo mundo fora, ora é claro, que o ideal seria, ter turismo em massa e de pessoas que viessem pelos seus pés porque essa coisa do Governo pagar para virem cá não vejo grande viabilidade. Vejo isso como um convite para virem cá, numa forma de divulgar a Região. Uma das coisas que não podemos perder é a nossa identidade, dos nossos antepassados. Eu lembro-me de um senhor que vivia na Bretanha, nasceu na Alemanha mas as raízes dele estavam em São Miguel. Era piloto aviador da Lufthansa. E quando começaram a fazer o edifício Solmar, na Avenida, o senhor disse ao meu pai: João, eu vou me embora porque na minha terra, de cimento estou farto e vocês vão ver, eu não te dou mais de 20 anos e vais ver como isso vai estar". E realmente tinha razão! Foi cimento por todo o lado e estragou-se muita coisa. E não há ninguém que ponha um travão nisso, porque o dinheiro fala mais alto.
DA- Qual foi o pior negócio que fez na vida?
EM- Nunca fiz maus negócios. Fiz poucos mas sempre bons. Não sou pessoa de grandes aventuras, sempre vivi dentro das minhas possibilidades. Aquilo que tenho hoje é porque tenho possibilidades de ter. Sou uma pessoa humilde.
DA- O que mais gosta de fazer nos seus tempos livres?
Sou um apaixonado por caça e pesca, porque sou um amante pela natureza. Gosto ainda de ler, ouvir música, de bailar, porque também é preciso (risos), de maneira que faço um pouco de tudo, com moderação e respeito.
Diário dos Açores- Como surgiu o Grupo?
Eduardo Mendonça- Foi o meu pai, João Pimentel Melo Mendonça que fundou o grupo em Dezembro de 1959. Na altura surgiu em nome individual e, inicialmente era chamado João Mendonça Oculista. Temos actualmente dois colaboradores, um deles ainda é vivo e os outros infelizmente já faleceram. Depois entraram para a firma, eu e o meu irmão. Mais tarde formou-se uma sociedade que é a actual, denominada por João Mendonça & Filhos, Lda e presentemente temos cinco funcionários, entre os quais os meus dois filhos que também trabalham neste grupo.
DA- Como tem decorrido desde então a sua evolução?
EM- Tem corrido bastante bem, pelo que temos vindo a acompanhar de perto a evolução das tecnologias de óptica. Desde o início que sempre tivemos o cuidado de acompanhar a evolução do mercado como é natural porque se não evoluíssemos não estaríamos ainda aqui com o nosso negócio. De maneira que estamos sempre actualizados. Vendemos tudo o que esteja ligado à óptica. Desde as lentes, os óculos de visão, de sol, lupas, binóculos, microscópios e telescópios.
DA- Tem projectos futuros quanto ao alargamento da empresa?
EM- Recentemente tivemos contactos no estrangeiro, junto das comunidades açorianas, nomeadamente no Canadá, pelo que nos foi solicitado que deveríamos abrir neste país um espaço. É uma ideia muito recente, por isso mais pormenores não posso adiantar neste momento, mas estamos empenhados em estudar e pensar o caso e fazer estudos de viabilidade, para ver se é possível concretizar e ter sucesso. No total temos três lojas: esta aqui no largo da Matriz, no largo João Vasco Bensaúde, ambas em Ponta Delgada e uma na ilha de Santa Maria.
DA- Segundo o seu ponto de vista, a formação é um passo importante para o sucesso de qualquer investimento?
EM- Sim. A formação é extremamente importante em qualquer sector, seja ele de que área for, de modo a que as pessoas estejam sempre a par do desenvolvimento, porque se não houver formação, não pode haver o tal acompanhamento das tecnologias. Antigamente a formação na área da óptica não era como é hoje em dia, como é evidente. Actualmente existem os cursos em termos de tecnologia profissional, como foi o caso dos meus filhos que formaram-se neste ramo, e o melhor professor que tivemos foi o meu próprio pai que me ensinou muitas coisas. Ao fim ao cabo tem sido também uma formação que tem passado de geração em geração. Os nossos funcionários também têm formação na área, porque acho importante para um melhor atendimento aos clientes. Tanto é que este fim-de-semana, os meus filhos estão numa das maiores feiras de óptica a nível mundial, que realiza-se em Milão e, nesta feira é possível encontrar de tudo desde óptica, optometria, oftalmologia. É muito bom para eles, uma vez que trabalham nesta firma e assim adquirem conhecimento para depois aplicar no Grupo.
DA- Se recuasse alguns anos no tempo o que não voltaria a fazer em termos empresariais?
EM- Como sempre fui relativamente bem sucedido, por isso não mudaria nada. Não me arrependo de nada, tudo o que fiz foi com convicção.
DA- Que medidas acredita serem necessárias para mudar a situação económica em que se encontra a Região e o País?
EM- A meu ver devia haver um apoio incondicional às pequenas e médias empresas que foram e continuarão a ser os pilares do sustento da Região e do país. Porque senão for assim, entramos no perigo de haver um monopólio e não pode haver isso no nosso mercado. Tem de haver diversidade empresarial e respeitar cada sector empresarial. Porque todas as empresas não podem ser grandes, há muitas empresas com limitações e, portanto o Governo deveria apoiar as empresas de igual modo para haver um equilíbrio.
DA- Que medidas considera mais importantes e que gostaria de ver aplicadas pelo Governo Regional?
EM- Os jovens saem das universidades e não conseguem encontrar emprego e depois não venha para cá o Sr. Secretário dizer que criaram não sei quantos novos postos de trabalho, que é tudo fictício. Se a juventude estivesse bem, tinha poder de comprar as suas casas e ter boas condições de vida e julgo que isto não está a acontecer no país nem nos Açores. Acho muito importante apostar na criação de emprego para os jovens que terminem a sua formação. Para além disso, acho que a juventude actual, que será os homens e mulheres de amanhã, quando ficarem nos destinos do nosso país, não terão formação adequada para tal. De maneira nenhuma! Do meu ponto de vista é assim: os alunos que saem das escolas saem muito mal formados, eu falo pessoalmente pelos meus filhos. Estiveram a estudar quatro anos, em que gastei imenso dinheiro e que só vinham com teoria e aqui é que nós ensinamos a prática a eles. Isto só demonstra que quem está a ensinar não tem capacidades. Nas universidades acho que havia de haver uma formação mais técnica, com mais práticas e não apenas teorias, porque com teorias não vamos a lado nenhum. Na Região deve haver maior sinceridade, mais transparência nas políticas de Educação e de emprego para os jovens e uma maior aproximação do eleitorado. Porque os governantes devem respeitar quem os elege. Porque se eu vou votar num determinado partido, para já eu tenho de conhecer a sua doutrina e eu digo muito sinceramente eu não pactuo com políticas de esquerda, porque se as políticas de esquerda fossem boas todos nós na nossa sociedade estávamos todos bem. Se eles querem promover a igualdade, é mentira, porque a meu ver estão a promover a desigualdade na sociedade, criando uma desestabilização social!
DA- «Crise Económica» é uma expressão que o assusta?
EM- Fico apreensivo. Acho que todos nós ficamos apreensivos com a actual situação em que o país se encontra. Cada vez mais somos atacados pelos impostos. O que eu costumo dizer é o seguinte: eu sou um cidadão açoriano, sou português acima de tudo mas não concordo que se o país está mal não é os Açores que têm de pagar a factura, não são as regiões autónomas que têm de pagar. Se os destinos do país foram entregues a indivíduos para o qual não têm capacidade de o gerir não se metam lá e se a situação está como está, não foi criada pelos Açores nem pela Madeira. A má gestão do país é de quem lá se meteu. Uma das razões também que está a prejudicar o país é o facto de que se deixou de produzir nos Açores. Hoje em dia quase tudo vem importado da nossa vizinha Espanha, o que é mau. Recordo que a primeira companhia de aviação que existiu no país foi açoriana e foi a SATA. As três companhias de navegação marítima eram açorianas, designadamente, os carregadores açorianos, Mutualista e a outra não me recordo do nome. Portanto, esses indivíduos que andam a governar o país obedecem a ordens internacionais e não se importam com a sociedade. Não há patriotismo no nosso país, isso deixou de haver. Nós sempre produzimos trigo, milho, tínhamos das melhores frutas do país, agora vem tudo de fora e quem ficou com as nossas melhores frutas, com as principais patentes foi a Espanha. O governo tem de incentivar a produção de matéria-prima cá. Quer dizer, não temos capacidade de produzir mas temos capacidade para "encher os bolsos" do país vizinho, é irónico.
DA- Acredita que o Turismo será uma mais-valia para a economia açoriana?
EM- O turismo é sem dúvida uma mais valia para a economia açoriana mas só a longo prazo veremos resultados Não vejo grande impacto de imediato. Eu aprecio muito uma pessoa que muito tem feito nesta área que é a nossa presidente de Câmara, a Dr. Berta Cabral, pois foi a única até agora como presidente de uma câmara e do maior concelho dos Açores que teve a coragem de fazer o que está a fazer. Portanto, eu não posso dizer que os Açores não têm capacidade de proporcionar bom turismo, apesar do nosso clima ser um pouco instável, mas temos belezas naturais fantásticas.
Lamento que algumas delas começam a ser destruídas e é isso que é preciso ter em atenção, em não destruir o nosso património natural. Acho que para construir alguma coisa, deve haver um grande estudo de impacto ambiental para avaliar determinados aspectos. Na altura do Dr. Mota Amaral, tínhamos excesso de pastagens, muitas belezas que tínhamos serviram para fazer pastagens para ganhar votos. Eu acho que deve haver uma união dos partidos para proteger a nossa terra. Entendo que a evolução é necessária, mas tem de ser feita com peso e medida. O turismo que actualmente temos nos Açores é um turismo pobre, porque estamos numa situação inicial. Estamos numa fase de divulgação do nosso arquipélago pelo mundo fora, ora é claro, que o ideal seria, ter turismo em massa e de pessoas que viessem pelos seus pés porque essa coisa do Governo pagar para virem cá não vejo grande viabilidade. Vejo isso como um convite para virem cá, numa forma de divulgar a Região. Uma das coisas que não podemos perder é a nossa identidade, dos nossos antepassados. Eu lembro-me de um senhor que vivia na Bretanha, nasceu na Alemanha mas as raízes dele estavam em São Miguel. Era piloto aviador da Lufthansa. E quando começaram a fazer o edifício Solmar, na Avenida, o senhor disse ao meu pai: João, eu vou me embora porque na minha terra, de cimento estou farto e vocês vão ver, eu não te dou mais de 20 anos e vais ver como isso vai estar". E realmente tinha razão! Foi cimento por todo o lado e estragou-se muita coisa. E não há ninguém que ponha um travão nisso, porque o dinheiro fala mais alto.
DA- Qual foi o pior negócio que fez na vida?
EM- Nunca fiz maus negócios. Fiz poucos mas sempre bons. Não sou pessoa de grandes aventuras, sempre vivi dentro das minhas possibilidades. Aquilo que tenho hoje é porque tenho possibilidades de ter. Sou uma pessoa humilde.
DA- O que mais gosta de fazer nos seus tempos livres?
Sou um apaixonado por caça e pesca, porque sou um amante pela natureza. Gosto ainda de ler, ouvir música, de bailar, porque também é preciso (risos), de maneira que faço um pouco de tudo, com moderação e respeito.

Diário dos Açores- Como surgiu o Grupo?
Eduardo Mendonça- Foi o meu pai, João Pimentel Melo Mendonça que fundou o grupo em Dezembro de 1959. Na altura surgiu em nome individual e, inicialmente era chamado João Mendonça Oculista. Temos actualmente dois colaboradores, um deles ainda é vivo e os outros infelizmente já faleceram. Depois entraram para a firma, eu e o meu irmão. Mais tarde formou-se uma sociedade que é a actual, denominada por João Mendonça & Filhos, Lda e presentemente temos cinco funcionários, entre os quais os meus dois filhos que também trabalham neste grupo.
DA- Como tem decorrido desde então a sua evolução?
EM- Tem corrido bastante bem, pelo que temos vindo a acompanhar de perto a evolução das tecnologias de óptica. Desde o início que sempre tivemos o cuidado de acompanhar a evolução do mercado como é natural porque se não evoluíssemos não estaríamos ainda aqui com o nosso negócio. De maneira que estamos sempre actualizados. Vendemos tudo o que esteja ligado à óptica. Desde as lentes, os óculos de visão, de sol, lupas, binóculos, microscópios e telescópios.
DA- Tem projectos futuros quanto ao alargamento da empresa?
EM- Recentemente tivemos contactos no estrangeiro, junto das comunidades açorianas, nomeadamente no Canadá, pelo que nos foi solicitado que deveríamos abrir neste país um espaço. É uma ideia muito recente, por isso mais pormenores não posso adiantar neste momento, mas estamos empenhados em estudar e pensar o caso e fazer estudos de viabilidade, para ver se é possível concretizar e ter sucesso. No total temos três lojas: esta aqui no largo da Matriz, no largo João Vasco Bensaúde, ambas em Ponta Delgada e uma na ilha de Santa Maria.
DA- Segundo o seu ponto de vista, a formação é um passo importante para o sucesso de qualquer investimento?
EM- Sim. A formação é extremamente importante em qualquer sector, seja ele de que área for, de modo a que as pessoas estejam sempre a par do desenvolvimento, porque se não houver formação, não pode haver o tal acompanhamento das tecnologias. Antigamente a formação na área da óptica não era como é hoje em dia, como é evidente. Actualmente existem os cursos em termos de tecnologia profissional, como foi o caso dos meus filhos que formaram-se neste ramo, e o melhor professor que tivemos foi o meu próprio pai que me ensinou muitas coisas. Ao fim ao cabo tem sido também uma formação que tem passado de geração em geração. Os nossos funcionários também têm formação na área, porque acho importante para um melhor atendimento aos clientes. Tanto é que este fim-de-semana, os meus filhos estão numa das maiores feiras de óptica a nível mundial, que realiza-se em Milão e, nesta feira é possível encontrar de tudo desde óptica, optometria, oftalmologia. É muito bom para eles, uma vez que trabalham nesta firma e assim adquirem conhecimento para depois aplicar no Grupo.
DA- Se recuasse alguns anos no tempo o que não voltaria a fazer em termos empresariais?
EM- Como sempre fui relativamente bem sucedido, por isso não mudaria nada. Não me arrependo de nada, tudo o que fiz foi com convicção.
DA- Que medidas acredita serem necessárias para mudar a situação económica em que se encontra a Região e o País?
EM- A meu ver devia haver um apoio incondicional às pequenas e médias empresas que foram e continuarão a ser os pilares do sustento da Região e do país. Porque senão for assim, entramos no perigo de haver um monopólio e não pode haver isso no nosso mercado. Tem de haver diversidade empresarial e respeitar cada sector empresarial. Porque todas as empresas não podem ser grandes, há muitas empresas com limitações e, portanto o Governo deveria apoiar as empresas de igual modo para haver um equilíbrio.
DA- Que medidas considera mais importantes e que gostaria de ver aplicadas pelo Governo Regional?
EM- Os jovens saem das universidades e não conseguem encontrar emprego e depois não venha para cá o Sr. Secretário dizer que criaram não sei quantos novos postos de trabalho, que é tudo fictício. Se a juventude estivesse bem, tinha poder de comprar as suas casas e ter boas condições de vida e julgo que isto não está a acontecer no país nem nos Açores. Acho muito importante apostar na criação de emprego para os jovens que terminem a sua formação. Para além disso, acho que a juventude actual, que será os homens e mulheres de amanhã, quando ficarem nos destinos do nosso país, não terão formação adequada para tal. De maneira nenhuma! Do meu ponto de vista é assim: os alunos que saem das escolas saem muito mal formados, eu falo pessoalmente pelos meus filhos. Estiveram a estudar quatro anos, em que gastei imenso dinheiro e que só vinham com teoria e aqui é que nós ensinamos a prática a eles. Isto só demonstra que quem está a ensinar não tem capacidades. Nas universidades acho que havia de haver uma formação mais técnica, com mais práticas e não apenas teorias, porque com teorias não vamos a lado nenhum. Na Região deve haver maior sinceridade, mais transparência nas políticas de Educação e de emprego para os jovens e uma maior aproximação do eleitorado. Porque os governantes devem respeitar quem os elege. Porque se eu vou votar num determinado partido, para já eu tenho de conhecer a sua doutrina e eu digo muito sinceramente eu não pactuo com políticas de esquerda, porque se as políticas de esquerda fossem boas todos nós na nossa sociedade estávamos todos bem. Se eles querem promover a igualdade, é mentira, porque a meu ver estão a promover a desigualdade na sociedade, criando uma desestabilização social!
DA- «Crise Económica» é uma expressão que o assusta?
EM- Fico apreensivo. Acho que todos nós ficamos apreensivos com a actual situação em que o país se encontra. Cada vez mais somos atacados pelos impostos. O que eu costumo dizer é o seguinte: eu sou um cidadão açoriano, sou português acima de tudo mas não concordo que se o país está mal não é os Açores que têm de pagar a factura, não são as regiões autónomas que têm de pagar. Se os destinos do país foram entregues a indivíduos para o qual não têm capacidade de o gerir não se metam lá e se a situação está como está, não foi criada pelos Açores nem pela Madeira. A má gestão do país é de quem lá se meteu. Uma das razões também que está a prejudicar o país é o facto de que se deixou de produzir nos Açores. Hoje em dia quase tudo vem importado da nossa vizinha Espanha, o que é mau. Recordo que a primeira companhia de aviação que existiu no país foi açoriana e foi a SATA. As três companhias de navegação marítima eram açorianas, designadamente, os carregadores açorianos, Mutualista e a outra não me recordo do nome. Portanto, esses indivíduos que andam a governar o país obedecem a ordens internacionais e não se importam com a sociedade. Não há patriotismo no nosso país, isso deixou de haver. Nós sempre produzimos trigo, milho, tínhamos das melhores frutas do país, agora vem tudo de fora e quem ficou com as nossas melhores frutas, com as principais patentes foi a Espanha. O governo tem de incentivar a produção de matéria-prima cá. Quer dizer, não temos capacidade de produzir mas temos capacidade para "encher os bolsos" do país vizinho, é irónico.
DA- Acredita que o Turismo será uma mais-valia para a economia açoriana?
EM- O turismo é sem dúvida uma mais valia para a economia açoriana mas só a longo prazo veremos resultados Não vejo grande impacto de imediato. Eu aprecio muito uma pessoa que muito tem feito nesta área que é a nossa presidente de Câmara, a Dr. Berta Cabral, pois foi a única até agora como presidente de uma câmara e do maior concelho dos Açores que teve a coragem de fazer o que está a fazer. Portanto, eu não posso dizer que os Açores não têm capacidade de proporcionar bom turismo, apesar do nosso clima ser um pouco instável, mas temos belezas naturais fantásticas. Lamento que algumas delas começam a ser destruídas e é isso que é preciso ter em atenção, em não destruir o nosso património natural. Acho que para construir alguma coisa, deve haver um grande estudo de impacto ambiental para avaliar determinados aspectos. Na altura do Dr. Mota Amaral, tínhamos excesso de pastagens, muitas belezas que tínhamos serviram para fazer pastagens para ganhar votos. Eu acho que deve haver uma união dos partidos para proteger a nossa terra. Entendo que a evolução é necessária, mas tem de ser feita com peso e medida. O turismo que actualmente temos nos Açores é um turismo pobre, porque estamos numa situação inicial. Estamos numa fase de divulgação do nosso arquipélago pelo mundo fora, ora é claro, que o ideal seria, ter turismo em massa e de pessoas que viessem pelos seus pés porque essa coisa do Governo pagar para virem cá não vejo grande viabilidade. Vejo isso como um convite para virem cá, numa forma de divulgar a Região. Uma das coisas que não podemos perder é a nossa identidade, dos nossos antepassados. Eu lembro-me de um senhor que vivia na Bretanha, nasceu na Alemanha mas as raízes dele estavam em São Miguel. Era piloto aviador da Lufthansa. E quando começaram a fazer o edifício Solmar, na Avenida, o senhor disse ao meu pai: João, eu vou me embora porque na minha terra, de cimento estou farto e vocês vão ver, eu não te dou mais de 20 anos e vais ver como isso vai estar". E realmente tinha razão! Foi cimento por todo o lado e estragou-se muita coisa. E não há ninguém que ponha um travão nisso, porque o dinheiro fala mais alto.
DA- Qual foi o pior negócio que fez na vida?
EM- Nunca fiz maus negócios. Fiz poucos mas sempre bons. Não sou pessoa de grandes aventuras, sempre vivi dentro das minhas possibilidades. Aquilo que tenho hoje é porque tenho possibilidades de ter. Sou uma pessoa humilde.
DA- O que mais gosta de fazer nos seus tempos livres?
Sou um apaixonado por caça e pesca, porque sou um amante pela natureza. Gosto ainda de ler, ouvir música, de bailar, porque também é preciso (risos), de maneira que faço um pouco de tudo, com moderação e respeito.
Diário dos Açores- Como surgiu o Grupo?
Eduardo Mendonça- Foi o meu pai, João Pimentel Melo Mendonça que fundou o grupo em Dezembro de 1959. Na altura surgiu em nome individual e, inicialmente era chamado João Mendonça Oculista. Temos actualmente dois colaboradores, um deles ainda é vivo e os outros infelizmente já faleceram. Depois entraram para a firma, eu e o meu irmão. Mais tarde formou-se uma sociedade que é a actual, denominada por João Mendonça & Filhos, Lda e presentemente temos cinco funcionários, entre os quais os meus dois filhos que também trabalham neste grupo.
DA- Como tem decorrido desde então a sua evolução?
EM- Tem corrido bastante bem, pelo que temos vindo a acompanhar de perto a evolução das tecnologias de óptica. Desde o início que sempre tivemos o cuidado de acompanhar a evolução do mercado como é natural porque se não evoluíssemos não estaríamos ainda aqui com o nosso negócio. De maneira que estamos sempre actualizados. Vendemos tudo o que esteja ligado à óptica. Desde as lentes, os óculos de visão, de sol, lupas, binóculos, microscópios e telescópios.
DA- Tem projectos futuros quanto ao alargamento da empresa?
EM- Recentemente tivemos contactos no estrangeiro, junto das comunidades açorianas, nomeadamente no Canadá, pelo que nos foi solicitado que deveríamos abrir neste país um espaço. É uma ideia muito recente, por isso mais pormenores não posso adiantar neste momento, mas estamos empenhados em estudar e pensar o caso e fazer estudos de viabilidade, para ver se é possível concretizar e ter sucesso. No total temos três lojas: esta aqui no largo da Matriz, no largo João Vasco Bensaúde, ambas em Ponta Delgada e uma na ilha de Santa Maria.
DA- Segundo o seu ponto de vista, a formação é um passo importante para o sucesso de qualquer investimento?
EM- Sim. A formação é extremamente importante em qualquer sector, seja ele de que área for, de modo a que as pessoas estejam sempre a par do desenvolvimento, porque se não houver formação, não pode haver o tal acompanhamento das tecnologias. Antigamente a formação na área da óptica não era como é hoje em dia, como é evidente. Actualmente existem os cursos em termos de tecnologia profissional, como foi o caso dos meus filhos que formaram-se neste ramo, e o melhor professor que tivemos foi o meu próprio pai que me ensinou muitas coisas. Ao fim ao cabo tem sido também uma formação que tem passado de geração em geração. Os nossos funcionários também têm formação na área, porque acho importante para um melhor atendimento aos clientes. Tanto é que este fim-de-semana, os meus filhos estão numa das maiores feiras de óptica a nível mundial, que realiza-se em Milão e, nesta feira é possível encontrar de tudo desde óptica, optometria, oftalmologia. É muito bom para eles, uma vez que trabalham nesta firma e assim adquirem conhecimento para depois aplicar no Grupo.
DA- Se recuasse alguns anos no tempo o que não voltaria a fazer em termos empresariais?
EM- Como sempre fui relativamente bem sucedido, por isso não mudaria nada. Não me arrependo de nada, tudo o que fiz foi com convicção.
DA- Que medidas acredita serem necessárias para mudar a situação económica em que se encontra a Região e o País?
EM- A meu ver devia haver um apoio incondicional às pequenas e médias empresas que foram e continuarão a ser os pilares do sustento da Região e do país. Porque senão for assim, entramos no perigo de haver um monopólio e não pode haver isso no nosso mercado. Tem de haver diversidade empresarial e respeitar cada sector empresarial. Porque todas as empresas não podem ser grandes, há muitas empresas com limitações e, portanto o Governo deveria apoiar as empresas de igual modo para haver um equilíbrio.
DA- Que medidas considera mais importantes e que gostaria de ver aplicadas pelo Governo Regional?
EM- Os jovens saem das universidades e não conseguem encontrar emprego e depois não venha para cá o Sr. Secretário dizer que criaram não sei quantos novos postos de trabalho, que é tudo fictício. Se a juventude estivesse bem, tinha poder de comprar as suas casas e ter boas condições de vida e julgo que isto não está a acontecer no país nem nos Açores. Acho muito importante apostar na criação de emprego para os jovens que terminem a sua formação. Para além disso, acho que a juventude actual, que será os homens e mulheres de amanhã, quando ficarem nos destinos do nosso país, não terão formação adequada para tal. De maneira nenhuma! Do meu ponto de vista é assim: os alunos que saem das escolas saem muito mal formados, eu falo pessoalmente pelos meus filhos. Estiveram a estudar quatro anos, em que gastei imenso dinheiro e que só vinham com teoria e aqui é que nós ensinamos a prática a eles. Isto só demonstra que quem está a ensinar não tem capacidades. Nas universidades acho que havia de haver uma formação mais técnica, com mais práticas e não apenas teorias, porque com teorias não vamos a lado nenhum. Na Região deve haver maior sinceridade, mais transparência nas políticas de Educação e de emprego para os jovens e uma maior aproximação do eleitorado. Porque os governantes devem respeitar quem os elege. Porque se eu vou votar num determinado partido, para já eu tenho de conhecer a sua doutrina e eu digo muito sinceramente eu não pactuo com políticas de esquerda, porque se as políticas de esquerda fossem boas todos nós na nossa sociedade estávamos todos bem. Se eles querem promover a igualdade, é mentira, porque a meu ver estão a promover a desigualdade na sociedade, criando uma desestabilização social!
DA- «Crise Económica» é uma expressão que o assusta?
EM- Fico apreensivo. Acho que todos nós ficamos apreensivos com a actual situação em que o país se encontra. Cada vez mais somos atacados pelos impostos. O que eu costumo dizer é o seguinte: eu sou um cidadão açoriano, sou português acima de tudo mas não concordo que se o país está mal não é os Açores que têm de pagar a factura, não são as regiões autónomas que têm de pagar. Se os destinos do país foram entregues a indivíduos para o qual não têm capacidade de o gerir não se metam lá e se a situação está como está, não foi criada pelos Açores nem pela Madeira. A má gestão do país é de quem lá se meteu. Uma das razões também que está a prejudicar o país é o facto de que se deixou de produzir nos Açores. Hoje em dia quase tudo vem importado da nossa vizinha Espanha, o que é mau. Recordo que a primeira companhia de aviação que existiu no país foi açoriana e foi a SATA. As três companhias de navegação marítima eram açorianas, designadamente, os carregadores açorianos, Mutualista e a outra não me recordo do nome. Portanto, esses indivíduos que andam a governar o país obedecem a ordens internacionais e não se importam com a sociedade. Não há patriotismo no nosso país, isso deixou de haver. Nós sempre produzimos trigo, milho, tínhamos das melhores frutas do país, agora vem tudo de fora e quem ficou com as nossas melhores frutas, com as principais patentes foi a Espanha. O governo tem de incentivar a produção de matéria-prima cá. Quer dizer, não temos capacidade de produzir mas temos capacidade para "encher os bolsos" do país vizinho, é irónico.
DA- Acredita que o Turismo será uma mais-valia para a economia açoriana?
EM- O turismo é sem dúvida uma mais valia para a economia açoriana mas só a longo prazo veremos resultados Não vejo grande impacto de imediato. Eu aprecio muito uma pessoa que muito tem feito nesta área que é a nossa presidente de Câmara, a Dr. Berta Cabral, pois foi a única até agora como presidente de uma câmara e do maior concelho dos Açores que teve a coragem de fazer o que está a fazer. Portanto, eu não posso dizer que os Açores não têm capacidade de proporcionar bom turismo, apesar do nosso clima ser um pouco instável, mas temos belezas naturais fantásticas.
Lamento que algumas delas começam a ser destruídas e é isso que é preciso ter em atenção, em não destruir o nosso património natural. Acho que para construir alguma coisa, deve haver um grande estudo de impacto ambiental para avaliar determinados aspectos. Na altura do Dr. Mota Amaral, tínhamos excesso de pastagens, muitas belezas que tínhamos serviram para fazer pastagens para ganhar votos. Eu acho que deve haver uma união dos partidos para proteger a nossa terra. Entendo que a evolução é necessária, mas tem de ser feita com peso e medida. O turismo que actualmente temos nos Açores é um turismo pobre, porque estamos numa situação inicial. Estamos numa fase de divulgação do nosso arquipélago pelo mundo fora, ora é claro, que o ideal seria, ter turismo em massa e de pessoas que viessem pelos seus pés porque essa coisa do Governo pagar para virem cá não vejo grande viabilidade. Vejo isso como um convite para virem cá, numa forma de divulgar a Região. Uma das coisas que não podemos perder é a nossa identidade, dos nossos antepassados. Eu lembro-me de um senhor que vivia na Bretanha, nasceu na Alemanha mas as raízes dele estavam em São Miguel. Era piloto aviador da Lufthansa. E quando começaram a fazer o edifício Solmar, na Avenida, o senhor disse ao meu pai: João, eu vou me embora porque na minha terra, de cimento estou farto e vocês vão ver, eu não te dou mais de 20 anos e vais ver como isso vai estar". E realmente tinha razão! Foi cimento por todo o lado e estragou-se muita coisa. E não há ninguém que ponha um travão nisso, porque o dinheiro fala mais alto.
DA- Qual foi o pior negócio que fez na vida?
EM- Nunca fiz maus negócios. Fiz poucos mas sempre bons. Não sou pessoa de grandes aventuras, sempre vivi dentro das minhas possibilidades. Aquilo que tenho hoje é porque tenho possibilidades de ter. Sou uma pessoa humilde.
DA- O que mais gosta de fazer nos seus tempos livres?
Sou um apaixonado por caça e pesca, porque sou um amante pela natureza. Gosto ainda de ler, ouvir música, de bailar, porque também é preciso (risos), de maneira que faço um pouco de tudo, com moderação e respeito.
+ Informações:
Fonte: Diário dos Açores
Data: 2008-05-11 10:47:31
Visualizações: 577
Data: 2008-05-11 10:47:31
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