É ingenuidade combater eficazmente corrupção sem gastar dinheiro, diz especialista
Um especialista britânico disse ontem que é "ingenuidade" um país pensar que pode enfrentar eficazmente a corrupção sem gastar dinheiro, considerando que a vontade política para combater este crime não se deve limitar aos períodos eleitorais.
"É ingénuo um país pensar que pode combater a corrupção sem gastar dinheiro, dinheiro que é proveniente dos impostos, fundos votados no parlamento", disse Bertrand Speville à agência Lusa à margem da sessão de abertura do segundo encontro de agências anti-corrupção, que decorre até amanhã em Lisboa.
Segundo Speville, que faz aconselhamento para vários governos em matérias anti-corrupção, se os países não estiverem preparados "para gastar fundos públicos substanciais na luta contra a corrupção, mais vale nem começar".
O especialista, que durante vários anos trabalhou na Comissão Independente contra a Corrupção (ICAC) de Hong Kong, apresentou durante a sua intervenção no encontro sete pontos "essenciais" para obter sucesso na luta contra a corrupção, uma lista onde surge à cabeça a vontade política.
Speville sustenta que para um país combater eficazmente a corrupção precisa de vontade política "persistente".
"Frequentemente, a vontade política existe apenas durante um curto espaço de tempo, em regra por parte de governos recentes eleitos com base em promessas de que lidariam com a corrupção", disse.
Explicou que, como quando chegam ao poder têm dificuldades em saber como lidar com a corrupção, esta questão é "colocada no cesto dos assuntos difíceis".
"O cesto vai sendo arrastado para o fim da mesa e depois para debaixo desta e, entretanto, é tempo para uma nova eleição", acrescentou.
O especialista apontou ainda a necessidade de existir legislação "clara" e uma estratégia assente na investigação, prevenção e educação para combater um "problema sério e global".
"É preciso fazer prevenção, analisar os sistemas e as instituições e ver onde existem oportunidades de corrupção para as eliminar", referiu.
Sublinhou ainda a importância de fazer com que as pessoas percebam por que é que a "corrupção é má”, considerando que "isso não é uma evidência para toda a gente".
Defendeu a criação de agências especializadas com poderes de investigação, prevenção e educação para liderar o combate à corrupção, sustentando que se a sua criação tiver como objectivo apenas substituir a polícia "acabarão por falhar".
Speville alertou para o facto de os resultados da luta anti-corrupção não serem visíveis de um ano para o outro, considerando que é necessária "persistência" e "apoio da sociedade" para erradicar a "corrupção enraizada".
Questionado pela Lusa sobre a melhor estratégia a aplicar ao combate à corrupção em Portugal, Speville afirmou não conhecer suficientemente a situação portuguesa.
Adiantou, porém, que qualquer país que tenha problemas graves de corrupção precisa de cumprir estes sete pontos essenciais para ter sucesso.
"Quando há problemas sérios de corrupção, incluindo na própria polícia, é preciso pensar num corpo separado com poderes de investigação, prevenção e educação", disse.
Especialistas no combate à corrupção de mais de 20 países estão reunidos em Lisboa até amanhã para analisar as causas do "falhanço institucional" das agências anti-corrupção.

"É ingénuo um país pensar que pode combater a corrupção sem gastar dinheiro, dinheiro que é proveniente dos impostos, fundos votados no parlamento", disse Bertrand Speville à agência Lusa à margem da sessão de abertura do segundo encontro de agências anti-corrupção, que decorre até amanhã em Lisboa.
Segundo Speville, que faz aconselhamento para vários governos em matérias anti-corrupção, se os países não estiverem preparados "para gastar fundos públicos substanciais na luta contra a corrupção, mais vale nem começar".
O especialista, que durante vários anos trabalhou na Comissão Independente contra a Corrupção (ICAC) de Hong Kong, apresentou durante a sua intervenção no encontro sete pontos "essenciais" para obter sucesso na luta contra a corrupção, uma lista onde surge à cabeça a vontade política.
Speville sustenta que para um país combater eficazmente a corrupção precisa de vontade política "persistente".
"Frequentemente, a vontade política existe apenas durante um curto espaço de tempo, em regra por parte de governos recentes eleitos com base em promessas de que lidariam com a corrupção", disse.
Explicou que, como quando chegam ao poder têm dificuldades em saber como lidar com a corrupção, esta questão é "colocada no cesto dos assuntos difíceis".
"O cesto vai sendo arrastado para o fim da mesa e depois para debaixo desta e, entretanto, é tempo para uma nova eleição", acrescentou.
O especialista apontou ainda a necessidade de existir legislação "clara" e uma estratégia assente na investigação, prevenção e educação para combater um "problema sério e global".
"É preciso fazer prevenção, analisar os sistemas e as instituições e ver onde existem oportunidades de corrupção para as eliminar", referiu.
Sublinhou ainda a importância de fazer com que as pessoas percebam por que é que a "corrupção é má”, considerando que "isso não é uma evidência para toda a gente".
Defendeu a criação de agências especializadas com poderes de investigação, prevenção e educação para liderar o combate à corrupção, sustentando que se a sua criação tiver como objectivo apenas substituir a polícia "acabarão por falhar".
Speville alertou para o facto de os resultados da luta anti-corrupção não serem visíveis de um ano para o outro, considerando que é necessária "persistência" e "apoio da sociedade" para erradicar a "corrupção enraizada".
Questionado pela Lusa sobre a melhor estratégia a aplicar ao combate à corrupção em Portugal, Speville afirmou não conhecer suficientemente a situação portuguesa.
Adiantou, porém, que qualquer país que tenha problemas graves de corrupção precisa de cumprir estes sete pontos essenciais para ter sucesso.
"Quando há problemas sérios de corrupção, incluindo na própria polícia, é preciso pensar num corpo separado com poderes de investigação, prevenção e educação", disse.
Especialistas no combate à corrupção de mais de 20 países estão reunidos em Lisboa até amanhã para analisar as causas do "falhanço institucional" das agências anti-corrupção.
+ Informações:
Fonte: Diário dos Açores
Data: 2008-05-15 10:33:01
Visualizações: 58
Data: 2008-05-15 10:33:01
Visualizações: 58
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