Impostos custam este ano mais um dia de trabalho do que em 2007
Vão ser mais de quatro meses e meio a trabalhar para o Fisco, um dia mais em comparação com 2007. Este ano, só a 19 de Maio os portugueses terão trabalhado o suficiente para pagar os seus impostos. Apenas depois o salário se torna rendimento líquido.


A conclusão foi apresentada ontem no estudo do Gabinete de Análise Económica da Universidade Nova de Lisboa em colaboração com a Associação Industrial Portuguesa (AIP).
No próximo dia 19, segunda-feira, cumpre-se assim o que já é apelidado de Dia de Libertação dos Impostos (DLI) e que no ano passado aconteceu a 18 de Maio.

António Pinto Barbosa, professor da faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa e coordenador do estudo, faz uma comparação do DLI português com o caso da Suécia. No país nórdico, os contribuintes acabam por trabalhar até meados de Junho para cobrir a totalidade dos seus impostos.
No entanto, Pinto Barbosa refere que os suecos, apesar de trabalharem para o Fisco mais de metade do ano, não apresentam qualquer sentimento de insatisfação. A explicação está no facto de receberem do Estado contrapartidas em serviços e benefícios vistos em geral como largamente compensadores.

"O DLI pode ser mais pequeno e estar associado a uma menor qualidade de serviços recebida em contrapartida ou pode ser maior e representar uma maior qualidade dos serviços que se recebe em troca", defendeu o responsável do estudo ontem apresentado.
O Dia da Libertação do Sector Público (DLSP) incide na despesa pública, sendo um indicador com peso de médio e longo prazo na economia.
Ainda de acordo com o estudo da Universidade Nova, os portugueses apenas terão acautelado a totalidade das despesas públicas do indicador DLSP em 17 de Junho, exactamente 168 dias de trabalho, mais um do que em 2007.
Pinto Barbosa defende ser "fundamental" ter em conta este indicador, já que o sector público tem maiores implicações no nível de competitividade do país. O professor aponta como exemplo a comparação com Espanha, país que serve de referência à realidade portuguesa.
Em conclusão, Pinto Barbosa lê nas conclusões do estudo que "a evolução dos dois indicadores faz recear alguma estagnação em 2008 nos progressos obtidos em termos de consolidação orçamental".

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Fonte: Diário dos Açores
Data: 2008-05-16 15:57:43
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