A partir de Julho - São Mateus vai ter Clube Naval
Os três botes baleeiros e uma lancha de apoio, bem como vários apetrechos que fazem parte do actual núcleo museológico de São Mateus, estarão dentro em breve visivelmente disponíveis na Casa dos Botes Baleeiros, situada junto ao porto de pesca daquela freguesia de Angra do Heroísmo.
As novas instalações, cujo projecto de recuperação deverá estar concluído em meados do próximo mês de Julho, vão integrar também o Clube Naval de São Mateus da Calheta.
Um investimento que pretende não só evocar o passado mas também incentivar as gerações futuras.
A partir de Julho deste ano a freguesia de São Mateus vai contar com uma nova infra-estrutura, destinada a recordar a época da caça à baleia e a garantir o sustento de uma localidade que assenta na actividade piscatória.
O edifício de dois andares preenche a recuperada Casa dos Botes Baleeiros, no rés-do-chão, e o Clube Naval de São Mateus, no piso superior. Ambos construídos a pensar no futuro.
“Para além da recuperação pretendemos incentivar os jovens da freguesia a participar em provas náuticas e desportivas. Temos o primeiro grupo de escoteiros marítimos criado no país, e a partir deles podemos trabalhar também com as escolas e outras entidades ligadas aos jovens”, adianta ao nosso jornal, José Gaspar, presidente da Junta de Freguesia de São Mateus.
Situado junto ao porto de pesca, aquele espaço envolve naturalmente todo um cenário característico dos “homens do mar”, procurado com frequência pelos turistas que visitam a ilha Terceira, em paralelo às unidades de restauração circundantes.
“Os pescadores reformados serão os ‘cicerones’ do edifício para todos os turistas e pessoas em geral que queiram saber sobre a pesca e a caça à baleia, visto permanecerem no local durante quase todo o dia”, refere o autarca. E acrescenta: “As pessoas gostam de ouvir as histórias daqueles homens genuínos que viveram sempre em dedicação ao mar”.
Fazem ainda parte do projecto uma exposição permanente de botes baleeiros e de fotografias sobre a baleia, bem como a emissão de audiovisuais com gravações alusivas ao mesmo tema, e a edição de um livro sobre a caça à baleia em São Mateus e na ilha Terceira.
Para isso o edifício vai dispor de sala de direcção, sala para formação e convívio, sala para exposições com varanda sobre o porto, casas de banho e balneários, em horário de funcionamento das 13h00 às 19h00.
Esta iniciativa da Junta de Freguesia de São Mateus, orçada em 50 mil euros, conta com o apoio da Sub-Secretaria Regional das Pescas e da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo.
Regata só em 2009.
Devido às obras de melhoramento do porto de pesca de São Mateus da Calheta, este ano não será possível realizar a Regata de Botes Baleeiros, cuja primeira edição teve lugar em 2006.
O evento, que decorre de dois em dois anos, repartidos entre a Terceira e a Graciosa, costuma reunir entre 15 a 20 botes baleeiros de todas as ilhas.
“Este ano tocava-nos a nós realizar a Regata, mas devido às obras no porto só para o ano será possível”, informa José Gaspar.
O presidente da Junta de Freguesia de São Mateus afirma que “a conclusão das obras está prevista para o fim deste ano”, acrescentando que essa construção, em complemento com a Casa dos Botes Baleeiros e o Clube Naval de São Mateus, “vem trazer uma ‘mais-valia’ para o sector das pescas”.
“Tudo o que se possa fazer nesta área é um incentivo para toda a gente que queira continuar a investir. Para nós é muito importante, uma vez que esta é uma freguesia que vive das pescas”, conclui.
“Gostava muito daquela vida”
Actualmente, em São Mateus, existem ainda cerca de cinco antigos baleeiros, dos quais faz parte Luís José Sousa, de 79 anos de idade, um dos mais velhos.
Em conversa com “a União”, este velho ‘lobo do mar’ contou que a primeira vez que arreou uma baleia tinha 18 anos de idade, mas só aos 25 anos é que assumiu o gosto por aquela actividade que apesar de tudo considera “perigosa”.
“A minha esposa não queria que eu fosse ao mar, pois tinha já morrido um homem, comido pela baleia. A defesa daquele animal é a cauda, na altura em que foi trancada meteu o homem ao mar”, recorda Luís José Sousa.
Entre os meses de Junho e Novembro os dias eram passados no porto, de manhã até às cinco da tarde, depois, o resto do ano, era dedicado à pesca.
Um gosto mas também uma subsistência familiar em tempos considerados “miseráveis”.
“Eu gostava muito daquela vida, mas agora vive-se melhor, naquela altura havia muita miséria. A cada mês recebíamos 100 escudos, além de recebermos o abono das crianças, no valor de 30 escudos. Eu tinha três filhos, a gente comia o que nos era fiado na venda, logo esse dinheiro dava muito jeito”.
Com a extinção da caça à baleia nos Açores, na década de 80, o antigo baleeiro embarcou rumo aos Estados Unidos da América, não para caçar baleias mas para caçar outro sustento.
“O fim da caça à baleia não me fez falta, não dava para ninguém viver. Segui para a América e estive lá durante 18 anos”, afirma.
Por agora ficam a lembrança e a saudade que vão sendo contadas em episódios a todos os que procuram Luís José Sousa, o velho ‘lobo do mar’, no porto de São Mateus.
“Os franceses vem muito aqui para saber das baleias. Mas é importante que os nossos mais novos conheçam esse tempo. O meu filho gostava de saber, já a minha mulher dava em chorar…”.
Depois, quase a terminar a conversa, Luís José Sousa assume com um brilho especial no olhar:
“Ver um cardume de baleias é lindo! Parece uma tarde de toiros. Eu gostava muito daquilo”, diz a sorrir.
De acordo com dados históricos, São Mateus foi das únicas freguesias da ilha Terceira que se dedicaram à caça à baleia, actividade que terá começado no século XVIII.

As novas instalações, cujo projecto de recuperação deverá estar concluído em meados do próximo mês de Julho, vão integrar também o Clube Naval de São Mateus da Calheta.
Um investimento que pretende não só evocar o passado mas também incentivar as gerações futuras.
A partir de Julho deste ano a freguesia de São Mateus vai contar com uma nova infra-estrutura, destinada a recordar a época da caça à baleia e a garantir o sustento de uma localidade que assenta na actividade piscatória.
O edifício de dois andares preenche a recuperada Casa dos Botes Baleeiros, no rés-do-chão, e o Clube Naval de São Mateus, no piso superior. Ambos construídos a pensar no futuro.
“Para além da recuperação pretendemos incentivar os jovens da freguesia a participar em provas náuticas e desportivas. Temos o primeiro grupo de escoteiros marítimos criado no país, e a partir deles podemos trabalhar também com as escolas e outras entidades ligadas aos jovens”, adianta ao nosso jornal, José Gaspar, presidente da Junta de Freguesia de São Mateus.
Situado junto ao porto de pesca, aquele espaço envolve naturalmente todo um cenário característico dos “homens do mar”, procurado com frequência pelos turistas que visitam a ilha Terceira, em paralelo às unidades de restauração circundantes.
“Os pescadores reformados serão os ‘cicerones’ do edifício para todos os turistas e pessoas em geral que queiram saber sobre a pesca e a caça à baleia, visto permanecerem no local durante quase todo o dia”, refere o autarca. E acrescenta: “As pessoas gostam de ouvir as histórias daqueles homens genuínos que viveram sempre em dedicação ao mar”.
Fazem ainda parte do projecto uma exposição permanente de botes baleeiros e de fotografias sobre a baleia, bem como a emissão de audiovisuais com gravações alusivas ao mesmo tema, e a edição de um livro sobre a caça à baleia em São Mateus e na ilha Terceira.
Para isso o edifício vai dispor de sala de direcção, sala para formação e convívio, sala para exposições com varanda sobre o porto, casas de banho e balneários, em horário de funcionamento das 13h00 às 19h00.
Esta iniciativa da Junta de Freguesia de São Mateus, orçada em 50 mil euros, conta com o apoio da Sub-Secretaria Regional das Pescas e da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo.
Regata só em 2009.
Devido às obras de melhoramento do porto de pesca de São Mateus da Calheta, este ano não será possível realizar a Regata de Botes Baleeiros, cuja primeira edição teve lugar em 2006.
O evento, que decorre de dois em dois anos, repartidos entre a Terceira e a Graciosa, costuma reunir entre 15 a 20 botes baleeiros de todas as ilhas.
“Este ano tocava-nos a nós realizar a Regata, mas devido às obras no porto só para o ano será possível”, informa José Gaspar.
O presidente da Junta de Freguesia de São Mateus afirma que “a conclusão das obras está prevista para o fim deste ano”, acrescentando que essa construção, em complemento com a Casa dos Botes Baleeiros e o Clube Naval de São Mateus, “vem trazer uma ‘mais-valia’ para o sector das pescas”.
“Tudo o que se possa fazer nesta área é um incentivo para toda a gente que queira continuar a investir. Para nós é muito importante, uma vez que esta é uma freguesia que vive das pescas”, conclui.
“Gostava muito daquela vida”
Actualmente, em São Mateus, existem ainda cerca de cinco antigos baleeiros, dos quais faz parte Luís José Sousa, de 79 anos de idade, um dos mais velhos.
Em conversa com “a União”, este velho ‘lobo do mar’ contou que a primeira vez que arreou uma baleia tinha 18 anos de idade, mas só aos 25 anos é que assumiu o gosto por aquela actividade que apesar de tudo considera “perigosa”.
“A minha esposa não queria que eu fosse ao mar, pois tinha já morrido um homem, comido pela baleia. A defesa daquele animal é a cauda, na altura em que foi trancada meteu o homem ao mar”, recorda Luís José Sousa.
Entre os meses de Junho e Novembro os dias eram passados no porto, de manhã até às cinco da tarde, depois, o resto do ano, era dedicado à pesca.
Um gosto mas também uma subsistência familiar em tempos considerados “miseráveis”.
“Eu gostava muito daquela vida, mas agora vive-se melhor, naquela altura havia muita miséria. A cada mês recebíamos 100 escudos, além de recebermos o abono das crianças, no valor de 30 escudos. Eu tinha três filhos, a gente comia o que nos era fiado na venda, logo esse dinheiro dava muito jeito”.
Com a extinção da caça à baleia nos Açores, na década de 80, o antigo baleeiro embarcou rumo aos Estados Unidos da América, não para caçar baleias mas para caçar outro sustento.
“O fim da caça à baleia não me fez falta, não dava para ninguém viver. Segui para a América e estive lá durante 18 anos”, afirma.
Por agora ficam a lembrança e a saudade que vão sendo contadas em episódios a todos os que procuram Luís José Sousa, o velho ‘lobo do mar’, no porto de São Mateus.
“Os franceses vem muito aqui para saber das baleias. Mas é importante que os nossos mais novos conheçam esse tempo. O meu filho gostava de saber, já a minha mulher dava em chorar…”.
Depois, quase a terminar a conversa, Luís José Sousa assume com um brilho especial no olhar:
“Ver um cardume de baleias é lindo! Parece uma tarde de toiros. Eu gostava muito daquilo”, diz a sorrir.
De acordo com dados históricos, São Mateus foi das únicas freguesias da ilha Terceira que se dedicaram à caça à baleia, actividade que terá começado no século XVIII.
+ Informações:
Fonte: A União
Autor: Sónia Bettencourt
Data: 2008-05-26 17:41:37
Visualizações: 309
Autor: Sónia Bettencourt
Data: 2008-05-26 17:41:37
Visualizações: 309
Comentários:
Para comentar precisa de estar registado e identificado.
Sem comentários
Sem comentários
Ecoteca de Angra com programa infanto-juvenil em Agosto e Setembro
Governo entrega uma viatura à Casa do Povo de São Sebastião
Escavações revelam necrópole do século XIX na Terceira
Governo investe em pavilhão desportivo e casa-museu em São Bento
Passaporte MUM no Museu de Angra do Heroísmo
Obras em escolas não vão atrasar ano lectivo
Governo financia escavações de zona de implantação do Centro Paroquial do Porto Judeu face à descoberta de necrópole
Angrenses queixam-se da "falta de investimentos" na água
Jorge Nunes "voou" até à Memória!
Governo melhora acessos à Serra de Santa Bárbara
Governo entrega uma viatura à Casa do Povo de São Sebastião
Escavações revelam necrópole do século XIX na Terceira
Governo investe em pavilhão desportivo e casa-museu em São Bento
Passaporte MUM no Museu de Angra do Heroísmo
Obras em escolas não vão atrasar ano lectivo
Governo financia escavações de zona de implantação do Centro Paroquial do Porto Judeu face à descoberta de necrópole
Angrenses queixam-se da "falta de investimentos" na água
Jorge Nunes "voou" até à Memória!
Governo melhora acessos à Serra de Santa Bárbara






