António Passão lança livro “Os senhores da guerra não gostam de fado”
O fadista António Passão reuniu num livro várias crónicas sobre fado, "Os senhores da guerra não gostam de fado", com o intuito, nas palavras do autor, de "melhor dar a conhecer esta canção e a sua história".

"Para mim, o fado enriquece e aproxima as pessoas. Daí que, quem faz guerra, não gosta seguramente de fado. Mas senti necessidade de conhecer mais e dar a conhecer o fado, não me limitar apenas a cantá-lo", disse o fadista à Lusa.

Cada crónica, precisou, "é uma história, uma trajectória, não se limitando a enaltecer este ou aquele artista, mas explicando uma carreira, um acontecimento que esteve na origem de um fado ou de um dito, descrevendo um evento".

Para o poeta José Luís Gordo, autor de "Cantarei até que a voz me doa", e que assina o prefácio, "este é um livro que fazia falta ao fado".

"Está bem elaborado, há pesquisa séria sobre os assuntos, traz coisas que nós no meio nem sabíamos, relembra certas pessoas, e ajuda a conhecer melhor esta canção que nos apaixona", disse à Lusa.

"Insatisfeito" com os vários álbuns que gravou, e desejando por isso "fazer o tal disco", Passão contou que organizar este livro "não mudou o sentimento pelo fado mas acrescentou-lhe um outro ângulo de observação".

"Habitualmente - disse - não gosto de subir a um palco e cantar, sem mais, fazer aquilo a que se chama ´despejar um fado´. Gosto de falar com o público e partilhar emoções. Daí este meu interesse em conhecer e explorar mais o percurso do fado".

Escrever estas crónicas, agora coligidas em livro, terá partido do contacto com públicos estrangeiros, nomeadamente alemão, francês e norte-americano, aos quais sentiu a necessidade de explicar o que cantava "para além da linguagem universal que é a música".

O livro reúne um total de 114 crónicas escritas entre Março de 2002 e Abril do ano passado, contendo referências a práticas e nomes do fado, de Berta Cardoso a Amália Rodrigues, passando por poetas como Linhares Barbosa e músicos como Jaime Santos e Armandinho.

"Para mim o fado assenta num tripé: o fadista, a letra e a música", argumentou Passão.

As crónicas, esclareceu, "são em jeito de crítica, com levantamento histórico", movidas pela sua "curiosidade natural".

"Os senhores da guerra não gostam de fado" chega esta semana às livrarias, estando já o seu autor a agendar sessões de lançamento no Outono nos museus João Mário, em Alenquer, e no do Fado, em Lisboa.

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Fonte: Diário Dos Açores
Data: 2008-07-08 15:52:29
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