Canhão manuelino em exposição no Museu de Angra
O Museu de Angra do Heroísmo expõe, presentemente, na sua sala de destaques, um canhão manuelino que foi recuperado da baía de Angra, no ano de 1893 e nessa data enviado para Lisboa.


A peça, pertencente ao Museu Militar de Lisboa, foi, recentemente, depositada no Museu de Angra, sendo agora, apresentada no contexto da exposição Angra: Escala do Mar Atlântico - Argumentos do Património Mundial.

Dada a sua relevância histórica, a peça será depois, integrada na exposição de longa duração daquele museu, intitulada Do Mar e da Terra... Uma história no Atlântico, que se encontra em fase de requalificação.

Este raro canhão manuelino apresenta as armas nacionais, a esfera armilar e uma sigla do fundidor (que se pensa ser Sebastião Cobris, activo nos arsenais de Lisboa por volta do ano 1514). Este pequeno canhão de bronze foi amplamente utilizado entre os finais do século XV e os inícios XVIII para a defesa contra abordagens, instalado nas amuradas dos navios, embora também, tivesse sido utilizado em fortificações.

A designação técnica mais correcta para esta arma é "berço", sendo, porém, conhecido em Espanha por berso ou verso e em França e na Flandres por berche ou barce. Outra designação, também, de origem francesa, é falconete.

A obrigação da sua utilização a bordo das embarcações da coroa portuguesa entre os séculos XV e XVIII leva a pensar que terão sido fundidos em Lisboa, Cochim e Goa milhares de peças deste tipo. Todavia, a fragilidade da sua forma oblonga e a reciclagem do bronze ao fim de um reduzido número de tiros foram os factores responsáveis por terem chegado aos nossos dias poucos exemplares.

A presença desta peça museológica no Museu de Angra do Heroísmo ganha especial significado, justamente, quando se comemora o 25º aniversário da inclusão da cidade de Angra na Lista dos Bens Património da Humanidade da UNESCO, pelo facto de ter sido resgatada na baía de Angra e, por conseguinte, isso comprovar o importante papel desempenhado pela cidade na ligação entre o velho mundo europeu e os novos mundos oriental e ocidental.

O canhão manuelino pode ser visto no Museu de Angra de terça-feira a sexta, das 09:30 às 17:00 horas e aos fins-de-semana das 14 às 17 horas.

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Fonte: GaCS/JMB/MAH
Data: 2008-07-11 16:08:58
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