Debate sobre a língua portuguesa traz dezenas de professores emigrados
Dezenas de professores que ensinam Português a milhares de alunos nos Estados Unidos e Canadá reúnem-se até quarta-feira, na cidade da Horta, no Faial.


O XVI Encontro de Professores de Português dos EUA e Canadá é organizado pela associação daqueles docentes, em parceria com a Direcção Regional das Comunidades Açorianas e reúne profissionais que leccionam Português nas escolas comunitárias e no ensino oficial.

Segundo Diniz Borges, o presidente da Associação, "este encontro visa dar novos conhecimentos pedagógicos aos que diariamente leccionam a nossa língua no continente norte-americano".

"Será um espaço privilegiado para um debate sério e aberto sobre a Língua Portuguesa nos Estados Unidos e Canadá, com o objectivo de elaborar um documento de trabalho a ser enviado às respectivas autoridades escolares em Portugal e nos países de acolhimento", de modo melhorar o ensino daquela disciplina, disse Diniz Borges.

Para além disso, este encontro - o primeiro realizou-se há 16 anos, em Albany, Nova Iorque - "servirá também de convívio e troca de experiências entre os professores de vários níveis de ensino" dispersos pelos dois países.

Diniz Borges adiantou que o programa do encontro contempla um "foro especial para reunir não só professores de Língua Portuguesa mas também professores de origem portuguesa que leccionam outras matérias", alguns dos quais já integram aquela Associação.

Acrescentou que o encontro pretende também "alertar os professores para a necessidade de se integrar a geografia, a história e a cultura dos Açores nos currículos de ensino, quer de língua quer de outras disciplinas", nos sistemas de ensino dos Estados Unidos e do Canadá.

Durante cinco dias, os professores - entre eles muitos norte-americanos e canadianos de escolas onde se ensina o Português - vão ter oportunidade de discutir algumas das modernas práticas pedagógicas no ensino das línguas, concretamente do Português com língua estrangeira.

Do programa consta uma conferência de Isabel Leiria, do Instituto Camões, quarta-feira, sobre o ensino de vocabulário e gramática, dirigida especialmente aos docentes que lidam nos EUA e Canadá com o ensino do Português como segunda língua.

À margem dos trabalhos, os docentes visitarão a Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, onde ouvirão uma apresentação sobre o processo autonómico da Região, seguida de debate. Serão ainda recebidos na Câmara Municipal da Horta, entidade que também patrocina o Encontro.

Visitas às Ilhas do Faial, Pico e S. Jorge, com conferências sobre a realidade local na Horta, Lajes do Pico e Velas, seguidas de debates, preenchem o restante programa do Encontro que será encerrado quarta-feira pelo secretário de Estado Adjunto e da Educação, Jorge Pedreira.

A Associação de Professores de Português dos Estados Unidos e Canadá foi fundada em 1993 em Nova Jérsia, EUA, para defender os interesses dos docentes que naqueles países ensinavam a língua de Camões nas escolas comunitárias. Hoje, engloba também docentes que leccionam Português nas escolas oficiais destes dois países, bem como outros de origem portuguesa que ensinam outras disciplinas.

O Encontro de Professores é um dos eventos da Associação, que junta todos anos mais de uma centena de docentes em torno da problemática da Língua Portuguesa.

Esta é a quarta vez que o Encontro tem lugar nos Açores, depois de, em 2007, ter passado por Montreal, Canadá, e em anos anteriores por Coimbra e Lisboa.

Nos Estados Unidos, existem actualmente cerca de 50 escolas comunitárias que proporcionam o ensino da língua portuguesa aos filhos de emigrantes e outros interessados, e mais de cem professores.

Além destas escolas, no ensino oficial mais de 15 mil alunos aprendem actualmente Português nos EUA.

Apesar disso, desde 2005, ano em que foi exonerada a então conselheira para o Ensino do Português, que não existe um coordenador para o ensino da Língua Portuguesa nos Estados Unidos.

Recentemente foi nomeada uma coordenadora para a Califórnia, uma ex-leitora do Instituto Camões, mas as comunidades portuguesas da área onde se concentram mais escolas, mais alunos e mais professores (a Costa Leste - que abrange os Estados de Massachusetts, Rhode Island, Connecticut, Nova Iorque, Nova Jérsia, Pensilvânia, Virgínia, Washington DC, e Florida) continuam a queixar-se de terem sido abandonadas pelo Ministério da Educação, pois não têm um coordenador há três anos.

Por outro lado, a recente alteração legislativa que acabou com a figura do professor requisitado, obrigou muitos docentes que leccionavam nos EUA e Canadá há anos a pedirem licenças sem vencimento ou regressarem a Portugal para não perderem os seus lugares nas escolas de origem, deixando alguns cursos nos Estados Unidos sem professores habilitados.

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Fonte: diario dos açores
Data: 2008-07-21 11:04:33
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