Essa descoberta aconteceu quando no passado domingo apareceram no seu interior várias manchas de óleo.
Estava a decorrer a Festa do Baleeiro, de S. Vicente Ferreira e como tradicionalmente foram ali instaladas algumas barraquinhas de comes e bebes. Rapidamente se percebeu que havia manchas de gordura no chão, exactamente no local onde existe a sarjeta que recolhe as águas pluviais de todo o parque. Ao longo do dia, foi possível confirmar que alguém havia despejado para esse gradeamento restos de óleos usados em frituras.
Entrevistado pela RTP-A, a posição do presidente da Junta de Freguesia de S. Vicente Ferreira, Gualter Vieira, foi que tal não seria possível porque "existe uma ETAR que trata de todos os resíduos e todas as águas pluviais da zona e por isso não há ligação directa com o mar".
Trata-se, no entanto, de uma afirmação que não corresponde totalmente à verdade, pois não existe no local qualquer Estação de Tratamento de Águas Residuais para as águas pluviais do parque de estacionamento.
A Câmara Municipal de Ponta Delgada confirmou ao DA que existe uma mini-ETAR mas apenas para os balneários – lançando as águas tratadas para um sumidouro construido no local. Quanto às águas pluviais que cobrem o parque de estacionamento, elas são apenas recolhidas por uma fossa com ligação a um sumidouro, sem qualquer tratamento.
Terá sido aí que alguém descarregou os óleos, que acabaram misturados com as águas pluviais. E como o sumidouro fica mesmo ao lado da piscina, ficou provado que é para ela que os resíduos se encaminham.
Segundo o Eng.º José Medeiros, da CMPD, este sistema de condução das águas pluviais "é o normal e aceite pelas regras comunitárias". Para os utilizadores daquele espaço, fica no entanto outra certeza: todas as porcarias que porventura existam no parque de estacionamento acabarão, mais cedo ou mais tarde, dentro da piscina. Nomeadamente os óleos inevitáveis do estacionamento de carros – mas também dejectos de animais, por exemplo.
Há realmente apenas uma vantagem: a água é todos os dias renovada duas vezes, pelo menos enquanto o sistema de marés continuar a existir no mundo. Mas talvez a seguir a uma chuvada não seja muito aconselhável tomar banho naquele local…
A posição oficial da Câmara é de condenar quem lançou os óleos no esgoto – e a festa do próximo ano poderá estar comprometida...
Autor: Manuel Moniz
Data: 2008-07-22 10:44:08
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