Obras e “trânsito caótico” transmitem ao turista imagem negativa de Ponta Delgada
Em plena época alta do sector de aluguer de viaturas, o mês de Julho tem proporcionado razões de satisfação para muitas empresas de rent-a-car, enquanto outras queixam-se de falta de clientes.


O Diário dos Açores contactou uma empresa do ramo de aluguer de viaturas que é exemplificativa daquilo que passam algumas empresas a operar em São Miguel.

Horácio Franco da Autatlantis-Automóveis de Aluguer sem condutor, Lda, refere que nos primeiros seis meses deste ano, a empresa apresentou uma quebra de 20% na facturação, comparativamente com o ano passado.

"Há vários factores que contribuíram para esta realidade. Foi o facto de este ano, por exemplo, a Páscoa e outras festividades, terem ocorrido mais cedo.

Por outro lado, as obras que proliferam em Ponta Delgada não são de todo um cenário agradável para quem nos visita, mas eu acho que não é por causa das obras que se verifica uma quebra na vinda de turistas".

Segundo Horácio Franco "o cliente quando procura o destino não está preocupado em saber se há obras ou não. Porém não é simpático, uma vez que se encontram cá e deparam-se com um trânsito caótico, falta de estacionamento, obras por todo o lado, buracos aqui e ali, claro que quando regressarem ao seu país irão transmitir esta mensagem, o que não é agradável para os sectores relacionados com o turismo".

Horácio Franco sente-se indignado porque a sede da Autatlantis encontra-se "perto de um dos locais mais atractivos de Ponta Delgada, Museu Carlos Machado que no entanto se encontra inactivo há sensivelmente dois anos, devido às obras". Para o responsável, "estas obras, assim como as que estão a decorrer no largo do Museu, já se arrastam por muito tempo, criando-nos dificuldades de funcionalidade de entrega e retoma da viatura, e para com o cliente, que fica descontente".

"A meu ver se houvesse melhor coordenação para efectuar as obras, todos os sectores ficavam a ganhar. Isso não impede os turistas de virem a São Miguel, mas fica uma imagem bastante má de Ponta Delgada", critica.

No presente mês, a Autatlantis está com uma ocupação da sua frota que varia entre os 60% e 65%, num universo de 380 carros. Para Horácio Franco, relativamente a 2007, a taxa "é muito baixa quando no ano passado, neste mesmo período a ocupação variava entre os 80% e 85%".

Horácio Franco sublinha que o turista alemão continua a ser o melhor cliente em termos de qualidade. "Temos contratos com operadores alemães e sabemos que é um cliente exigente e fiel, com muita responsabilidade", refere, adiantando ainda que em "termos de quantidade, os turistas continentais são os que nos procuram mais".

Os preços de aluguer variam entre os 30 euros por dia para viaturas de gama baixa, enquanto os carros topo de gama custam 130 euros por dia.

O DA entrou em contacto com uma outra empresa do mesmo ramo, a rent-a-car "7 Lombas", sediada na Vila da Povoação. Iniciou a sua actividade em Julho de 2001, sendo a sua frota constituída por 60 viaturas novas e desde aí, o negócio tem dado bons frutos. Já João Paiva, responsável pela empresa, adianta que não tem razões de queixa, tendo em conta que a ocupação das viaturas está atingir os 100% durante o presente mês.

Para João Paiva, a empresa "está a ir muito bem, mas lamenta o facto de haver uma quebra na taxa de ocupação nos hotéis, com consequências no ramo de aluguer de viaturas".

"Noto que há menos viaturas alugadas a circular pelas estradas e há muitas empresas deste sector a queixarem-se da crise. A economia vai mal em toda a parte e já é muito bom estarmos da maneira como estamos", segundo João Paiva.

João Paiva opina que a quebra na vinda de turistas "tem a ver com a crise mundial, ou seja, são factores como a subida dos combustíveis, taxas de juro e outros mais factores que complicam a vida das pessoas, que têm que viajar menos".

De acordo com o gerente, à empresa "7 Lombas" chegam clientes do continente, Alemanha, Itália e Noruega e a maioria pretende um carro que seja mais barato.

João Paiva assegura que para combater a crise, as empresas deste ramo têm de apostar na qualidade da oferta com preços agradáveis ao bolso do turista. O aluguer por dia de uma viatura de gama baixa custa 24 euros enquanto que um carro mais familiar custa à volta de 40 euros.

Por sua vez, Gonçalo Carvalho da Hertz rent-a-car, explica que a sua taxa de ocupação dos veículos encontra-se no momento nos 90% o que para o gerente é "satisfatório", tendo em conta a "crise e todas as obras que acontecem em Ponta Delgada". Por sua vez, são os holandeses e os canadianos que procuram mais esta empresa que possui uma frota de 200 viaturas.

Por outro lado, o DA contactou uma outra empresa do sector a operar em Ponta Delgada, sendo que o responsável prefere não divulgar o seu nome, adianta que há poucos anos atrás, sobretudo no Verão, todos os carros eram "poucos face à enorme solicitação dos turistas que procuravam os Açores para passar umas férias".

"Agora a situação inverteu-se e somos nós que arrecadamos com as consequências de más políticas", refere sublinhando que "se fôssemos viver só às custas do mercado regional, não iríamos longe, porque a nossa procura regional é muito fraca". Ainda assim, a ocupação feita principalmente por estrangeiros está a atingir os 70% durante este mês.

O DA contactou com outras empresas, contudo, foi impossível porque os responsáveis encontravam-se ausentes.

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Fonte: diario dos açores
Autor: Vera Borges
Data: 2008-07-24 15:32:56
Visualizações: 109

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