Oito casos de tuberculose detectados no primeiro semestre deste ano
Oito novos casos de tuberculose foram diagnosticados nos Açores, durante o primeiro semestre de 2008, menos quatro do que em igual período do ano anterior, anunciou ontem o secretário regional dos Assuntos Sociais.


Domingos Cunha adiantou à agência Lusa que, "apesar de a situação não ser alarmante, exige atenção" e que a tendência geral aponta para uma diminuição da doença, já que "há melhores condições de vida e a vigilância é feita atempadamente".

Em 2007, foram diagnosticados um total 35 casos de tuberculose nos Açores, mais cinco do que em 2006.

"Todos os casos diagnosticados este ano estão a ser devidamente acompanhados pelos respectivos serviços de saúde", assegurou Domingos Cunha, acrescentando que os doentes identificados vivem nas ilhas de São Miguel, Terceira e Faial.

Segundo o governante, a tuberculose está controlada nos Açores e as situações diagnosticadas são "pontuais", o que demonstra que os rastreios realizados e os procedimentos de saúde adoptados na região são eficazes.

"Não ponho a hipóteses de haver mais casos além dos que são rastreados, porque esta é uma doença de notificação obrigatória", afirmou Domingos Cunha.

No caso do concelho da Lagoa, ilha de São Miguel, estão notificados, oficialmente, três casos de tuberculose, mas de acordo com o delegado de saúde, existem mais situações que ainda não foram devidamente notificadas.

"Em Fevereiro tive conhecimento de um homem da Lagoa que estava internado no Hospital de Ponta Delgada com tuberculose, caso que até ao momento não foi notificado, mesmo após este ter tido alta em Março", afirmou à agência Lusa Mário Freitas, que, perante este cenário, mandou efectuar um rastreio aos restantes familiares do doente que moram na mesma casa.

O rastreio detectou três novos casos (a irmã e duas sobrinhas menores), o que obrigou o delegado de saúde da Lagoa a avançar, em Junho, com um rastreio mais alargado aos moradores do bairro social onde reside esta família para investigar uma eventual contaminação.

"Estamos a falar de um local muito restrito do concelho da Lagoa e a estratégia delineada passou por transmitir estritamente a informação necessário à população para não causar alarme social", referiu Mário Freitas, acrescentando o excesso de informação sobre o caso desta família poderia causar uma situação de estigma social.

Dos 158 moradores do bairro foram rastreadas 86 pessoas e 72 não fizeram o exame (11 recusaram-se e 61 não se encontravam em casa no momento do rastreio), indicou.

O delegado de Saúde adiantou que, dos rastreios efectuados, 22 pessoas tiveram resultados positivos, o que não significa que sejam tuberculosas, mas tiveram de ser sujeitas a exames complementares no Serviço de Tratamento de Doenças Respiratórias, em Ponta Delgada.

"Creio que os resultados serão conhecidos dentro de uma a duas semanas", disse Mário Freitas, acrescentando que estas pessoas receberam da Empresa Municipal de Urbanismo da autarquia da Lagoa uma verba para suportar os custos das deslocações.

O delegado de Saúde da Lagoa assegurou, ainda, que está atento e vigilante e tomará todas as medidas necessárias para actuar, lembrando que a sua função principal é acautelar a saúde das pessoas do concelho da Lagoa.

Quando a delegação de saúde tiver toda informação sobre esta situação irá informar cada um dos moradores do bairro, por escrito, sobre o que foi feito e será necessário fazer, bem como realizar uma sessão pública de esclarecimento, acrescentou.

A tuberculose é uma doença causada por um micróbio chamado "Bacilo de Koch" que pode atacar os pulmões e outros órgãos de qualquer pessoa, com particular destaque para criança, idosos e profissionais de saúde.

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Fonte: diario dos açores
Data: 2008-07-24 15:53:34
Visualizações: 69

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