Primeiro espumante algarvio, do espanto ao sucesso de vendas
Quando, há alguns anos, o produtor Rui Virgínia revelou aos seus clientes que estava a pensar em iniciar a produção de espumante algarvio, a resposta que mais ouvia surgia em forma de interrogação: "O quê?".


E tantas foram as interjeições repetidas que decidiu baptizar com a marca "Quê" o primeiro espumante do Algarve de que já este ano foram colocadas no mercado as primeiras 2.400 garrafas. Que esgotaram em dias.

"Não é um espumante para fazer ´pum´, para festas de aniversário. É uma bebida rosé, pensada sobretudo para degustar num fim de tarde ou acompanhar um prato de peixe ou marisco", assinala o empresário de 39 anos, que desde 2003 comercializa o vinho "Barranco Longo", que produz na sua propriedade do mesmo nome em Algoz, próximo de Silves.

Mesmo a 14 euros/garrafa - preço de garrafeira -, os primeiros exemplares do inusitado espumante algarvio, colocadas no mercado em Junho passado, foram "manteiga em focinho de cão": "Esgotaram-se imediatamente, provavelmente ainda haverá algumas garrafas em restaurantes ou garrafeiras, mas quanto a mim vendi-as todas", afirma o empresário.

Dono de uma das mais bem sucedidas marcas de vinhos de quinta algarvios - com uma produção de 82 mil garrafas é a segunda marca em quantidade, a seguir à Quinta do Cantor, do britânico Cliff Richard -, Rui Virgínia quer continuar a produzir rosés "com bolhinhas" e evoca a propensão do mercado algarvio para o sucesso desta sua aventura.

"Sobretudo no Verão, como região turística com mar, peixe e marisco, adapta-se a este produto, que quis que fosse de alta qualidade", sustenta, observando que o mercado dos espumantes adaptados à refeição "está a aumentar muito", mesmo não sendo produtos adaptados à venda em grandes superfícies.

A odisseia do espumante na quinta do Barranco Longo, iniciada em 2005 com a primeira fermentação de um lote de rosé touriga nacional, foi "muito trabalhosa mas valeu a pena", na classificação do agricultor.

A seguir a um estágio de vários meses em cuba inox a temperatura controlada, iniciada ainda em 2005, deu-se um segundo período estagiário em garrafa, de 45 dias, explica Rui Virgínia, que relata a complexidade do processo de fabrico de um espumante.

"Quando decidimos que vamos finalizar o produto, fazemos a rotação das garrafas, que foram previamente tapadas com um pequeno depósito em plástico no gargalo e uma carica na ponta".

De seguida, com os recipientes "de pernas para o ar", o gargalo de cada garrafa é mergulhado numa salmoura gelada e forma-se um pequeno bloco de gelo - que evita que saia líquido -, onde vêm agarradas as impurezas que estavam junto ao bocal e que se depositaram no obturador de plástico.

Este período é fundamental para que, através de um processo químico, se dê a gaseificação do vinho, criando uma pressão que empurra para o exterior o depósito com as impurezas.

Após este processo, que no caso algarvio foi feito manualmente por trabalhadores de uma empresa especializada contratada para o efeito, as garrafas são agitadas e entram em novo período de estágio, de alguns meses.

"Há condições para crescermos muito no espumante rosé, porque estamos nesta região e a marca Algarve vende só por si", sublinha Rui Virgínia, garantindo a produção vai crescer.

Já na Primavera do próximo ano serão distribuídas as garrafas - de um design inovador - onde será colocada a produção que agora estagia na adega de Barranco Longo.

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Fonte: diario dos açores
Data: 2008-07-24 16:26:34
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