Estudo relaciona doença coronária com perda de desempenho mental
A doença cardíaca coronária está associada à perda de raciocínio, de vocabulário e de fluência verbal, primeiros sintomas de demência, indica um estudo ontem publicado pelo European Heart Journal, principal revista europeia de cardiologia.


O estudo foi realizado durante 17 anos com 5.837 funcionários públicos londrinos de meia-idade, 11% dos quais sofreu de doença coronária durante aquele período - explicou Archana Singh-Manoux, autora principal.

A capacidade cognitiva foi medida até aos 61 anos, uma idade ainda sem intervenção de outros factores de risco que poderiam confundir os resultados.

A investigação concluiu que quanto maior é o tempo transcorrido depois do diagnóstico de doença coronária, pior é o desempenho cognitivo da pessoa, sobretudos nos homens.

"Não compreendemos muito bem como funciona a doença coronária nas mulheres, talvez por haver menos casos", referiu a investigadora do University College de Londres e do Instituto Nacional de Saúde e Investigação Médica de França.

Segundo as conclusões do estudo, se os factores de risco das doenças coronárias forem combatidos, poderá combater-se também o desenvolvimento da demência em idades mais avançadas.

Os factores de risco são o tabagismo, diabetes, hipertensão e colesterol altos, que em grande medida se podem prevenir se a pessoa deixar de fumar, optar por uma alimentação equilibrada e praticar exercício física - recordou.

"Os nossos resultados sobre a ligação entre doença coronária e cognição sublinham a importância destas medidas preventivas ao destacarem o impacto destes factores de risco não só na doença coronária mas no desempenho cognitivo da pessoa", acrescentou.

Este é o primeiro estudo em grande escala que examina a associação entre a doença coronária e os problemas cognitivos associados à demência, salientou Archana Singh.

"É importante esclarecer a ligação entre as duas doenças", sublinhou. "A prevalência da demência aumenta com a idade, duplicando cada quatro ou cinco anos depois dos 60, pelo que mais de um terço dos octogenários têm provavelmente demência".

Até agora, os investigadores centraram-se mais na relação entre os acidentes cerebrovasculares, menos frequentes na população que a doença coronária, actualmente um dos principais problemas de saúde no mundo desenvolvido.

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Fonte: diario dos açores
Data: 2008-07-24 17:04:35
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