Apartamentos açorianos são os segundos mais caros de Portugal...
No ano de 2007, o crédito hipotecário concedido nos Açores atingiu os 580 milhões de euros, o que representa um endividamento médio por habitante de 2066 euros – exactamente o valor médio nacional. Era ainda um mercado em expansão, mas denotando um certo arrefecimento: entre 2005 e 2006 ele crescera de 486 milhões para 545 milhões (uma subida de 12,2%), enquanto que para 2007 o crescimento foi de 6,4%.


No total foram realizados 6434 contratos de hipoteca, a esmagadora maioria dos quais relativos a habitação (apenas 3,4% foram de prédios rústicos).

Dos 6111 prédios urbanos hipotecados, a maioria eram casas unifamiliares: apenas 1078 eram prédios em propriedade horizontal, o que corresponde a 17,6% do total. E é por aí que se pode começar a ver alguns sinais de crise: é que o número de novos fogos licenciados nesse ano é inferior ao número de apartamentos vendidos – uma situação que não acontece a nível nacional.

Nos Açores foram licenciados 1357 fogos em apartamentos, mas apenas se registaram 1078 hipotecas (outro dado do INE, sobre os contratos de compra e venda de prédios, dão um valor ainda mais baixo, ficando-se pelos 996 contratos de venda de apartamentos). No país, a relação é radicalmente oposta: 39 mil apartamentos licenciados mas vendas de 169 mil.

Tudo indica, no entanto, que o valor dos apartamentos nos Açores está claramente sobrevalorizado, sendo mesmo muito superior à média nacional.

O valor médio dos apartamentos vendidos nos Açores em 2007 foi de 143.739 euros enquanto que no país foi de 115.053 euros. Uma diferença de 24,9% em relação à média nacional, aplicável aos cerca de 996 apartamentos que foram vendidos nos Açores em 2007.

É um valor elevadíssimo que coloca os apartamentos açorianos entre os mais caros do país. Para se ter uma ideia, Lisboa é o distrito onde os apartamentos são mais caros, mas o preço médio é de 145.051 euros – apenas mais cerca de 1.300 euros que nos Açores. Indo mais ao pormenor, a segunda posição açoriana confirma-se. A média de preço dos apartamentos da Grande Lisboa ronda os 164.807 euros – o valor mais caro do país. Os Açores ficam logo em segundo lugar com os seus 143 mil euros...

Esse dado não é propriamente positivo. Aliás, Lisboa e os Açores são as únicas regiões do país onde os preços médios dos apartamentos ultrapassam os 140 mil euros: a terceira região mais cara é o Algarve (e a Madeira a curtíssima distância), mas aí o valor é de apenas 128.499 euros.

A curiosidade é ainda maior quando se considera a tipologia. A ter em conta os novos fogos licenciados em 2007, nos Açores, 82% dos apartamentos são de tipologia T2 ou inferior, enquanto que a nível nacional essa tipologia é responsável por apenas 53% das novas construções.

A justificação para esta diferença de preços não é clara e poderá ser explicável com itens como a qualidade dos acabamentos. Poderá, no entanto, ser sobretudo uma questão de especulação – ou de uma grande pressão do lado da procura, que no entanto os dados sobre as vendas não tendem a confirmar.

É também duvidoso se se trata de uma inflação ao nível do preço dos terrenos. Porque a média global das vendas – que inclui as moradias unifamiliares, que são claramente maioritárias – dão uma visão muito diferente da realidade: no global, o preço médio das vendas é de 98 mil euros por casa – enquanto que a média nacional é de 108 mil.

As hipotecas realizadas sobre os apartamentos são inferiores aos valores da transacção – mas seguem a mesma tendência. Em média cada hipoteca realizada sobre os apartamentos teve um valor de 100.830 euros, o que é cerca de 25% acima da média nacional, que foi de 80 mil.

E aqui há outra curiosidade: as hipotecas de apartamentos nos Açores são as mais elevadas no país. Na Grande Lisboa, onde a média de preço de venda foi de 169 mil euros, as hipotecas não ultrapassam os 97 mil euros…

Não é, no entanto, obrigatoriamente uma questão de maior risco por parte das entidades bancárias: em média, o valor da hipoteca nos Açores é de 70,15% do valor da venda, quando a média nacional é de 69,6% – é sobretudo uma questão do elevado preço. A seguir aos Açores as hipotecas mais elevadas estão no Algarve, com 102 mil euros, mas estas são as únicas duas regiões do país onde esse valor ultrapassa os 100 mil euros. Seguem-se Lisboa com 97 mil e a Madeira com 90 mil.

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+ Informações:
Fonte: diario dos açores
Autor: Manuel Moniz
Data: 2008-07-25 11:15:23
Visualizações: 180

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