Insegurança: Tribunais estão sem vigilância
Sem policiamento ou segurança privada, a maioria dos 300 tribunais portugueses não tem videovigilância e o alarme, quando o há, nem sequer está ligado às forças policiais. Assim "é fácil assaltar um tribunal", sublinha ao CM, Manuel Ramos Soares, secretário da assembleia-geral da Associação Sindical de Juízes Portugueses e juiz no Tribunal de Almada, edifício que foi assaltado na madrugada de sexta-feira por seis encapuzados.


Na posse de duas viaturas Audi, os indivíduos arrombaram a porta principal e carregaram a caixa multibanco que se encontrava no hall. O alerta para a PSP foi dado por testemunhas que assistiram "à limpeza", pois o edifício, apesar de ter sido inaugurado em 2003, não tem videovigilância e nunca teve segurança nocturna. Aliás, foi em 2003 que o Ministério da Justiça – então tutelado por Celeste Cardona – resolveu retirar a segurança nocturna à maioria dos tribunais portugueses." Questões economicistas", frisa ao CM uma fonte do Ministério, adiantando que a segurança privada dos tribunais custa, anualmente, 1,5 milhões de euros. O Tribunal de Almada é o segundo a sofrer um assalto em menos de um mês, facto que levou ontem o ministro da Administração Interna, Rui Pereira, a garantir que as medidas para tornar os tribunais mais seguros – equipamentos de videovigilância e ligação das instalações judiciais a centrais de alarme – começam a ser aplicadas no início do próximo ano judicial, ou seja, no próximo mês. A segurança nocturna também será retomada, seguindo as recomendações do grupo de trabalho criado, em Novembro do ano passado, para elaborar um relatório – já concluído – sobre a segurança nos tribunais.Para a Associação Sindical dos Juízes Portugueses, as promessas governamentais "são uma reacção". "Tal como acontece sempre que surge algum acontecimento do género", diz Manuel Ramos Soares. "Após o relatório de Março de 2007, foi prometida a instalação de videovigilância para o Tribunal de Almada. Até agora só lá estiveram técnicos a verificar as condições de instalação." O representante dos juízes afirma ainda que, ao nível de segurança, "o panorama dos tribunais portugueses é, em geral, mau". Não há números concretos, mas "os assaltos são frequentes".

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Fonte: diário dos açores
Data: 2008-08-11 11:04:01
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