Jornalista detido pelos EUA denuncia torturas
Um jornalista afegão que esteve 11 meses detido numa base militar norte-americana em Bagram denunciou na segunda-feira que os seus captores o pontapearam, obrigaram-no a ficar descalço na neve e impediram-no de dormir durante vários dias.


Jawed Ahmad, que quando foi detido estava a trabalhar para a CTV, uma televisão canadiana, foi entregue no domingo às autoridades afegãs, informou ontem o capitão Christian Patterson, porta-voz da coligação militar liderada pelos EUA.

Os EUA consideraram Ahmad "combatente inimigo" no início deste ano, acusando-o de manter contactos com líderes talibãs, estando na posse dos seus números de telefone e de imagens de vídeo deles, segundo uma queixa apresentada pelos advogados do jornalista num tribunal de Washington.

Ahmad revelou na segunda-feira que, enquanto esteve preso, os interrogadores o acusaram de ser um combatente talibã que fornecia armas aos rebeldes e de ser agente do Paquistão.

"Tudo de que me acusaram não era verdade", disse Ahmad à Associated Press, num hotel em Cabul. Patterson disse que Ahmad foi libertado por já não ser considerado uma ameaça.

O jornalista, de 21 anos, foi detido a 26 de Outubro de 2007 numa base da NATO perto da cidade de Kandahar, no Sul do Afeganistão.

Ahmad contou que um oficial das relações públicas militares norte-americano o convidara e vir àquela base, onde ficou detido no aquartelamento dos EUA.

Ahmad acusou ter sido pontapeado, terem-lhe batido com a cabeça numa mesa e ficado nove dias consecutivos sem dormir, durante a sua detenção em Kandahar. Raparam-lhe o cabelo, vestiram-no com o fato prisional cor-de-laranja e transportaram-no de avião para a base principal em Bagram.

A capitã Kymberley Juradl, porta-voz militar dos EUA, disse que Ahmad teve acesso ao tratamento médico de rotina quando esteve em Bagram, onde se encontrou com o Comité Internacional da Cruz Vermelha e que nunca apresentou queixas de ter sido maltratado.

"Levamos essas alegações a sério e o nosso pessoal está treinado para respeitar toda a gente e não maltratamos as pessoas dessa maneira", disse.

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Fonte: DA
Data: 2008-09-24 13:25:19
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