Durão quer credibilidade na resposta à crise financeira
A resposta europeia à crise com epicentro nos Estados Unidos deve incluir uma "injecção de credibilidade", a somar às injecções de liquidez. A fórmula foi ontem defendida pelo presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, que instou ainda os Estados Unidos a "assumirem as suas responsabilidades".
"Estamos a pedir e a exortar os Estados-membros a terem uma cooperação mais estreita. É de uma importância crítica para a confiança nos mercados", afirmou em Bruxelas o chefe do Executivo comunitário.
Para Durão Barroso, "não se trata apenas de injectar liquidez, é também preciso injectar credibilidade na resposta europeia".
Embora os 27 careçam de um plano comum para responder ao impacto da crise norte-americana nas instituições europeias, alguns governos da UE têm actuado em concertação. O banco franco-belga Dexia, por exemplo, é alvo de uma recapitalização de 6,4 mil milhões de euros por parte das autoridades francesas, belgas e luxemburguesas.
O presidente da Comissão Europeia entende que a União deve agir como um bloco e preparar uma "acção coordenada".
"Precisamos de ter uma cooperação mais estreita dos governos europeus, juntamente com as instituições europeias, os reguladores nacionais ou as autoridades de supervisão", insistiu Durão Barroso.
Durão Barroso admite que os reflexos do abalo no sistema financeiro norte-americano acabarão "muito provavelmente" por afectar todos os sectores da economia, pelo que os governos estão desde já obrigados a pensar a longo prazo. "A economia real encontra-se agora sob uma pressão muito severa", assinalou.
Os reguladores da União Europeia, garantiu Durão, estão preparados para pôr em prática planos específicos com vista a melhorar a supervisão e a solidez dos sistemas de garantia de depósitos, assim como tornar mais transparentes as remunerações dos executivos.
"Temos, em primeiro lugar, de atender às urgências e depois preparar as nossas estruturas para o futuro", afirmou.
O Executivo comunitário propôs esta quarta-feira um conjunto de medidas destinadas a reforçar a supervisão do sector bancário e o controlo dos riscos assumidos pelas instituições.
Bruxelas quer rever as normas bancárias sobre "adequação de fundos próprios", de forma a "reforçar a estabilidade do sistema financeiro, reduzir a exposição ao risco e melhorar a supervisão dos bancos que operam em mais de um país da União Europeia".
A proposta da Comissão Europeia impõe restrições de crédito às instituições bancárias para qualquer cliente e acima de determinadas fasquias. Por outro lado, visa dar aos reguladores nacionais uma perpectiva mais abrangente das actividades desenvolvidas pelos bancos com operações além-fronteiras.
No mercado interbancário, será vedada às instituições do sector a concessão de empréstimos, ou a colocação de capital em congéneres, acima de somas predeterminadas.
Bruxelas propõe também a criação de colégios de supervisores para os bancos que operam em vários Estados-membros da União Europeia.
A Comissão quer ainda consolidar as regras relativas a valores mobiliários. As empresas "emitentes" de empréstimos sob a fórmula de títulos negociáveis serão obrigadas a limitar o risco.
A proposta de Bruxelas terá de ser submetida à aprovação dos governos dos países-membros e do Parlamento Europeu.
Secretário-geral da OCDE admite necessidade de plano europeu
Numa intervenção perante eurodeputados, em Estrasburgo, o secretário-geral da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) admitiu que os países da União Europeia poderão ser impelidos a encarar um plano de resgate semelhante àquele que a Administração norte-americana submeteu ao Congresso.
"Tendo em conta a exposição das instituições financeiras europeias, talvez tenhamos de começar a pensar num plano para a Europa, se as coisas não melhorarem do outro lado do Atlântico", afirmou Angel Gurría.
"A situação é verdadeiramente crítica. Estamos a enfrentar a mais grave crise financeira desde a Grande Depressão e as suas consequências já estão a espalhar-se para lá da esfera financeira, por todo o globo", frisou.

"Estamos a pedir e a exortar os Estados-membros a terem uma cooperação mais estreita. É de uma importância crítica para a confiança nos mercados", afirmou em Bruxelas o chefe do Executivo comunitário.
Para Durão Barroso, "não se trata apenas de injectar liquidez, é também preciso injectar credibilidade na resposta europeia".
Embora os 27 careçam de um plano comum para responder ao impacto da crise norte-americana nas instituições europeias, alguns governos da UE têm actuado em concertação. O banco franco-belga Dexia, por exemplo, é alvo de uma recapitalização de 6,4 mil milhões de euros por parte das autoridades francesas, belgas e luxemburguesas.
O presidente da Comissão Europeia entende que a União deve agir como um bloco e preparar uma "acção coordenada".
"Precisamos de ter uma cooperação mais estreita dos governos europeus, juntamente com as instituições europeias, os reguladores nacionais ou as autoridades de supervisão", insistiu Durão Barroso.
Durão Barroso admite que os reflexos do abalo no sistema financeiro norte-americano acabarão "muito provavelmente" por afectar todos os sectores da economia, pelo que os governos estão desde já obrigados a pensar a longo prazo. "A economia real encontra-se agora sob uma pressão muito severa", assinalou.
Os reguladores da União Europeia, garantiu Durão, estão preparados para pôr em prática planos específicos com vista a melhorar a supervisão e a solidez dos sistemas de garantia de depósitos, assim como tornar mais transparentes as remunerações dos executivos.
"Temos, em primeiro lugar, de atender às urgências e depois preparar as nossas estruturas para o futuro", afirmou.
O Executivo comunitário propôs esta quarta-feira um conjunto de medidas destinadas a reforçar a supervisão do sector bancário e o controlo dos riscos assumidos pelas instituições.
Bruxelas quer rever as normas bancárias sobre "adequação de fundos próprios", de forma a "reforçar a estabilidade do sistema financeiro, reduzir a exposição ao risco e melhorar a supervisão dos bancos que operam em mais de um país da União Europeia".
A proposta da Comissão Europeia impõe restrições de crédito às instituições bancárias para qualquer cliente e acima de determinadas fasquias. Por outro lado, visa dar aos reguladores nacionais uma perpectiva mais abrangente das actividades desenvolvidas pelos bancos com operações além-fronteiras.
No mercado interbancário, será vedada às instituições do sector a concessão de empréstimos, ou a colocação de capital em congéneres, acima de somas predeterminadas.
Bruxelas propõe também a criação de colégios de supervisores para os bancos que operam em vários Estados-membros da União Europeia.
A Comissão quer ainda consolidar as regras relativas a valores mobiliários. As empresas "emitentes" de empréstimos sob a fórmula de títulos negociáveis serão obrigadas a limitar o risco.
A proposta de Bruxelas terá de ser submetida à aprovação dos governos dos países-membros e do Parlamento Europeu.
Secretário-geral da OCDE admite necessidade de plano europeu
Numa intervenção perante eurodeputados, em Estrasburgo, o secretário-geral da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) admitiu que os países da União Europeia poderão ser impelidos a encarar um plano de resgate semelhante àquele que a Administração norte-americana submeteu ao Congresso.
"Tendo em conta a exposição das instituições financeiras europeias, talvez tenhamos de começar a pensar num plano para a Europa, se as coisas não melhorarem do outro lado do Atlântico", afirmou Angel Gurría.
"A situação é verdadeiramente crítica. Estamos a enfrentar a mais grave crise financeira desde a Grande Depressão e as suas consequências já estão a espalhar-se para lá da esfera financeira, por todo o globo", frisou.
+ Informações:
Fonte: DA
Data: 2008-10-02 12:12:11
Visualizações: 88
Data: 2008-10-02 12:12:11
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