Manuela discute Kosovo em Belém com urgência
A presidente do PSD foi quarta-feira ao Palácio de Belém ao fim da tarde, para um encontro que teve o Kosovo como único ponto da conversa.


Manuela Fer--reira Leite terá pedido ainda ontem a audiência ao Presidente da República com carácter de urgência, sendo que esta foi mesmo concedida às 19 horas, numa demonstração única de como são boas as relações institucionais entre a nova presidente do PSD e o PR.

À saída da reunião, a líder do PSD disse aos jornalistas que a audiência tinha servido para perceber melhor a posição de Aníbal Cavaco Silva sobre a independência do Kosovo. "Entendi ser essencial conhecer a posição do Presidente da República sobre a matéria", afirmou Ferreira Leite, que revelou que este encontro surge na sequência de um contacto que o Ministério dos Negócios Estrangeiros fez com o PSD no sentido de falar sobre "o reconhecimento do Kosovo". A líder do PSD disse ter "as maiores reservas em relação a declarações unilaterais", acrescentando que o Governo português esteve bem ao não ir atrás de outros países no reconhecimento da independência do Kosovo. A posição da actual líder do PSD vem na esteira da que tinha o seu antecessor, Luís Filipe Menezes, mas é diferente da que tem, por exemplo, o ex-presidente da Comissão de Relações Internacionais do PSD, António Martins da Cruz, favorável ao reconhecimento.

A ida de Ferreira Leite a Belém, com carácter de urgência, causou estranheza no PS. Ao DN, José Lello, secretário para as Relações Internacionais do PS, afirma que "o Presidente não querer que Portugal reconheça o Kosovo e o que se está a passar com os russos na Abcásia e na Ossétia do Sul é mais uma razão para não o fazermos". José Lello afirma que "Portugal tem sido avisado sobre a matéria, o mesmo não se pode dizer da dra. Manuela Ferreira Leite, que está apressada e mal assessorada. Esta é mais uma precipitação da sua parte, porque das duas uma: ou quer que Portugal reconheça o Kosovo e age à revelia do PR, que já explicou a inconveniência disso, ou não quer e já vem tarde porque Portugal tem essa posição prudente há muito tempo". Cavaco manifestou desde o início "dúvidas" sobre "o respeito das normas internacionais", acrescentando ser preciso esperar pelas eleições que ocorrem em Maio na Sérvia. A independência do Kosovo, declarada a 17 de Fevereiro, já foi reconhecida por 47 dos 192 Estados membros das Nações Unidas e por 21 dos 27 da União Europeia.

Espanha, Roménia, Eslováquia, Grécia e Chipre ainda não o fizeram, por terem problemas étnicos nos seus territórios. Argumento que Portugal não tem e, por isso, escuda-se no direito internacional. Mas, segundo soube o DN, os governantes portugueses têm estado a ser pressionados, nomeadamente pelos EUA, para reconhecer o Kosovo. Luís Amado sempre disse que isso iria acabar por acontecer. Só não precisou quando. A decisão de fazer novas consultas com os partidos poderia indicar que um reconhecimento oficial estaria para muito em breve. Tanto Amado como Cavaco estiveram reunidos com o Presidente da Sérvia, Boris Tadic, na recente Assembleia Geral das Nações Unidas. Oficialmente, o chefe do Estado sérvio foi pedir aos restantes líderes mundiais apoio para levar a independência do Kosovo ao Tribunal Internacional de Justiça, para que este a declare ilegal.

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Fonte: DA
Data: 2008-10-03 11:51:56
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