Painéis solares no espaço podem gerar energia para a Terra
A ideia de que as necessidades de energia da Terra poderiam ser atendidas por gigantescos conjuntos de painéis solares orbitais está em circulação desde os anos 60. Como presidente da Associação de Energia Espacial, uma organização internacional cujo foco é esse esquema visionário, John Mankins tem longa experiência quanto ao cepticismo com que a ideia costuma ser recebida. A sua mais recente demonstração técnica, cujos resultados foram anunciados recentemente, foi concebida para fazer com que o conceito pareça um pouco mais praticável. 
Ao transmitir microondas de Maui para a Ilha Grande do Havaí, vizinha, Mankins demonstrou que a energia pode ser transmitida através da atmosfera.
A demonstração em pequena escala, que necessitou de apenas quatro meses de preparativo e custou menos de US$ 1 milhão, foi destaque recentemente no programa Project Earth, do Discovery Channel. Mankins diz que o trabalho, que uniu especialistas dos Estados Unidos e do Japão, demonstra que é "possível conseguir progresso real de maneira rápida, a custo acessível e com cooperação internacional".
Mesmo numa tarde ensolarada, a atmosfera terrestre absorve ou dispersa cerca de metade dos raios solares que a atingem.
Painéis no espaço poderiam colectar toda a energia: cerca de 250 watts por metro quadrado. E essa energia estaria disponível em período integral, sem interrupção por nuvens ou pela noite.
A energia poderia ser transmitida à superfície em forma de microondas, as quais, ao contrário das ondas solares, conseguem atravessar sem problemas a camada atmosférica de 100 quilómetros de espessura que cerca o planeta.
Mankins e a sua equipa tinham por objectivo demonstrar que a porção final desse conceito era praticável. Um conjunto de oito transmissores instalados no topo do vulcão Haleakala, em Maui, enviou um pulso de 20 watts recebido por detectores de sinais no Observatório Mauna Loa, na Ilha Grande do Havai, a mais de 100 quilómetros de distância. O feixe não apresentava a colimação correcta, no entanto, e a energia recebida foi equivalente a apenas fracções de microwatts.
Mankins espera que a demonstração sirva para que ele consiga que as agências de financiamento de pesquisas prestem atenção ao projecto de energia solar no espaço.
Ele estima que, com menos de US$ 10 mil milhões, seria possível construir uma unidade piloto de 510 megawatts e colocá-la em órbita até 2018, usando lançadores de satélites convencionais.
"Podemos tornar-nos, no futuro, um participante mais importante do mercado de energia do que a Arábia Saudita é hoje", disse Mark Hopkins, vice-presidente sénior da Sociedade Nacional do Espaço, uma organização sem fins lucrativos que apoia a ideia de energia solar de base espacial.
E Hopkins diz que a constelação de satélites poderia transmitir energia a todo o planeta, o que melhoraria o padrão de vida das pessoas nos países em desenvolvimento.
Os entusiastas da proposta e outros estudiosos afirmam que a tecnologia para colectores de energia solar e para a transmissão sem fio de energia através da atmosfera começa a se aproximar do patamar que seria necessário para concretizar um sonho que no passado seria impossível.
"Acredito que essa seja uma ideia cuja hora enfim chegou", disse Roger Harrison, director do Centro Eisenhower de Estudos Espaciais e de Defesa, em Colorado Springs. "Eu ainda mantenho algum cepticismo quanto à possibilidade, mas ficaria muito feliz caso alguém viesse a provar que estou errado".
O problema é que o custo continua a ser estratosférico - ou ainda mais alto.
Mankins tem em mente um conjunto de milhares de satélites que transmitiriam energia a centenas de receptores espalhados por todos os continentes.
Ele espera que seja possível reduzir custos por meio da produção em massa dos módulos mais leves possíveis, mas cada um desses satélites ainda assim representaria uma massa inerte que teria de ser lançada ao espaço.
Roger Angel, astrónomo da Universidade do Arizona em Tucson, calculou o custo de projectos dessa ordem de ambição e diz que um sistema dessa escala e com esse peso não teria esperança de concorrer com outras opções mais baratas, de base terrestre.
No momento, cada quilo de material lançado ao espaço custa US$ 20 mil, segundo Angel. O custo teria de ser reduzido de maneira considerável para viabilizar o projeto. "Isso coloca um projecto como esse no futuro razoavelmente distante", ele afirmou.
A demonstração no Havai foi um pequeno passo, apenas indicador do potencial da energia solar baseada no espaço. Mas o simples facto de que uma parte do sistema tenha saído da prancheta de desenho e provado potencial concreto já representa uma considerável realização.
"O nosso campo de estudo está infestado de artistas gráficos", disse Harrison. "Mas os artistas gráficos são capazes de colocar qualquer coisa no espaço, sem levar em conta as dificuldades práticas. John Mankins fez algo real, e acredito que isso mereça admiração".

Ao transmitir microondas de Maui para a Ilha Grande do Havaí, vizinha, Mankins demonstrou que a energia pode ser transmitida através da atmosfera.
A demonstração em pequena escala, que necessitou de apenas quatro meses de preparativo e custou menos de US$ 1 milhão, foi destaque recentemente no programa Project Earth, do Discovery Channel. Mankins diz que o trabalho, que uniu especialistas dos Estados Unidos e do Japão, demonstra que é "possível conseguir progresso real de maneira rápida, a custo acessível e com cooperação internacional".
Mesmo numa tarde ensolarada, a atmosfera terrestre absorve ou dispersa cerca de metade dos raios solares que a atingem.
Painéis no espaço poderiam colectar toda a energia: cerca de 250 watts por metro quadrado. E essa energia estaria disponível em período integral, sem interrupção por nuvens ou pela noite.
A energia poderia ser transmitida à superfície em forma de microondas, as quais, ao contrário das ondas solares, conseguem atravessar sem problemas a camada atmosférica de 100 quilómetros de espessura que cerca o planeta.
Mankins e a sua equipa tinham por objectivo demonstrar que a porção final desse conceito era praticável. Um conjunto de oito transmissores instalados no topo do vulcão Haleakala, em Maui, enviou um pulso de 20 watts recebido por detectores de sinais no Observatório Mauna Loa, na Ilha Grande do Havai, a mais de 100 quilómetros de distância. O feixe não apresentava a colimação correcta, no entanto, e a energia recebida foi equivalente a apenas fracções de microwatts.
Mankins espera que a demonstração sirva para que ele consiga que as agências de financiamento de pesquisas prestem atenção ao projecto de energia solar no espaço.
Ele estima que, com menos de US$ 10 mil milhões, seria possível construir uma unidade piloto de 510 megawatts e colocá-la em órbita até 2018, usando lançadores de satélites convencionais.
"Podemos tornar-nos, no futuro, um participante mais importante do mercado de energia do que a Arábia Saudita é hoje", disse Mark Hopkins, vice-presidente sénior da Sociedade Nacional do Espaço, uma organização sem fins lucrativos que apoia a ideia de energia solar de base espacial.
E Hopkins diz que a constelação de satélites poderia transmitir energia a todo o planeta, o que melhoraria o padrão de vida das pessoas nos países em desenvolvimento.
Os entusiastas da proposta e outros estudiosos afirmam que a tecnologia para colectores de energia solar e para a transmissão sem fio de energia através da atmosfera começa a se aproximar do patamar que seria necessário para concretizar um sonho que no passado seria impossível.
"Acredito que essa seja uma ideia cuja hora enfim chegou", disse Roger Harrison, director do Centro Eisenhower de Estudos Espaciais e de Defesa, em Colorado Springs. "Eu ainda mantenho algum cepticismo quanto à possibilidade, mas ficaria muito feliz caso alguém viesse a provar que estou errado".
O problema é que o custo continua a ser estratosférico - ou ainda mais alto.
Mankins tem em mente um conjunto de milhares de satélites que transmitiriam energia a centenas de receptores espalhados por todos os continentes.
Ele espera que seja possível reduzir custos por meio da produção em massa dos módulos mais leves possíveis, mas cada um desses satélites ainda assim representaria uma massa inerte que teria de ser lançada ao espaço.
Roger Angel, astrónomo da Universidade do Arizona em Tucson, calculou o custo de projectos dessa ordem de ambição e diz que um sistema dessa escala e com esse peso não teria esperança de concorrer com outras opções mais baratas, de base terrestre.
No momento, cada quilo de material lançado ao espaço custa US$ 20 mil, segundo Angel. O custo teria de ser reduzido de maneira considerável para viabilizar o projeto. "Isso coloca um projecto como esse no futuro razoavelmente distante", ele afirmou.
A demonstração no Havai foi um pequeno passo, apenas indicador do potencial da energia solar baseada no espaço. Mas o simples facto de que uma parte do sistema tenha saído da prancheta de desenho e provado potencial concreto já representa uma considerável realização.
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+ Informações:
Fonte: DA
Data: 2008-10-03 11:54:49
Visualizações: 352
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