Saramago recorda momento em que a sua vida esteve «a ponto de parar»
O escritor José Saramago saudou ontem os médicos que o ajudaram a recuperar totalmente a saúde, depois de no final do ano passado ter estado com «relógio» da sua vida «a ponto de parar». Saramago recorda esses momentos, em que esteve várias semanas internado a recuperar de uma pneumonia, numa carta ao congresso de escritores que agora terminou em Leon, e onde não pode participar.
Na carta, Saramago explica que não pode ir ao encerramento do congresso, como tinha previamente previsto, por neste fim-de-semana estar a ser submetido a «indispensáveis exames de rotina».
«Aqueles mesmos médicos que me ar--rancaram ao poço são os que decidiram realizar nestes dias alguns indispensáveis exames de rotina. Não recaí, não piorei e estou certo de que ouvirei da boca deles a confirmação de que a recuperação avança e se consolida», escreve na carta ao congresso que terminou hoje em Leon.
Saramago recorda que quando recebeu o convite para participar no congresso, o seu estado de saúde já era «periclitante», tendo-se complicado depois.
«Estive três meses num hospital, onde o relógio da minha vida esteve a ponto de parar, mas donde finalmente saí graças ao saber de alguns médicos a quem, como prova da minha gratidão, passei a considerar os melhores do mundo», escreve.
«Hoje não sou apenas um sobrevivente, mas alguém que recuperou totalmente a saúde, que pode utilizar sem qualquer reserva as suas novas energias, alguém, portanto, que deveria estar em León a cumprir a sua promessa», sublinha.
Junto à carta, Saramago remete um texto em que, diz, propõe «uma reflexão sobre o trabalho dos escritores», que mais do que criação, é para o Prémio Nobel da Literatura 1998 «uma operação em que actuamos como um outro tipo de tradutores».
«Escrever é traduzir. Sempre o será. Mesmo quando estivermos a utilizar a nossa própria língua», explica, referindo-se ao processo de comunicar entre escritor e leitor.
«O diálogo entre o autor e o tradutor, na relação entre o texto que é e o texto a ser, não é apenas um diálogo entre duas personalidades particulares que hão-de completar-se, é sobretudo um encontro entre duas culturas colectivas que devem reconhecer-se», sustenta.
Saramago considera que o texto original «representa unicamente uma das traduções possíveis da experiência de realidade do autor, estando o tradutor obrigado a converter o texto-tradução em tradução-texto, inevitavelmente ambivalente». «Para o tradutor, o instante de silêncio anterior à palavra é pois como o limiar de uma passagem alquímica em que o que é precisa de se transformar noutra coisa para continuar a ser o que havia sido», refere ainda.

Na carta, Saramago explica que não pode ir ao encerramento do congresso, como tinha previamente previsto, por neste fim-de-semana estar a ser submetido a «indispensáveis exames de rotina».
«Aqueles mesmos médicos que me ar--rancaram ao poço são os que decidiram realizar nestes dias alguns indispensáveis exames de rotina. Não recaí, não piorei e estou certo de que ouvirei da boca deles a confirmação de que a recuperação avança e se consolida», escreve na carta ao congresso que terminou hoje em Leon.
Saramago recorda que quando recebeu o convite para participar no congresso, o seu estado de saúde já era «periclitante», tendo-se complicado depois.
«Estive três meses num hospital, onde o relógio da minha vida esteve a ponto de parar, mas donde finalmente saí graças ao saber de alguns médicos a quem, como prova da minha gratidão, passei a considerar os melhores do mundo», escreve.
«Hoje não sou apenas um sobrevivente, mas alguém que recuperou totalmente a saúde, que pode utilizar sem qualquer reserva as suas novas energias, alguém, portanto, que deveria estar em León a cumprir a sua promessa», sublinha.
Junto à carta, Saramago remete um texto em que, diz, propõe «uma reflexão sobre o trabalho dos escritores», que mais do que criação, é para o Prémio Nobel da Literatura 1998 «uma operação em que actuamos como um outro tipo de tradutores».
«Escrever é traduzir. Sempre o será. Mesmo quando estivermos a utilizar a nossa própria língua», explica, referindo-se ao processo de comunicar entre escritor e leitor.
«O diálogo entre o autor e o tradutor, na relação entre o texto que é e o texto a ser, não é apenas um diálogo entre duas personalidades particulares que hão-de completar-se, é sobretudo um encontro entre duas culturas colectivas que devem reconhecer-se», sustenta.
Saramago considera que o texto original «representa unicamente uma das traduções possíveis da experiência de realidade do autor, estando o tradutor obrigado a converter o texto-tradução em tradução-texto, inevitavelmente ambivalente». «Para o tradutor, o instante de silêncio anterior à palavra é pois como o limiar de uma passagem alquímica em que o que é precisa de se transformar noutra coisa para continuar a ser o que havia sido», refere ainda.
+ Informações:
Fonte: DA
Data: 2008-10-07 13:26:18
Visualizações: 75
Data: 2008-10-07 13:26:18
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