Doença do Machado com novo tratamento
Investigadores da Universidade de Coimbra, juntamente com colegas suíços e franceses, demonstraram que é possível reverter os sintomas da doença de Machado-Joseph (DMJ), uma doença eurodegenerativa ainda sem tratamento, através de uma nova estratégia genética.
A nova abordagem que a equipa propõe poderá converter-se no primeiro tratamento desta doença, que tem forte incidência na ilha das Flores, permitindo maior eficácia, ausência de efeitos secundários e a identificação das regiões a tratar.
A ilha das Flores é o local de maior incidência da doença em todo o mundo (uma em cada 140 pessoas), sendo também muito elevada entre os emigrantes de origem açoriana na Nova Inglaterra (nordeste dos Estados Unidos).
Num estudo publicado na edição de quarta-feira da revista científica norte-americana PLoS One, estes investigadores descrevem como conseguiram silenciar num modelo animal cópias mutadas de um gene, preservando a expressão do gene normal.
A técnica, segundo explicou à agência Lusa um dos autores, Luís Pereira de Almeida, do Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra, poderá ter também implicações noutras doenças neurodegenerativas dominantes, como a doença de Alzheimer ou de Parkinson.
O trabalho partiu da descoberta de um mecanismo chamado "interferência de RNA" - que valeu a Craig Mello, descendente de açorianos, e Andrew Fire o prémio Nobel da Medicina de 2006 - e através do qual é possível eliminar proteínas mutadas envolvidas em diversas doenças, como a DMJ.
Trata-se de uma doença com início na idade adulta que provoca perda progressiva das capacidades, sobretudo no que respeita à coordenação motora, e a morte gradual de conjuntos específicos de neurónios.
"Nesta doença há uma mutação de um gene que codifica uma proteína, a ataxina-3, e que consiste na repetição excessiva do trinucleótido CAG numa região específica do gene", explicou o cientista.
"O CAG codifica para um aminoácido, a glutamina, e quando há mais de 55 repetições do trinucleótido no gene da ataxina-3 isso leva ao aparecimento da doença de Machado-Joseph", referiu.
Para Luís Pereira de Almeida, 41 anos, docente na Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra, o objectivo seguinte da sua equipa é "testar o sistema desenvolvido num modelo transgénico da DMJ em que a expressão da proteína mutante está presente na maior parte das células e regiões do sistema nervoso".
O investigador afirma esperar que este estudo permita validar a estratégia desenvolvida e desperte o interesse da indústria farmacêutica a trabalhar nesta área, para levar a terapia até à fase de ensaio clínico.
A DMJ, que se caracteriza por descoordenação motora e presença de inclusões da proteína mutante em diversas regiões do sistema nervoso central, foi identificada como entidade clínica independente em 1977 pelos neurologistas Paula Coutinho e Corino de Andrade e tem sido objecto de estudo por vários investigadores portugueses.
A doença começou por ser estudada em famílias açorianas e de Portugal continental, mas foi depois encontrada noutras partes do mundo.
Após a identificação do gene causador surgiram registos da doença em diversas localizações geográficas, o que levou ao abandono da sua designação inicial de "Doença Açoriana", também conhecida no arquipélago por "Doença do Tropeção".
Passou então a chamar-se doença de Machado-Joseph, os dois apelidos dos primeiros casos diagnosticados nos anos 70 em duas famílias de ascendência açoriana.
A equipa de Luís Pereira de Almeida incluiu investigadores do Centro de Neurociências e Biologia Celular e da Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra, e do Institute of Molecular Imaging and Molelular Imaging Research Center em Orsay (França).

A nova abordagem que a equipa propõe poderá converter-se no primeiro tratamento desta doença, que tem forte incidência na ilha das Flores, permitindo maior eficácia, ausência de efeitos secundários e a identificação das regiões a tratar.
A ilha das Flores é o local de maior incidência da doença em todo o mundo (uma em cada 140 pessoas), sendo também muito elevada entre os emigrantes de origem açoriana na Nova Inglaterra (nordeste dos Estados Unidos).
Num estudo publicado na edição de quarta-feira da revista científica norte-americana PLoS One, estes investigadores descrevem como conseguiram silenciar num modelo animal cópias mutadas de um gene, preservando a expressão do gene normal.
A técnica, segundo explicou à agência Lusa um dos autores, Luís Pereira de Almeida, do Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra, poderá ter também implicações noutras doenças neurodegenerativas dominantes, como a doença de Alzheimer ou de Parkinson.
O trabalho partiu da descoberta de um mecanismo chamado "interferência de RNA" - que valeu a Craig Mello, descendente de açorianos, e Andrew Fire o prémio Nobel da Medicina de 2006 - e através do qual é possível eliminar proteínas mutadas envolvidas em diversas doenças, como a DMJ.
Trata-se de uma doença com início na idade adulta que provoca perda progressiva das capacidades, sobretudo no que respeita à coordenação motora, e a morte gradual de conjuntos específicos de neurónios.
"Nesta doença há uma mutação de um gene que codifica uma proteína, a ataxina-3, e que consiste na repetição excessiva do trinucleótido CAG numa região específica do gene", explicou o cientista.
"O CAG codifica para um aminoácido, a glutamina, e quando há mais de 55 repetições do trinucleótido no gene da ataxina-3 isso leva ao aparecimento da doença de Machado-Joseph", referiu.
Para Luís Pereira de Almeida, 41 anos, docente na Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra, o objectivo seguinte da sua equipa é "testar o sistema desenvolvido num modelo transgénico da DMJ em que a expressão da proteína mutante está presente na maior parte das células e regiões do sistema nervoso".
O investigador afirma esperar que este estudo permita validar a estratégia desenvolvida e desperte o interesse da indústria farmacêutica a trabalhar nesta área, para levar a terapia até à fase de ensaio clínico.
A DMJ, que se caracteriza por descoordenação motora e presença de inclusões da proteína mutante em diversas regiões do sistema nervoso central, foi identificada como entidade clínica independente em 1977 pelos neurologistas Paula Coutinho e Corino de Andrade e tem sido objecto de estudo por vários investigadores portugueses.
A doença começou por ser estudada em famílias açorianas e de Portugal continental, mas foi depois encontrada noutras partes do mundo.
Após a identificação do gene causador surgiram registos da doença em diversas localizações geográficas, o que levou ao abandono da sua designação inicial de "Doença Açoriana", também conhecida no arquipélago por "Doença do Tropeção".
Passou então a chamar-se doença de Machado-Joseph, os dois apelidos dos primeiros casos diagnosticados nos anos 70 em duas famílias de ascendência açoriana.
A equipa de Luís Pereira de Almeida incluiu investigadores do Centro de Neurociências e Biologia Celular e da Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra, e do Institute of Molecular Imaging and Molelular Imaging Research Center em Orsay (França).
+ Informações:
Fonte: DA
Data: 2008-10-08 11:31:30
Visualizações: 113
Data: 2008-10-08 11:31:30
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