EDA abate mais de 50 criptomérias sem conhecimento dos proprietários
Mais de meia centena de árvores foram hoje abatidas pela EDA - Electricidade dos Açores no interior de uma propriedade privada, em São Miguel, um acto que os proprietários contestam, já que decorre um processo judicial contra a empresa.


Desde 1992 que a família Bizarria "luta" para que a EDA retire da sua propriedade os cabos de alta tensão, que segundo os proprietários foram ali instalados sem o seu "conhecimento e autorização".

"As linhas foram instaladas no nosso terreno sem o nosso conhecimento e autorização. Quando regressámos de vez a São Miguel [depois de terem estado emigrados nos Estados Unidos da América vários anos] encontrámos este cenário", contou à agência Lusa Cristina Bizarria, que vive com o marido e duas filhas numa casa onde as linhas de alta tensão estão a poucos metros de distância do telhado.

Segundo explicou, os vários relatórios técnicos realizados no âmbito do processo judicial em curso apontam para a existência de efeitos nefastos, que põem em causa a segurança e a saúde de pessoas e bens, devido ao risco de descargas eléctricas.

Em Junho, a EDA entrou na propriedade para, alegadamente, efectuar trabalhos de manutenção, mas Cristina Bizarria adiantou que os técnicos estiveram apenas a esticar as linhas "para não ficarem tão próximas da habitação", um trabalho que iria ser repetido em Setembro caso os proprietários não tivessem conseguido barrar a entrada.

Ontem, com a autorização do tribunal de Ponta Delgada, os técnicos da EDA, acompanhados de um carro de polícia, entraram na propriedade para realizar acções de manutenção às linhas, tendo abatido mais de 50 criptomérias.

"O despacho do juiz fala em manutenção e substituição de linhas, não fala no abate de árvores", afirmou Cristina Bizarria, acrescentando que "o que está aqui em causa é uma luta desigual entre uma formiga e um Golias".

Farta de esperar que a justiça portuguesa resolva um "imbróglio judicial", que se arrasta há vários anos, Cristina Bizarria admite recorrer ao Tribunal Europeu para defender "o trabalho de toda uma vida".

"Está aqui envolvida gente muito graúda", disse a proprietária, acrescentando que só em 2006, com o processo judicial a decorrer, é que as três linhas condutoras e uma de guarda (que protege as linhas de alta tensão contra as descargas da atmosfera) foram legalizadas.

A Lusa tentou contactar a EDA para obter uma reacção, mas não foi possível.

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Fonte: DA
Data: 2008-10-09 12:00:16
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