Banco Central Europeu baixa em 0,50% a taxa de juros
O Banco Central Europeu, confrontado com a crise financeira mundial, decidiu ontem baixar a taxa de juro de referência em meio ponto percentual, baixando dos 4,25% para os 3,75%.


Recorde-se que em Julho o BCE tinha subido a taxa de juro de referência de 4% para 4,25%, taxa que se manteve inalterada até esta quarta-feira.

A Reserva federal Americana anunciou também numa acção coordenada com o BCE, a descida da sua taxa de referência em meio ponto percentual fixando agora a taxa de juro em 1,5%.

O FED justifica a medida "nos sinais de fraqueza da actividade económica e na redução das pressões inflacionistas".

O Banco de Inglaterra secundou a posição do BCE e do FED e anunciou também esta quarta-feira uma descida da sua taxa de referência em meio ponto percentual, situando-se agora a mesma nos 4,5% num quadro de acção comum com os grandes bancos centrais.

O banco central do Canadá, o banco central da Suiça e o banco central sueco, decidiram já, entretanto, baixar as suas taxas de juro, de acordo com um comunicado emitido pelo BCE.

A justificação está na "recente intensificação da crise financeira".

Espera-se, em Portugal, que o Banco de Portugal e a banca nacional acompanhe esta descida da taxa de juro que ultimamente tem subido atingindo a Euribor valores recordes e vendo os portugueses o seu orçamento familiar sobrecarregado.

Para o presidente da Associação Portuguesa de Bancos (APB), João Salgueiro, a descida das taxas de juro por parte do Banco Central Europeu (BCE) é uma medida que "devia ser tido tomada há muito tempo".

"No caso do BCE, é sinal que passou a encarar como risco a estagnação da economia e não apenas a inflação", afirmou o banqueiro.

João Salgueiro acredita que esta medida vai ajudar a acalmar os mercados de crédito entre os bancos, contribuindo para o restaurar da confiança entre as instituições.

O presidente da APB acredita que não há razões para preocupação em relação à solidez da banca portuguesa, considerando que as notícias publicadas no passado fim-de-semana sobre a existência de problemas em dois bancos nacionais de pequena dimensão são "especulação".

"Se realmente existis--se algum problema, já teria acontecido alguma coisa nos últimos dias, como uma intervenção [das autoridades]", acrescentou.

"Não há razões para pânico. Mas os próximos 3 ou 4 anos vão ser difíceis. O meu conselho aos portugueses é adiarem despesas não essenciais - como fazer uma viagem a um local longínquo, por exemplo - porque estes serão anos em que não vai haver grande abundância", afirmou.

"Este é também o conselho que dou ao Estado, no que toca a realizar grandes investimentos com recurso a crédito", disse ainda o banqueiro.

"E como país, teremos de procurar ser mais competitivos que os outros, fazendo melhor e mais barato que os outros, porque ninguém nos vai ajudar", concluiu.

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Fonte: DA
Data: 2008-10-09 14:28:14
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