Fundo de Maneio
Cuidados Continuados abrangem cerca de cem pessoas em São Miguel
O Auditório do Hospital do Divino Espírito Santo promove, nos dias 17 e 18 de Outubro, a Conferência "Cuidados Continuados: realidade ou utopia?", uma iniciativa dos mestrandos de Ciências de Enfermagem.


O encontro de dois dias traz à cidade de Ponta Delgada especialistas da área dos Cuidados Continuados regionais, continentais e estrangeiros.

Em entrevista ao "Diário dos Açores", Natasha Ferreira, da Comissão Organizadora do evento, explica os objectivos e a mais-valia dessa iniciativa.

"O objectivo é trazer à nossa Região, nomeadamente a Ponta Delgada, diversas entidades e personalidades que estão relacionadas com este tema que é tão actual na nossa sociedade". De acordo com a enfermeira, esse tipo de iniciativa é de extrema importância, sobretudo numa Região que pugna por se manter actualizada nas mais diversas áreas do conhecimento. Como tal, explica Natasha Ferreira, é "com o maior entusiasmo e voluntariedade que abraçamos a tarefa de organizar tal colóquio".

"Nós queremos trazer diversos enfermeiros do continente português e da realidade espanhola para debater e trocar ideias sobre a realidade deles, uma vez que as unidades dos Cuidados Continuados já estão há mais tempo implementadas tanto no continente português como em Espanha", ao contrário do que se passa na Região, afirma uma das organizadoras da conferência "Cuidados Continuados: realidade ou utopia?".

Em Ponta Delgada, avança a enfermeira, não há uma Unidade de Cuidados Continuados na verdadeira acepção da palavra. E continua, "o que temos é uma das tipologias dos Cuidados Continuados que é a Unidade de Cuidados Domiciliários". Trata-se de uma unidade muito recente e que está implementada desde Dezembro de 2007, em Ponta Delgada.

Como tal, diz Natasha Ferreira, esta conferência de enfermagem reveste-se como uma oportunidade única de trazer cá e de debater com os profissionais da área esta nova realidade.

No que concerne à Unidade dos Cuidados Domiciliários, uma das tipologias dos Cuidados Continuados, a enfermeira explica que, nesse quase um ano de "serviços", o balanço é bastante positivo. A Unidade de Cuidados Continuados abrange quase uma centena de pes--soas, desde os Mosteiros à Ribeira Chã.

"Nós temos, nesse momento, na Unidade de Cuidados Domiciliários, mais de uma centena de pessoas sob os nossos cuidados nas diversas freguesias de São Miguel".

Natasha Ferreira salienta que, até ao momento, o balanço é, deveras, positivo. Com esse "programa, as pessoas têm um acompanhamento mais permanente, durante mais tempo". E exemplifica, "têm acompanhamento ao fim-de-semana até às 21 horas, o que anteriormente não acontecia porque não havia recursos para tal".

A enfermeira recorda que, até há cerca de um ano, os Cuidados Domiciliários eram efectuados pelas Unidades de Saúde e não havia recursos humanos para um acompanhamento mais efectivo. Nesse momento, confessa uma das responsáveis pela conferência dos dias 17 e 18 Outubro, o projecto na Região não é ainda o ideal, mas, também, frisa, depende de um conjunto de vários esforços a vários níveis. Contudo, acredita a nossa entrevistada, "estamos a caminhar no bom sentido". E revela, "penso que estamos a assegurar uma cada vez melhor qualidade dos cuidados".

De acordo com Natasha Ferreira, "os enfermeiros, a classe, no geral, vêem esses Cuidados Continuados de uma forma bastante positiva".

A enfermeira ao "Diário dos Açores" sublinha que, embora não haja actualmente na Região os verdadeiros Cuidados Continuados, o esforço que está a ser empreendido é neste sentido. "São projectos que demoram tempo a ser efectuados na sua forma efectiva", destaca.

Uma continuidade dos cuidados provoca um aumento da melhoria dos mesmos. Quem acaba por sair muito beneficiado deste aumento de qualidade são os utentes. Nós queremos é que os nossos doentes tenham os melhores cuidados possíveis, desenvolve a mesma.

Segundo a enfermeira Natasha Ferreira, a implementação correcta e definitiva dos Cuidados Continuados exige um enorme esforço, não só político, como económico e a nível dos recursos humanos.

"Nesse momento, não temos infra-estruturas nem físicas nem humanas para suportar esse projecto". E prossegue, "mas o esforço que está a ser imprimido é nesse sentido". "Acho que há uma grande vontade em que possamos dar continuidade a esse projecto", declara. "Agora, quando é que ele vai existir, sinceramente, não sei. Penso que até as pessoas a quem de direito também ainda não o saberão", confessa ao "Diário dos Açores", Natasha Ferreira.

Quanto ao programa dos próximos dias 17 e 18, estarão presentes na conferência "Cuidados Continuados: realidade ou utopia?" várias personalidades regionais, nacionais e internacionais ligadas aos Cuidados Continuados. Alguns dos temas a abordar nesses dias prendem-se com "O futuro dos Cuidados Continuados na Região Autónoma dos Açores"; "Cuidados Continuados: A experiência da Região Autónoma da Madeira"; "Os Cuidados Continuados em Espanha". Ainda haverá lugar para intervenções sobre o "Quotidiano dos Enfermeiros na Prática dos Cuidados Continuados"; "Cuidados Continuados: Análise de Conceito" e, a terminar, "Contributos da investigação para a prática da Enfermagem em Cuidados Continuados".


Cuidados Continuados

Os Cuidados Continuados de Saúde é um programa que tem como objectivo o apoio às pessoas em situação de dependência física, mental e/ou social, que estão no seu domicílio. A maioria destas dependências estão associadas a doenças crónicas, sendo estas por si só uma ameaça à estabilidade e homeostesia do indivíduo com repercussões a nível económico, social e familiar. Tendo em conta que estas situações de dependência tendem a aumentar, colocando graves problemas a nível do sistema de saúde e protecção social, as famílias são hoje cada vez mais solicitadas a desempenhar o papel de prestador de cuidados, por um lado, para manter o indivíduo dependente no seu ambiente, por outro, com vista a uma melhor gestão dos recursos existentes. Muito se tem legislado a nível de articulação do serviço de saúde e do serviço social para apoiar estas situações de dependência. No entanto, esquece-se muitas vezes, que as famílias cuidadoras necessitam de estar em permanência junto do seu familiar, necessitando estas de passar por uma readaptação do seu papel no seio da família, levando muitas vezes a que os seus elementos tenham de perder o emprego e papéis sociais, implicando alterações sócio-económicas por vezes insustentáveis. Daí a importância da criação de uma Rede de Cuidados Continuados.

A Rede de Cuidados Continuados, por exemplo, no continente português e em Espanha, é constituída por unidades e equipas de cuidados continuados de saúde, e ou apoio social, e de cuidados e acções paliativas, com origem nos serviços comunitários de proximidade, abrangendo os hospitais, os centros de saúde, os serviços distritais e locais da segurança social, a Rede Solidária e as autarquias locais. A Rede organiza-se em dois níveis territoriais de operacionalização, regional e local. Em São Miguel, como explicou ao "Diário dos Açores" Natasha Ferreira, ainda não há um verdadeiro programa de Cuidados Continuados.

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+ Informações:
Fonte: DA
Autor: Ana Arruda
Data: 2008-10-13 12:50:54
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