A Falta De Água Na Lomba Da Maia E O Cidadão Que Não Se Cala
O comunicado citava a 13 de Novembro que “A falta de chuva...está a obrigar a Câmara Municipal da Ribeira Grande a efectuar cortes nocturnos no abastecimento de água... a pouca pluviosidade registada está a diminuir a pressão de água nas zonas altas do concelho, o que implica cortes nocturnos para que os depósitos possam recuperar a sua capacidade. "Devido à falta de chuva, as nascentes estão a debitar muito pouca água para os reservatórios, insuficiente para manter o abastecimento normal 24 horas por dia, daí que a água corra com menor pressão". É o caso das localidades de Lomba da Maia e de São Pedro, Lombinha da Maia, Lugar da Ribeira Funda e Burguete. A situação tem levado a autarquia a proceder a cortes de abastecimento entre as 22h00 e o início da manhã do dia seguinte. Recentemente, a autarquia anunciou um investimento de oito milhões de euros, até 2009, em obras de abastecimento de água na zona poente do concelho, que vai permitir acabar com a falta de água sentida durante o Verão nas freguesias do Pico da Pedra, Calhetas e Rabo de Peixe.”


Esta notícia tem andado a desassossegar o cidadão da Lomba da Maia que não se cala. Esta falta de água e seus cortes tiveram início em Agosto 2008, ainda em pleno verão, mas só agora foram anunciados em 13 de Novembro quando a situação passou a ser crítica. Estes cortes de água, ignorados pelo resto da população da Ilha Verde, foram já sentidos pelo preço do consumo de água que disparou, pois, o ar sai sobre pressão e faz os contadores dispararem pela água não consumida mas pelo ar com que ela se anuncia todas as manhãs.

Não se compreende que os investimentos sejam todos na “Faixa de Gaza”, lá onde estão os beneficiários de Rendimento Mínimo Garantido, Rendimento de Inserção Social (esse subsídio de desincentivo ao trabalho que o Ferro Rodrigues inventou há uns anos, cheio de boas intenções e pelo qual espero que arda no inferno do desemprego profissional que criou). Ou será que isto faz já parte da campanha de reeleição por esses habitantes estarem, obviamente, mais inclinados a votar no partido que lhes dá todas as benesses?

Assim, esquecidos, UMA VEZ MAIS, estão os habitantes das terras altas do concelho da Ribeira Grande [“É o caso das localidades de Lomba da Maia e de São Pedro, Lombinha da Maia, Lugar da Ribeira Funda...”], por serem poucos, menos vocais e por APARENTEMENTE não se importarem em serem continuamente discriminados. Essa “Faixa de Gaza” que ocupa a zona plana da Ribeira Grande, da Ribeirinha a Rabo de Peixe, é onde a maioria dos investimentos da autarquia foi feita neste mandato.

Nós aqui, na Lomba da Maia, é que pagamos o preço da falta de água, pois é a nós que eles cortam a água para que não falte aos outros. Nós, pelas 21 horas é que temos de desligar as máquinas de lavar a louça, pois, a água nem para as sanitas corre...e se queremos água de novo o melhor é levantarmo-nos lá pelas seis da manhã a ver se tomamos um duche às pinguinhas lembrando-me o tempo em que vivi em Timor nos anos 1970 e a água escorria de um bidão de óleo, cortado a meio a pairar sobre uma fogueira, para ir para a improvisada canalização e nos dar a sensação de que estávamos a tomar banho de duche.

O RESTO DA ILHA NEM SE APERCEBEU. Continuam todos felizes, sem se darem conta da falta de água aqui na Costa Norte, a esvaziarem os depósitos do autoclismo em vez de os encherem de garrafas de água cheias ou de tijolos para preservarem a água que temos. Esta ilha não pára de me espantar. Desde que cá cheguei, biliões de litros de água vieram directamente das nuvens para as ribeiras que os despejam no mar. Um equilíbrio perfeito com a natureza mas que esqueceu a presença humana.

Espero que alguém já tenha lido alguma coisa sobre as mudanças climatéricas que se avizinham e comece a construir reservatórios maiores antes de esta ilha se começar a parecer com a metade seca da ilha de Santa Maria ou com a aridez das Canárias e de Cabo Verde. Nessa altura será tarde demais, a menos que nas terras altas como na Lomba da Maia tenhamos reservatórios suficientes para as nossas necessidades e deixemos de depender dos outros que não cuidam de nós como nos prometeram antes de serem eleitos para defenderem os nossos interesses. Ser vocal e “palestiniano” na Ribeira Grande tem imensas vantagens mas não desisto de ser da Lomba da Maia, de me identificar com esta e por esta perseverar.

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Fonte: chrys gmail
Data: 2008-11-26 16:16:10
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