SIDA está a infectar mais mulheres portuguesas
O vírus que provoca a SIDA está a infectar mais mulheres portuguesas e são cada vez mais avançadas as idades com que algumas infecções são identificadas, o que preocupa os especialistas que não encontram estes públicos nas campanhas de sensibilização.


A informação foi ontem avançada por médicos presentes num workshop, em Lisboa, organizado a propósito do Dia Mundial da SIDA, que se assinala segunda-feira.

No encontro foram avançados os últimos dados oficiais sobre a infecção pelo Vírus da Imunodeficiência Humana (VIH) em Portugal, que apontam para a notificação de 33.815 casos desde 1983.

A notificação das infecções em Portugal é, desde o início da doença, motivo de alguma polémica e voltou a motivar algumas críticas do médico Eugénio Teófilo (internista no Hospital dos Capuchos).

Este clínico é peremptório ao afirmar que "os médicos não notificam" os casos de VIH e não o fazem "porque não têm represálias e se não o fizerem ninguém os chateia".

"Ou vejo doentes ou preencho papéis", disse, assumindo que não tem feito as notificações dos casos de SIDA, obrigatórias desde 2005.

As deficiências nas notificações poderão ser uma das razões para a inexistência de dados que identifiquem uma alteração reconhecida pelos médicos nos últimos anos e que indica que são cada vez mais frequentes os casos de idosos a quem é identificado o vírus, assim como o aumento de casos de mulheres infectadas.

Eugénio Teófilo contou que tem um caso de um doente a quem foi identificada a infecção depois dos 80 anos.

Também Armando Alcobia, farmacêutico no Hospital Garcia de Orta, em Almada, avançou que esta é uma realidade cada mais frequente nesta instituição.

No último ano, mais de 21% dos casos de novas infecções identificadas neste hospital foram-no em pessoas com idades entre os 50 e os 79 anos.

Tal como os restantes participantes no encontro, Ricardo Fernandes, membro da Associação Positivo e do GAT, lamentou que as campanhas em vigor sobre o VIH não levem em conta esta alteração da realidade da infecção.

Este especialista alertou ainda para a infecção afectar cada vez mais as mulheres.
"As mulheres são mais susceptíveis de apanhar a infecção, uma vez que é cem vezes mais fácil um homem infectar uma mulher do que o contrário", disse, acrescentando: "As mulheres são o combustível desta infecção, mas os homens são o fogo".

Em relação ao tratamento desta doença, que abrange actualmente entre 20 e 22 mil infectados em Portugal, Eugénio Teófilo lembrou que existem mais de 20 fármacos no mercado, mas que hoje em dia é possível um tratamento com menos comprimidos e menos tomas.

Uma alteração positiva, se comparada com a realidade há alguns anos, quando os tratamentos envolviam uma dezena de comprimidos, várias vezes por dia, acentuou.

Contudo, a resistência aos fármacos dificulta os tratamentos e exige uma outra resposta, que passa pelos medicamentos inovadores.

Vários deles estão no mercado português e são responsáveis pelos elevados gastos com a medicação contra a SIDA. Os especialistas presentes no encontro avançaram que um infectado com o VIH custa, só em medicamentos, cerca de 10 mil euros por ano. No entanto, se forem utilizados fármacos inovadores, esse valor cresce significativamente.

Ao fim de mais de 20 anos de infecção, e ainda sem que se avizinhe uma vacina contra o VIH, este vírus continua a surpreender, nomeadamente pelos seus efeitos nefastos, agora também ao nível cardiovascular, renal e mental.

Apenas desde 2006 é que se sabe que o VIH provoca doenças cardiovasculares, nos rins e também demências, disse o clínico.

Os profissionais defendem, em uníssono, a promoção do rastreio precoce.

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Fonte: DA
Data: 2008-11-28 17:16:25
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