Saramago diz que o Nobel lhe aumentou a responsabilidade cívica e política
O escritor José Saramago, afirmou ontem, em Lisboa, passados dez anos de receber o Nobel da Literatura, em Estocolmo, que o galardão «significou uma responsabilidade importante do ponto de vista cívico e político» .
O autor, que comemora hoje, quarta-feira, uma década sobre a conquista do galardão atribuído pela Academia Sueca, teve ontem um encontro com jornalistas da imprensa estrangeira na sede da Fundação José Saramago, em Lisboa.
Os anos posteriores ao prémio «foram muito ricos em acontecimentos, encontros e diálogos», assinalou o escritor. «Faço um balanço diversificado.
Dei muitos discursos, entrevistas e várias universidades me galardoaram» , explicou o Nobel da Literatura de 1998 sobre as numerosas viagens e compromissos a que acorreu, um esforço que «valeu a pena».
«Talvez o prémio tenha representado uma consciência nova da nossa importância [como portugueses] neste novo mundo» , avaliou ainda, assinalando que um galardão deste nível lhe exigiu estar à altura das circunstâncias.
O autor, que conseguiu ultrapassar este ano uma doença grave, e até terminar e publicar A Viagem do Elefante, a sua obra mais recente, adiantou que está a trabalhar num novo livro, baseado numa ideia que teve há dois anos, mas não quis adiantar o seu conteúdo. Questionado sobre os escritores que, no seu entender, merecem receber o Nobel da Literatura, apontou uma certa geração de autores brasileiros «muito boa», destacando, entre eles, João Cabral de Melo Neto. «É um autor a quem este prémio teria assentado como uma luva» , comentou.
Abordou ainda a situação da língua portuguesa no mundo, e referiu-se em particular à Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP): «Não foi um organismo tão útil como se desejava», avaliou. Também se referiu às questões dos direitos humanos no mundo, de cuja declaração se cumprem 60 anos também hoje, quarta-feira, e lamentou que a cidadania não se interesse por eles. «É uma matéria que não suscita o interesse da cidadania nem dos governos» , opinou, sobre o documento assinado em Nova Iorque, a 10 de Dezembro de 1948, e que considera estar agora «molhado» e com dificuldades em mobilizar a sociedade em sua defesa. Considerou ainda, sobre este assunto: «Há que ter a coragem para enfrentara realidade.
Está aí, mas não se cumprem (os direitos humanos)». Para assinalar a data, a Fundação Saramago vai organizar várias iniciativas esta semana, entre elas a exibição de um filme chileno sobre o golpe militar contra Salvador Allende - Calle Santa Fe, de Carmen Castillo -, e uma homenagem às letras portuguesas com canto e leitura de autores lusos, hoje, quarta-feira, e ainda uma conferência proferida pelo juiz espanhol Baltazar Garzón amanhã, quinta-feira.

O autor, que comemora hoje, quarta-feira, uma década sobre a conquista do galardão atribuído pela Academia Sueca, teve ontem um encontro com jornalistas da imprensa estrangeira na sede da Fundação José Saramago, em Lisboa.
Os anos posteriores ao prémio «foram muito ricos em acontecimentos, encontros e diálogos», assinalou o escritor. «Faço um balanço diversificado.
Dei muitos discursos, entrevistas e várias universidades me galardoaram» , explicou o Nobel da Literatura de 1998 sobre as numerosas viagens e compromissos a que acorreu, um esforço que «valeu a pena».
«Talvez o prémio tenha representado uma consciência nova da nossa importância [como portugueses] neste novo mundo» , avaliou ainda, assinalando que um galardão deste nível lhe exigiu estar à altura das circunstâncias.
O autor, que conseguiu ultrapassar este ano uma doença grave, e até terminar e publicar A Viagem do Elefante, a sua obra mais recente, adiantou que está a trabalhar num novo livro, baseado numa ideia que teve há dois anos, mas não quis adiantar o seu conteúdo. Questionado sobre os escritores que, no seu entender, merecem receber o Nobel da Literatura, apontou uma certa geração de autores brasileiros «muito boa», destacando, entre eles, João Cabral de Melo Neto. «É um autor a quem este prémio teria assentado como uma luva» , comentou.
Abordou ainda a situação da língua portuguesa no mundo, e referiu-se em particular à Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP): «Não foi um organismo tão útil como se desejava», avaliou. Também se referiu às questões dos direitos humanos no mundo, de cuja declaração se cumprem 60 anos também hoje, quarta-feira, e lamentou que a cidadania não se interesse por eles. «É uma matéria que não suscita o interesse da cidadania nem dos governos» , opinou, sobre o documento assinado em Nova Iorque, a 10 de Dezembro de 1948, e que considera estar agora «molhado» e com dificuldades em mobilizar a sociedade em sua defesa. Considerou ainda, sobre este assunto: «Há que ter a coragem para enfrentara realidade.
Está aí, mas não se cumprem (os direitos humanos)». Para assinalar a data, a Fundação Saramago vai organizar várias iniciativas esta semana, entre elas a exibição de um filme chileno sobre o golpe militar contra Salvador Allende - Calle Santa Fe, de Carmen Castillo -, e uma homenagem às letras portuguesas com canto e leitura de autores lusos, hoje, quarta-feira, e ainda uma conferência proferida pelo juiz espanhol Baltazar Garzón amanhã, quinta-feira.
+ Informações:
Fonte: DA
Data: 2008-12-10 14:59:37
Visualizações: 666
Data: 2008-12-10 14:59:37
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