O Roubo Descarado E A Falta De Água Na Lomba Da Maia
A população da Lomba da Maia nesta manhã não falava noutra coisa que
não fosse o roubo descarado praticado pelos Serviços Municipalizados
da Ribeira Grande que este mês apresentaram contas, em muitos casos a
dobrar, aos consumidores. Pergunta-se, o que se terá passado para
todos os mil e poucos habitantes da freguesia desatarem a abrir as
torneiras desta maneira. O certo é que ninguém as abrira, mas passaram
a pagar o ar que circula pelos seus contadores de água. Desde Agosto
que esta falta de água escandalosa, se manifesta mas vergonhoso é por
absoluta deficiência técnica dos contadores instalados, os cidadãos
serem obrigados por aquilo que não têm: água durante a noite e até de
manhã cedo.
Quando se abrem as torneiras, ou o autoclismo, ouve-se o jacto de ar a
entrar e o contador feliz, a assinalar esse movimento de ar como se de
água se tratasse. Para além dos inconvenientes da falta de água em
pleno Outono, o que nos faz pensar como será no Verão, agora vemo-nos
todos a fazer face ao pagamento de ar encanado.
Como se chegou a esta situação?
O comunicado citava a 13 de Novembro que "A falta de chuva...está a
obrigar a Câmara Municipal da Ribeira Grande a efectuar cortes
nocturnos no abastecimento de água... a pouca pluviosidade registada
está a diminuir a pressão de água nas zonas altas do concelho, o que
implica cortes nocturnos para que os depósitos possam recuperar a sua
capacidade. "Devido à falta de chuva, as nascentes estão a debitar
muito pouca água para os reservatórios, insuficiente para manter o
abastecimento normal 24 horas por dia, daí que a água corra com menor
pressão". É o caso das localidades de Lomba da Maia e de São Pedro,
Lombinha da Maia, Lugar da Ribeira Funda e Burguete. A situação tem
levado a autarquia a proceder a cortes de abastecimento entre as 22h00
e o início da manhã do dia seguinte. Recentemente, a autarquia
anunciou um investimento de oito milhões de euros, até 2009, em obras
de abastecimento de água na zona poente do concelho, que vai permitir
acabar com a falta de água sentida durante o Verão nas freguesias do
Pico da Pedra, Calhetas e Rabo de Peixe."
Esta notícia tem andado a desassossegar o cidadão da Lomba da Maia que
não se cala. Esta falta de água e seus cortes tiveram início em Agosto
2008, ainda em pleno verão, mas só foram anunciados em 13 de Novembro
quando a situação passou a ser crítica. Estes cortes de água,
ignorados pelo resto da população da Ilha Verde, foram já sentidos
pelo preço do consumo de água que disparou, pois, o ar sai sobre
pressão e faz os contadores dispararem pela água não consumida mas
pelo ar com que ela se anuncia todas as manhãs.
Não se compreende que os investimentos sejam todos naquilo a que os
locais chamam a "Faixa de Gaza", lá onde estão os beneficiários de
Rendimento Mínimo Garantido, Rendimento de Inserção Social (esse
subsídio de desincentivo ao trabalho que o Ferro Rodrigues inventou há
uns anos, cheio de boas intenções e pelo qual espero que arda no
inferno do desemprego profissional que criou). Ou será que isto faz já
parte da campanha de reeleição por esses habitantes estarem,
obviamente, mais inclinados a votar no partido que lhes dá todas as
benesses?
Assim, esquecidos, UMA VEZ MAIS, estão os habitantes das terras altas
do concelho da Ribeira Grande ["É o caso das localidades de Lomba da
Maia e de São Pedro, Lombinha da Maia, Lugar da Ribeira Funda..."],
por serem poucos, menos vocais e por serem continuamente
discriminados. Essa "Faixa de Gaza" que ocupa a zona plana da Ribeira
Grande, da Ribeirinha a Rabo de Peixe, é onde a maioria dos
investimentos da autarquia foi feita neste mandato.
Aqui, Lomba da Maia, é que pagamos o preço da falta de água, pois é a
nós que eles cortam a água para que não falte aos outros, lá em baixo.
Pelas 21 horas somos nós quem tem de desligar as torneiras e máquinas.
A água nem para as sanitas corre. Se queremos água de novo o melhor é
levantarmo-nos lá pelas seis da manhã a ver se tomamos um duche às
pinguinhas. Faz-me recordar os tempos que vivi em Timor nos anos 1970
e a água escorria de um bidão de óleo, cortado a meio a pairar sobre
uma fogueira, para ir para a improvisada canalização e nos dar a
sensação de que estávamos a tomar banho de duche.
O RESTO DA ILHA NEM SE APERCEBEU. Continuam todos felizes, sem se
darem conta da falta de água aqui na Costa Norte. Os outros podem
continuar a esvaziar os depósitos do autoclismo em vez de os encherem
de garrafas de água cheias ou de tijolos para preservarem a água que
temos. Esta ilha não pára de me espantar. Desde que cá cheguei,
biliões de litros de água vieram directamente das nuvens para as
ribeiras que os despejam no mar. Um equilíbrio perfeito com a natureza
mas que esqueceu a presença humana. Espero que alguém já tenha lido
alguma coisa sobre as mudanças climatéricas que se avizinham e comece
a construir reservatórios maiores antes de esta ilha se começar a
parecer com a metade seca da ilha de Santa Maria ou com a aridez das
Canárias e de Cabo Verde. Nessa altura será tarde demais, a menos que
nas terras altas como na Lomba da Maia tenhamos reservatórios
suficientes para as nossas necessidades e deixemos de depender dos
outros que não cuidam de nós como nos prometeram antes de serem
eleitos para defenderem os nossos interesses. Aliás, as represas já
foram inventadas há muito, basta apenas guardar a água para quando for
precisa. Para não termos de sre roubados pela água que não consumimos
mas pagamos. Ser vocal e "palestiniano" na Ribeira Grande tem imensas
vantagens mas não desisto de ser da Lomba da Maia, de me identificar
com esta e por esta perseverar.

Quando se abrem as torneiras, ou o autoclismo, ouve-se o jacto de ar a
entrar e o contador feliz, a assinalar esse movimento de ar como se de
água se tratasse. Para além dos inconvenientes da falta de água em
pleno Outono, o que nos faz pensar como será no Verão, agora vemo-nos
todos a fazer face ao pagamento de ar encanado.
Como se chegou a esta situação?
O comunicado citava a 13 de Novembro que "A falta de chuva...está a
obrigar a Câmara Municipal da Ribeira Grande a efectuar cortes
nocturnos no abastecimento de água... a pouca pluviosidade registada
está a diminuir a pressão de água nas zonas altas do concelho, o que
implica cortes nocturnos para que os depósitos possam recuperar a sua
capacidade. "Devido à falta de chuva, as nascentes estão a debitar
muito pouca água para os reservatórios, insuficiente para manter o
abastecimento normal 24 horas por dia, daí que a água corra com menor
pressão". É o caso das localidades de Lomba da Maia e de São Pedro,
Lombinha da Maia, Lugar da Ribeira Funda e Burguete. A situação tem
levado a autarquia a proceder a cortes de abastecimento entre as 22h00
e o início da manhã do dia seguinte. Recentemente, a autarquia
anunciou um investimento de oito milhões de euros, até 2009, em obras
de abastecimento de água na zona poente do concelho, que vai permitir
acabar com a falta de água sentida durante o Verão nas freguesias do
Pico da Pedra, Calhetas e Rabo de Peixe."
Esta notícia tem andado a desassossegar o cidadão da Lomba da Maia que
não se cala. Esta falta de água e seus cortes tiveram início em Agosto
2008, ainda em pleno verão, mas só foram anunciados em 13 de Novembro
quando a situação passou a ser crítica. Estes cortes de água,
ignorados pelo resto da população da Ilha Verde, foram já sentidos
pelo preço do consumo de água que disparou, pois, o ar sai sobre
pressão e faz os contadores dispararem pela água não consumida mas
pelo ar com que ela se anuncia todas as manhãs.
Não se compreende que os investimentos sejam todos naquilo a que os
locais chamam a "Faixa de Gaza", lá onde estão os beneficiários de
Rendimento Mínimo Garantido, Rendimento de Inserção Social (esse
subsídio de desincentivo ao trabalho que o Ferro Rodrigues inventou há
uns anos, cheio de boas intenções e pelo qual espero que arda no
inferno do desemprego profissional que criou). Ou será que isto faz já
parte da campanha de reeleição por esses habitantes estarem,
obviamente, mais inclinados a votar no partido que lhes dá todas as
benesses?
Assim, esquecidos, UMA VEZ MAIS, estão os habitantes das terras altas
do concelho da Ribeira Grande ["É o caso das localidades de Lomba da
Maia e de São Pedro, Lombinha da Maia, Lugar da Ribeira Funda..."],
por serem poucos, menos vocais e por serem continuamente
discriminados. Essa "Faixa de Gaza" que ocupa a zona plana da Ribeira
Grande, da Ribeirinha a Rabo de Peixe, é onde a maioria dos
investimentos da autarquia foi feita neste mandato.
Aqui, Lomba da Maia, é que pagamos o preço da falta de água, pois é a
nós que eles cortam a água para que não falte aos outros, lá em baixo.
Pelas 21 horas somos nós quem tem de desligar as torneiras e máquinas.
A água nem para as sanitas corre. Se queremos água de novo o melhor é
levantarmo-nos lá pelas seis da manhã a ver se tomamos um duche às
pinguinhas. Faz-me recordar os tempos que vivi em Timor nos anos 1970
e a água escorria de um bidão de óleo, cortado a meio a pairar sobre
uma fogueira, para ir para a improvisada canalização e nos dar a
sensação de que estávamos a tomar banho de duche.
O RESTO DA ILHA NEM SE APERCEBEU. Continuam todos felizes, sem se
darem conta da falta de água aqui na Costa Norte. Os outros podem
continuar a esvaziar os depósitos do autoclismo em vez de os encherem
de garrafas de água cheias ou de tijolos para preservarem a água que
temos. Esta ilha não pára de me espantar. Desde que cá cheguei,
biliões de litros de água vieram directamente das nuvens para as
ribeiras que os despejam no mar. Um equilíbrio perfeito com a natureza
mas que esqueceu a presença humana. Espero que alguém já tenha lido
alguma coisa sobre as mudanças climatéricas que se avizinham e comece
a construir reservatórios maiores antes de esta ilha se começar a
parecer com a metade seca da ilha de Santa Maria ou com a aridez das
Canárias e de Cabo Verde. Nessa altura será tarde demais, a menos que
nas terras altas como na Lomba da Maia tenhamos reservatórios
suficientes para as nossas necessidades e deixemos de depender dos
outros que não cuidam de nós como nos prometeram antes de serem
eleitos para defenderem os nossos interesses. Aliás, as represas já
foram inventadas há muito, basta apenas guardar a água para quando for
precisa. Para não termos de sre roubados pela água que não consumimos
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com esta e por esta perseverar.
+ Informações:
Fonte: chrys
Data: 2008-12-11 13:17:31
Visualizações: 758
Data: 2008-12-11 13:17:31
Visualizações: 758
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