Os casamentos estão a baixar... e os católicos a desaparecer!
Os açorianos gostam de casar e isso vê-se pelas estatísticas: a taxa bruta de nupcialidade (número de casamentos em relação à população média) é de 5,4 casamentos por mil habitantes, a mais elevada do país (segue-se a Madeira com 5, enquanto que a média nacional é de 4,4). Ao todo, em 2007 realizaram-se 1.304 casamentos. O problema, no entanto, é quando se começa a comparar com anos anteriores – e aí a imagem começa a deteriorar-se. Na realidade, a instituição do casamento parece estar em forte crise – e mais ainda o casamento católico.
Desde pelo menos 1999 que todos os anos tem havido menos casamentos. E de 1.893 no ano de 1999, chegou-se a um mínimo de 1.304 em 2007, o mais baixo valor da década, representando uma redução de 31% no espaço de 9 anos, que na realidade segue a tendência nacional (que neste período também diminuiu em 32,6%).
Redução ainda maior se regista nos casamentos católicos. E bem ao contrário do que seria lógico pensar tendo em conta a religiosidade das ilhas, apenas 299 dos 1.304 casamentos celebrados em 2007 foram realizados pela Igreja, o que dá aos Açores a mais baixa percentagem de casamentos católicos do país: apenas 22,9%, enquanto que a média nacional é de 47,3%, o que é um pouco mais do dobro. Há claramente uma crise a este nível nos Açores, que simplesmente não existe no resto do país.
Aliás, a este nível a redução é ainda maior: menos 44% de casamentos católicos do que se realizava em 1999. Nesse ano, 28,2% dos casamentos celebravam-se na Igreja – em 2007 o seu peso não chegou os 23%.
S. Miguel, que regista quase 59% do total de casamentos açorianos, é onde a questão assume maior importância. Apesar de não ter a percentagem mais baixa (este título cabe às Flores, onde apenas 12,5% dos casamentos foram realizados na Igreja), a situação é dramática: apenas 19,4% dos casamentos são católicos.
Nem um casamento católico no Nordeste...
O concelho de Ponta Delgada até é o que tem mais casamentos religiosos, embora sejam apenas 23,2%; mas dos 17 casamentos realizados no Nordeste, nem um foi pela Igreja - a Ribeira Grande e a Lagoa também tem percentagens muito baixas, de apenas cerca de 14,5%. Em S. Miguel, apenas 1 em cada 5 casamentos passa pela Igreja. No Nordeste, não houve nem um...
Mesmo assim, a média de idade na altura do casamento nos Açores continua a ser a mais baixa do país: apenas 25 anos para as mulheres (são quase 28 no país) e 27 anos no homem (quase 30 no país). E como que a querer comprovar o papel do casamento na procriação, nos Açores a idade da mulher na altura do nascimento do primeiro filho é de quase 26 anos.
E os filhos?
A própria relação entre o casamento e o nascimento de filhos parece estar a diluir-se. Entre 1999 e 2007 o número de nascimentos baixou 15% – bastante, mas mesmo assim uma redução muito inferior à dos casamentos. O que não pára de crescer é o número de filhos fora do casamento: em 2007 o número de crianças nesta situação era já de quase 25% – o maior valor da década.
Não é, no entanto, uma questão dos filhos não terem pais: 76% dessas crianças nascidas fora do casamento têm pais que vivem em sistema de coabitação (apenas cerca de 24% estão em situação de inexistência de uma família tradicional).
A ter em conta estes dados, iremos ter cada vez mais crianças nessa situação… Até devido a um dado que este ano o INE não disponibilizou: o volume de divórcios. O seu número vinha em crescendo entre 1999 e 2005, quando já se situava acima dos 620 – o que já representava mais de 40% do total de casamentos. Em 2006 o seu valor tinha caído ligeiramente para 593 e em 2007 já não há dados. Mas a tendência registada indica que do total de casamentos, apenas 60% resiste...

Desde pelo menos 1999 que todos os anos tem havido menos casamentos. E de 1.893 no ano de 1999, chegou-se a um mínimo de 1.304 em 2007, o mais baixo valor da década, representando uma redução de 31% no espaço de 9 anos, que na realidade segue a tendência nacional (que neste período também diminuiu em 32,6%).
Redução ainda maior se regista nos casamentos católicos. E bem ao contrário do que seria lógico pensar tendo em conta a religiosidade das ilhas, apenas 299 dos 1.304 casamentos celebrados em 2007 foram realizados pela Igreja, o que dá aos Açores a mais baixa percentagem de casamentos católicos do país: apenas 22,9%, enquanto que a média nacional é de 47,3%, o que é um pouco mais do dobro. Há claramente uma crise a este nível nos Açores, que simplesmente não existe no resto do país.
Aliás, a este nível a redução é ainda maior: menos 44% de casamentos católicos do que se realizava em 1999. Nesse ano, 28,2% dos casamentos celebravam-se na Igreja – em 2007 o seu peso não chegou os 23%.
S. Miguel, que regista quase 59% do total de casamentos açorianos, é onde a questão assume maior importância. Apesar de não ter a percentagem mais baixa (este título cabe às Flores, onde apenas 12,5% dos casamentos foram realizados na Igreja), a situação é dramática: apenas 19,4% dos casamentos são católicos.
Nem um casamento católico no Nordeste...
O concelho de Ponta Delgada até é o que tem mais casamentos religiosos, embora sejam apenas 23,2%; mas dos 17 casamentos realizados no Nordeste, nem um foi pela Igreja - a Ribeira Grande e a Lagoa também tem percentagens muito baixas, de apenas cerca de 14,5%. Em S. Miguel, apenas 1 em cada 5 casamentos passa pela Igreja. No Nordeste, não houve nem um...
Mesmo assim, a média de idade na altura do casamento nos Açores continua a ser a mais baixa do país: apenas 25 anos para as mulheres (são quase 28 no país) e 27 anos no homem (quase 30 no país). E como que a querer comprovar o papel do casamento na procriação, nos Açores a idade da mulher na altura do nascimento do primeiro filho é de quase 26 anos.
E os filhos?
A própria relação entre o casamento e o nascimento de filhos parece estar a diluir-se. Entre 1999 e 2007 o número de nascimentos baixou 15% – bastante, mas mesmo assim uma redução muito inferior à dos casamentos. O que não pára de crescer é o número de filhos fora do casamento: em 2007 o número de crianças nesta situação era já de quase 25% – o maior valor da década.
Não é, no entanto, uma questão dos filhos não terem pais: 76% dessas crianças nascidas fora do casamento têm pais que vivem em sistema de coabitação (apenas cerca de 24% estão em situação de inexistência de uma família tradicional).
A ter em conta estes dados, iremos ter cada vez mais crianças nessa situação… Até devido a um dado que este ano o INE não disponibilizou: o volume de divórcios. O seu número vinha em crescendo entre 1999 e 2005, quando já se situava acima dos 620 – o que já representava mais de 40% do total de casamentos. Em 2006 o seu valor tinha caído ligeiramente para 593 e em 2007 já não há dados. Mas a tendência registada indica que do total de casamentos, apenas 60% resiste...
+ Informações:
Fonte: DA
Autor: Manuel Moniz
Data: 2009-01-07 12:23:19
Visualizações: 282
Autor: Manuel Moniz
Data: 2009-01-07 12:23:19
Visualizações: 282
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