Governo apela à participação dos jovens nas eleições europeias
O apelo à participação dos jovens no acto europeu eleitoral que se segue e as razões que devem motivar cada um a exercer uma cidadania activa no contexto da União Europeia marcou o encontro do secretário regional da Presidência com os jovens da ilha do Pico.


Na mesa redonda para a discussão das questões europeias, inserida na agenda da visita de Governo ao Pico, André Bradford apelou às cerca de duas dezenas de jovens presentes para se envolverem na política e nas decisões europeias através da expressão do sentido de voto no dia 7 de Junho.

O espaço de debate, num ambiente mais informal, deu lugar a uma conversa aberta e participada sobre as eleições europeias, em particular, e sobre a participação cívica dos jovens, em geral.

Em relação às eleições europeias, o secretário regional lamentou o decréscimo do número de eleitores às urnas, referindo que a participação política nos actos eleitorais tem vindo a diminuir, de uma forma geral, por toda a Europa, e em particular em Portugal, e mais ainda nos Açores.

“Quando os cidadãos têm o direito de votar e no dia das eleições não vão, isso só pode significar que algo está mal”, sublinhou, apontando a elevada abstenção das últimas europeias, onde apenas 31 por cento dos portugueses foi votar.

Os números têm diferentes interpretações, disse o governante, uma das quais está associada à distância geográfica dos centro de decisão europeus, “quanto mais afastado está o poder para o qual estamos a votar, menos vontade temos de expressar o nosso voto”, referiu, comparando as autárquicas, geralmente com maior sentido de voto graças ao factor proximidade, com as eleições para o Parlamento Europeu.

No entanto, acrescentou André Bradford, esta “não é uma postura acertada, e essa é uma das mensagens que vos quero deixar, porque quase tudo o que se passa no Açores tem uma definição prévia pelo que se fixa em Bruxelas e isso é válido para várias áreas políticas, por exemplo, o caso da agricultura”.

As regras genéricas de apoios, de sistemas de incentivos, entre outras, são tudo medidas definidas em Bruxelas, razão pela qual, disse, é importante que os Açores estejam representados nas instâncias europeias, “deputados que conheçam os Açores, que percebam o que é a realidade açoriana, que saibam quais são os problemas dos Açores e que junto do órgão europeu que decide saiba defender a causa dos Açores e se não tivermos essa voz, perdemos todos nós”, argumentou o governante.

Aos jovens, o secretário regional explicou também que Portugal, à semelhança de outros países europeus, vai perder deputados no Parlamento Europeu fruto da reestruturação deste órgão de decisão com 27 países representados.

Ora, no universo actual dos 732 deputados europeus com apenas dois dos Açores “é natural que não tenham um grande poder de influência em todos os círculos de decisão, mesmo Portugal não é um país com grande capacidade de influência nas decisões, mas os deputados açorianos/portugueses terão muito mais capital político se forem eleitos com uma votação expressiva”, exprimiu o secretário regional da Presidência.

A propósito exemplificou que uma coisa é ser-se eleito quando foram votar setenta por cento das pessoas e uma situação bem diferente é ser-se eleito quando foram votar apenas 30 por cento dos cidadãos de um país. Na opinião de André Bradford, “isso retira credibilidade e legitimidade a quem é eleito só com trinta por cento dos votos. Mais uma razão pela qual eu considero que é importante que as pessoas participem neste acto eleitoral”.

As políticas europeias referentes à juventude foi outra das razões apontadas na mesa redonda pelo secretário regional.

O secretário da tutela apontou a mobilidade e intercâmbio de jovens e ou estudantes como um dos mecanismos mais relevante da influência europeia nos Açores, referindo que a UE tem uma influência em geral no que diz respeito à política da educação, mas sobretudo é relevante no que diz respeito ao intercâmbio de jovens europeus nos diferentes níveis de ensino, com oportunidades vantajosas de acesso a bolsas de formação, permitindo aos jovens uma liberdade e uma margem de escolha cada vez maior.

André Bradford elucidou ainda os jovens da ilha do Pico de que a manifestação do sentido de voto no acto eleitoral europeu que se segue demonstra não só a próactividade dos jovens açorianos no destino dos órgãos de soberania europeus, mas acima de tudo é uma demonstração do interesse e envolvimento cívico que todos deviam manifestar perante a casa-mãe da política europeia.

A União Europeia, até pela distância geográfica que a caracteriza e a forma como está estruturada, “tem poucos mecanismos para ouvir a opinião das pessoas, é uma democracia muito grande, muito preocupada em legislar e pouco preocupada em sentir os problemas dos cidadãos”, argumentou, apontando, uma vez mais, a necessidade e importância do voto para a expressão da opinião à escala global.

“Apesar de tudo, a UE é um grande sistema democrático que é eleito, os órgãos europeus são eleitos pelos votos dos cidadãos europeus e permite, a cada cinco anos, ouvir a opinião de todos sobre a União Europeia e há claramente a oportunidade de, através do voto, mostrar qual o rumo que queremos que a UE tome”, rematou André Bradford.

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Fonte: GaCS/VS
Data: 2009-05-06 10:49:06
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