Desemprego aumentou mais de 25% desde o 1º trimestre de 2008...
Os últimos dados nacionais sobre o desemprego indicam que nos Açores essa taxa atingiu no 1º trimestre do ano o valor de 6,7% da população activa – apenas uma décima abaixo dos 6,8% verificados na Madeira, mas dois pontos ainda abaixo dos 8,9% de média nacional.
É, o que se pode dizer, uma situação de “Madeira à vista” – se é que já não será um olhar para trás. É que a taxa de actividade açoriana é muito inferior à madeirense e a realidade é que na Madeira 48,5% da população total está empregada, enquanto que nos Açores essa percentagem baixa para os 45,65%.
A situação não está de feição. O INE estima que existam neste momento na Região 8 mil desempregados, o que representa um crescimento considerável em relação aos 6.400 existentes no primeiro trimestre de 2008 – uma subida nada confortável de quase 25%. Desde o quarto trimestre de 2008 mais cerca de 1.500 açorianos entraram no desemprego.
As informações prestadas pelo Serviço Regional de Estatística quase ignoram por completo a problemática do desemprego, pelo que se torna impossível tentar perceber quais são os sectores mais afectados – existe apenas uma publicação trimestral sobre o emprego, que se limita a referir num único, e pequeno, quadro os dados totais do desemprego na Região, sem mais qualquer outra desagregação.
Aliás, tendo em conta que o SREA já não publica em papel os seus dados, o que está no site é o que se tem por oficial – e neste caso, é praticamente nada! O INE, por sua vez, debruça-se sobretudo pela situação nacional, mas acaba por ser a principal fonte de informação.
Para se conseguir compreender alguma coisa, é preciso olhar sobretudo para os dados existentes do emprego e da população activa.
E o que se percebe é que em termos de população activa, os Açores são a região onde mais aumentou o número de activos (pessoas com capacidade para trabalhar): 4.800 novos activos desde o 1º trimestre de 2008, comparando com os 4.200 da Madeira e os 3.800 do Algarve (são as únicas regiões onde esse fenómeno acontece).
Neste momento 60,17% dos açorianos com 15 e mais anos de idade já são activos, mas esse é ainda o mais baixo valor nacional (a média do país é de 62,08% e a Madeira já vai nos 63,18%). Se a população açoriana for “normal”, é previsível que nos próximos tempos entrem para o mercado de trabalho entre 3.500 e 4 mil novos activos para atingirmos a taxa de actividade nacional.
E é provável que a situação do desemprego se agrave também por essa via.
É que dos 4.800 novos trabalhadores que surgiram no mercado no último ano, um terço entrou directamente para o desemprego – 3.200 estão dados como empregados e 1.600 como desempregados. Se a mesma relação se mantiver – e isso não é linear – são expectáveis mais 1600 desempregados nos próximos tempos, o que aumentará ainda mais a taxa de desemprego (ficando a Madeira então mais longe)...
Por outro lado, a composição dos que se dizem empregados tem os seus segredos.
A Região tem uma média de “ocupados” (via programas governamentais de ocupação de desempregados) muito acima da nacional, mas os últimos dados ainda não são conhecidos. O que já se conhece são os primeiros dados de Abril dos centros de emprego – onde os Açores apresentam a maior disparidade nacional entre número de inscritos nos centros e os desempregados no inquérito nacional.
Ali o desemprego até diminuiu em Abril (-5,6%, passando de 5.116 em Março para 4.831 em Abril, embora registe igualmente uma subida de 28,7% em relação a Abril de 2009). Mesmo considerando o limite mais baixo do chamado “intervalo de confiança” do Inquérito Nacional ao Emprego (o que pode ser entendido como uma “margem de erro” de 5%), que para os Açores vai de 5.694 a 10.260, a diferença é significativa.
Serão as medidas governamentais anunciadas nos últimos 6 meses suficientes para contrariar a actual, e óbvia, tendência? Isso está ainda por provar, mas há muitas razões para torcer o nariz…

É, o que se pode dizer, uma situação de “Madeira à vista” – se é que já não será um olhar para trás. É que a taxa de actividade açoriana é muito inferior à madeirense e a realidade é que na Madeira 48,5% da população total está empregada, enquanto que nos Açores essa percentagem baixa para os 45,65%.
A situação não está de feição. O INE estima que existam neste momento na Região 8 mil desempregados, o que representa um crescimento considerável em relação aos 6.400 existentes no primeiro trimestre de 2008 – uma subida nada confortável de quase 25%. Desde o quarto trimestre de 2008 mais cerca de 1.500 açorianos entraram no desemprego.
As informações prestadas pelo Serviço Regional de Estatística quase ignoram por completo a problemática do desemprego, pelo que se torna impossível tentar perceber quais são os sectores mais afectados – existe apenas uma publicação trimestral sobre o emprego, que se limita a referir num único, e pequeno, quadro os dados totais do desemprego na Região, sem mais qualquer outra desagregação.
Aliás, tendo em conta que o SREA já não publica em papel os seus dados, o que está no site é o que se tem por oficial – e neste caso, é praticamente nada! O INE, por sua vez, debruça-se sobretudo pela situação nacional, mas acaba por ser a principal fonte de informação.
Para se conseguir compreender alguma coisa, é preciso olhar sobretudo para os dados existentes do emprego e da população activa.
E o que se percebe é que em termos de população activa, os Açores são a região onde mais aumentou o número de activos (pessoas com capacidade para trabalhar): 4.800 novos activos desde o 1º trimestre de 2008, comparando com os 4.200 da Madeira e os 3.800 do Algarve (são as únicas regiões onde esse fenómeno acontece).
Neste momento 60,17% dos açorianos com 15 e mais anos de idade já são activos, mas esse é ainda o mais baixo valor nacional (a média do país é de 62,08% e a Madeira já vai nos 63,18%). Se a população açoriana for “normal”, é previsível que nos próximos tempos entrem para o mercado de trabalho entre 3.500 e 4 mil novos activos para atingirmos a taxa de actividade nacional.
E é provável que a situação do desemprego se agrave também por essa via.
É que dos 4.800 novos trabalhadores que surgiram no mercado no último ano, um terço entrou directamente para o desemprego – 3.200 estão dados como empregados e 1.600 como desempregados. Se a mesma relação se mantiver – e isso não é linear – são expectáveis mais 1600 desempregados nos próximos tempos, o que aumentará ainda mais a taxa de desemprego (ficando a Madeira então mais longe)...
Por outro lado, a composição dos que se dizem empregados tem os seus segredos.
A Região tem uma média de “ocupados” (via programas governamentais de ocupação de desempregados) muito acima da nacional, mas os últimos dados ainda não são conhecidos. O que já se conhece são os primeiros dados de Abril dos centros de emprego – onde os Açores apresentam a maior disparidade nacional entre número de inscritos nos centros e os desempregados no inquérito nacional.
Ali o desemprego até diminuiu em Abril (-5,6%, passando de 5.116 em Março para 4.831 em Abril, embora registe igualmente uma subida de 28,7% em relação a Abril de 2009). Mesmo considerando o limite mais baixo do chamado “intervalo de confiança” do Inquérito Nacional ao Emprego (o que pode ser entendido como uma “margem de erro” de 5%), que para os Açores vai de 5.694 a 10.260, a diferença é significativa.
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+ Informações:
Fonte: Manuel Moniz
Data: 2009-05-22 11:11:35
Visualizações: 691
Data: 2009-05-22 11:11:35
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