Autarquia quer mais rigor na atribuição e alteração de topónimos
A Câmara Municipal de Lagoa quer que a atribuição e alteração de topónimos sejam realizadas com mais cuidado, mais rigor, coerência e isenção, sem ser influenciadas por critérios subjectivos ou factores de circunstância e por tal facto encontra-se em discussão pública a proposta de Regulamento Municipal de Toponímia. A intenção foi manifestada na passada sexta-feira pelo Presidente da Câmara Municipal de Lagoa, João Ponte, durante a cerimónia de lançamento do livro “Notas sobre a Toponímia Lagoense”, da autoria de Maria Antónia Mota Albergaria Pacheco, numa iniciativa conjunta do Instituto Cultural Padre João José Tavares e da Câmara Municipal de Lagoa.


Para o edil lagoense, o livro “Notas sobre a Toponímia Lagoense” é o resultado de um trabalho meritório cujo resultado final permite conhecer mais sobre a “origem dos nomes das nossas ruas e lugares que reflectem os acontecimentos de outrora, enfim, parte da história do nosso Concelho, nas mais diferentes vertentes”.

Como sublinhou, esta obra reflecte factos históricos e personalidades por muitos desconhecidos que importa registar para que possam ser transmitidos à nossa juventude, dando-lhes a conhecer a história da Lagoa.

“Efectivamente, a Toponímia para além do seu significado e importância como elemento de identificação, orientação, comunicação e localização dos móveis urbanos e rústicos é também, enquanto área de intervenção tradicional do Poder Local, reveladora da forma como o Município encara o património cultural”, acrescentou.

O Presidente da Câmara Municipal de Lagoa deixou ainda a garantia de que a edilidade irá continuar a promover este tipo de iniciativas culturais, apoiando as instituições que as promovem. De facto o edil considerou as mesmas como importantes veículos de transmissão de conhecimentos e constituem o motor para o desenvolvimento e dinamização cultural da Lagoa detendo, igualmente, neste contexto, uma responsabilidade acrescida.

“Considero essencial esta inter-comunicação e relação saudável entre a Câmara Municipal e as instituições, fundamental para o progresso e crescimento do Concelho de Lagoa. É imperativo que trabalhemos juntos para construir uma comunidade onde a integração cultural seja uma realidade”, disse, concluindo que neste contexto o Edifício dos Paços do Concelho já acolheu cerca de 30 iniciativas culturais desde 2005, mostrando a pujança cultural que existe no concelho e que tem contribuído para o desenvolvimento e progresso da Lagoa.

Segundo Maria Antónia Mota Albergaria Pacheco, autora deste livro, o mesmo resulta de um estudo do Instituto Cultural Padre João José Tavares em que surgiu a ideia se fazer um estudo sobre a toponímia da Lagoa, pesquisando as figuras que mereceram ser homenageadas pela Câmara. Tendo o apoio do Instituto e havendo interesse pessoal nesta matéria, dado que sempre se havia interessado pelas famílias que desde o povoamento se fixaram na Lagoa, Maria Antónia Mota Albergaria Pacheco compilou em livro as notas biográficas de todos quantos constam na toponímia das artérias lagoenses, mostrando factos das suas vidas e a importância que desempenharam no desenvolvimento da Lagoa, um trabalho que, segundo a mesma, ficou mais enriquecido com as fotografias, os rostos, de todos quantos constam nas placas toponímicas das ruas lagoenses e que em muito se deve ao trabalho incansável de todos quantos a apoiaram nesta tarefa.

Para o presidente da direcção do Instituto Cultural Padre João José Tavares, Rui Câmara, a obra agora lançada é motivo de orgulho para o Instituto Cultural Padre João José Tavares que em pouco mais de um ano e meio de existência, conseguiu realizar seis eventos culturais, mostrando grande dinâmica em prol da comunidade lagoense.

Rui Câmara não deixou de sublinhar o apoio que a Câmara Municipal de Lagoa tem demonstrado ao Instituto Cultural Padre João José Tavares, desde a sua primeira hora, e que se encontra bem visível no lançamento do livro de Maria Antónia Mota Albergaria Pacheco e que será uma mais-valia no estudo das toponímias lagoenses.

Tais apoios são, na opinião deste responsável associativo, motivo de ânimos para a prossecução das actividades deste Instituto Cultural fazendo “com que trabalhemos mais e melhor em defesa da nossa história, património e da nossa cultura”.

Presente também na cerimónia esteve Susana Goulart Costa, autora do prefácio desta obra, que referiu que esta obra consegue fazer, ao longo das suas quase 100 páginas, a recuperação da memória, dos passos, das gentes, dos poderes e das relações comunitárias do Concelho de Lagoa.

Para Susana Costa, a toponímia, como estudo da origem dos nomes dos lugares, reflecte a importância histórica dos factos (como o da República Portuguesa, que recentemente baptiza a antiga Praça Velha de Santa Cruz, em acto municipal de Maio de 2009); dos lugares agrícolas (como a Canada das Vinhas); das actividades industriais (como a rua da Fábrica, associada à Fábrica do Álcool); das individualidades (como a rua António Moniz Barreto) dos costumes e crenças (como a rua do Espírito Santo ou a rua das Alminhas) ou da geografia (como a rua do Valverde). Deste modo, a nomenclatura do espaço espelha o pulsar do ordenamento do território ao longo dos tempos, é uma ferramenta de orientação e localização de imóveis urbanos e rústicos e ainda é reveladora da forma como os municípios, no exercício do respectivo poder local, encaram o Património Cultural do seu concelho, quer de índole material, quer imaterial.

A concluir Susana Costa disse que se trata de uma obra que permite um diálogo entre o hoje e a memória do passado, que se materializou nestas placas toponímicas. “Habitualmente damos nomes às coisas e este livro faz precisamente o circuito inverso, dando coisas aos nomes”, concluiu.

Imprimir Noticia

+ Informações:
Fonte: Carlos Rego
Data: 2010-02-02 16:43:43
Visualizações: 48

Comentários:
Para comentar precisa de estar registado e identificado.
Sem comentários

Contactos | Publicidade
Adicionar aos Favoritos