
Bem… ao que parece, nestes últimos dias, não se fala de outra coisa a não ser do tão temido furacão Gordon.
Na passada noite do dia 19 para 20 de Setembro, um fenómeno natural não muito bem-vindo resolveu fazer uma visitinha a algumas das ilhas do arquipélago dos Açores. Segundo meteorologistas, o completamente inconstante Furacão Gordon, até então considerado ser de nível 2 numa escala de 5, atacaria o grupo Central e a Ilha de São Miguel (Grupo Oriental) com ventos de aproximadamente 170 km/h, contudo, causando poucos estragos e fazendo-se acompanhar de vagas de aproximadamente 12 metros..
Para os que não souberem, um furacão consiste num fenómeno natural que se forma (normalmente) nos oceanos tropicais, que ao serem mornos e terem temperaturas bem altas (superiores a 26º) se juntam a um clima húmido e a ventos altos e fortes, durante um certo período de tempo, acabando por originar ventos violentos acompanhados de mares revoltos, com vagas de altos metros e chuvas torrenciais, ou seja, criando um furacão e todas as consequências que lhe servem de comitiva.
Sendo os Açores banhados pelo Oceano Atlântico, que obviamente não é um típico oceano morno e tropical, mas sim um mar mais agitado e de temperaturas mais frias, previa-se que o Gordon, ao aproximar-se do Arquipélago, perdesse grande parte da força graças ao efeito refrescante que o mar causaria.
A protecção civil encarregou-se de avisar todos os civis com pelo menos 48 horas de antecedência, de modo a que medidas pudessem ser tomadas, e lançou o alerta vermelho para as ilhas dos grupos Central e Oriental (que seriam as mais afectadas), ao mesmo tempo que o Ministério da Educação e Ciência decidiu fechar todos os estabelecimentos de Ensino como medida preventiva. Os rádios, jornais e estações de televisão falavam no assunto “non-stop”, principalmente a RTP-A, que até se encarregou de mostrar imagens de todas as ilhas afectadas do arquipélago durante toda a noite (um caso inédito, uma vez que o excelso canal de televisão açoriano fecha a sua edição bem cedo e não costuma transmitir durante a noite). Pena foi estarem a pôr uma musiquinha de fundo clássica e lamechas, algo que causou grande ira em muitos dos espectadores (acreditem que não tenho absolutamente nada contra a música clássica, mas sejamos francos, estava a mais).
A verdade é que isto tudo foi mais alarido que outra coisa. Muitos temiam a chegada dum verdadeiro Apocalipse enquanto que outros desesperavam. Sendo este fenómeno bastante inconstante, é sempre impossível prever alterações do seu estado com grandes antecedências. Um pequeno desvio da rota pode ser significativo. Uma estimativa da hora de chegada deste, pode ser facilmente mal feita.
Segundo parece, a rota do Gordon alterou-se ligeiramente para Este. As ilhas do grupo ocidental, Flores e Corvo, foram poupadas desta grandiosa visita, enquanto que as do grupo Central, que de início seriam das mais afectadas, já não sofreram tanto as consequências da passagem deste (graças ao desvio). São Miguel, contudo, continuou em alerta máximo, e agora também Santa Maria corria perigo.
Tal como se previa, o furacão perdeu a intensidade ao entrar em contacto com as águas do Atlântico, passando a ser designado como simples Depressão Extra-Tropical. Os estragos nas duas ilhas do grupo oriental foram poucos, sendo ligeiramente mais numerosos na ilha de Santa Maria, onde se registaram quedas de algumas árvores de porte maior e cortes de luz. Contudo, ao contrário do que se pensava, as rajadas mais fortes foram registadas com 120 km/h, ou seja, 50 km/h menos que a previsão.
Muito sinceramente, há que admitir que anualmente estamos habituados a enfrentar dias de Inverno bem mais revoltosos comparativamente à “tempestade” que acabou de decorrer. Em muitos sítios, não houveram grandes chuvadas nem ventos muito tormentosos (já para nem falar de trovoadas, que em muitos sítios nem sequer se fizeram sentir). As medidas preventivas tomadas estavam muito bem planeadas, uma vez que as pessoas têm que estar prontas para o que der e vier, e neste caso tivemos sorte, pois as coisas não correram tão mal como se antevia de início, não havendo perdas trágicas ou estragos graves.
As notícias indicam que de momento estamos a atravessar uma crise no que diz respeito a este tipo de perturbações, e que até Novembro ainda poderemos receber mais visitas indesejadas do género. O furacão Helena, por exemplo, que de momento dirige-se para as ilhas Bermudas, segundo consta, 3 vezes mais forte que o Gordon, poderá a qualquer momento sofrer um ligeiro desvie.
O que interessa é que as pessoas estejam precavidas. Desde mantimentos a estar sempre a par do que o boletim meteorológico nos reserva para o dia a seguir. Mas pelo amor de Deus… o que não vai mudar nada são desesperos e histerismos. Fenómenos como estes são bem comuns nas ilhas há anos, e nem sempre causam grandes estragos.
Em suma, o Gordon veio revelar-se um visitante não tão mau como se antevia, e o que vier a seguir não há-de ser muito diferente. Ao contrário do que muitos insinuam, isto não se trata do fim do mundo.
Intém.
Fontes:
- intercâmbios feitos aqui no canal, por via do fórum e do chat;
-www.wikipédia.pt (informações sobre furacões)
- http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?section_id=13&id_news=243785 (detalhes dos estragos).









plo menos perto nao passou...